IBGE: 10% mais ricos da população receberam 13,8 vezes mais do que os 40% com menos renda em 2025Reprodução

O índice de Gini do rendimento médio domiciliar per capita de todas as fontes - indicador que mede a desigualdade de renda, numa escala de 0 a 1, em que, quanto mais perto de 1 o resultado, maior é a concentração de riqueza - subiu da mínima histórica de 0,504, em 2024, para 0,511 em 2025, mas permanece ainda bem abaixo do registrado em 2019, de 0,543. "A gente não nota uma tendência clara de elevação. Em 2025, teve essa leve oscilação para cima, mas, mais uma vez, se mantendo abaixo dos níveis anteriores a 2024, se mantendo próximo da mínima histórica", observou Gustavo Fontes, analista da pesquisa do IBGE.

Os dados do IBGE mostram que a renda permanece bastante concentrada no Brasil. Os 10% mais ricos da população receberam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40% com os menores rendimentos em 2025. Os 10% mais ricos concentravam 40,3% de toda a massa de rendimentos domiciliares, bem mais que a parcela de 32,8% que coube aos 70% mais pobres juntos.

Bolsa família

O mercado de trabalho aquecido ajudou a aumentar o número de brasileiros com algum tipo de renda para um recorde de 143 milhões de pessoas em 2025, correspondente a 67,2% de toda a população do País. Ao mesmo tempo, caiu o número de lares recebendo o Bolsa Família.

A população com rendimento habitual do trabalho subiu para 101,6 milhões, enquanto a população recebendo aposentadoria e pensão somou um total de 29,3 milhões. Já os beneficiários de programas sociais do governo totalizaram 19,4 milhões.

Considerando as pessoas com alguma renda, o rendimento médio de todas as fontes alcançou um valor recorde de R$ 3.367 em 2025, ficando 5,4% acima do registrado em 2024. O rendimento médio mensal real habitualmente recebido de todos os trabalhos também foi recorde: R$ 3.560, com alta de 5,7%.

Quanto ao valor médio do rendimento de outras fontes, a categoria aposentadoria e pensão manteve o maior valor médio em 2025, R$ 2.697; o de programas sociais do governo foi de R$ 870; o de aluguel e arrendamento, R$ 2.526 (o que representou alta de 11,8% ante 2024); pensão alimentícia e mesada, R$ 863; e demais rendimentos, como seguro-desemprego, aplicações financeiras e bolsas de estudos, R$ 2.302.

A participação dos programas sociais no rendimento domiciliar per capita teve recuo de 3,8% em 2024 para 3,5% em 2025. "Tal variação está relacionada ao fato de que, no último ano, houve estabilidade tanto do valor médio pago como benefício pelo conjunto dos programas sociais do governo quanto do total de pessoas que recebiam tais benefícios, enquanto algumas outras categorias de rendimento tiveram aumento nesses componentes", justificou o IBGE.

PIB per capita
Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), entre 1980 e 2025 o Produto Interno Bruto (PIB) per capita global subiu de US$ 3.380,47 para US$ 26.188,94, um aumento de 675%, enquanto que o o Brasil saiu de US$ 4.427,94 para US$ 23.380,98, alta de 428%. O PIB per capita mostra a média da riqueza disponível por habitantes de um país. No Brasil, o ritmo mais lento em relação a outras nações reflete a baixa produtividade, investimentos insuficientes e ambiente de negócios ainda complexo.