Gaeco realizou nesta quinta-feira a Operação InfiltradosDivulgação/Gaeco
Plano para matar promotor em SP leva à prisão de investigador-chefe
Ex-estagiário do Ministério Público fornecia informações para esquema de extorsão
São Paulo - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) prendeu nesta terça-feira, 9, um policial civil suspeito de auxiliar, enquanto atuava como investigador-chefe de uma delegacia de entorpecentes, em um plano frustrado do Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar um promotor de Justiça que atua em Campinas, no interior do estado.
Foram cumpridos três mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão em Campinas e no município de Cardoso. Todos os alvos foram presos, incluindo um ex-estagiário do MP-SP. A defesa dos detidos não foi localizada. A Operação Infiltrados é um desdobramento direto de ações como a Pronta Resposta, que resultou na prisão de dois empresários em agosto do ano passado sob suspeita de coordenar um plano para matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, do Gaeco de Campinas.
Ordem de Execução
Na época da prisão da dupla, as investigações indicaram que a ordem para a execução teria partido de Sergio Luiz de Freitas, o Mijão, da Sintonia Final da Rua do PCC. Há cerca de 20 anos na Bolívia, ele é considerado um dos maiores operadores do tráfico no Brasil. A defesa de Freitas não foi localizada.
Principal alvo da operação desta terça, Maurício Aparecido de Oliveira foi chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas até fevereiro deste ano, quando foi transferido para o 1.º Distrito Policial da cidade.
As investigações apontam que Oliveira se reuniu com um dos dois empresários presos no ano passado dias antes de eles serem alvo do Gaeco. Parte da conversa foi filmada, conforme gravação obtida pela reportagem. Uma das hipóteses, ainda sob investigação, é de que o encontro seria para obter informações "privilegiadas e sensíveis", possivelmente relacionadas à rotina do promotor de Justiça. A reportagem não localizou a defesa de Oliveira.
Coordenada pelo Gaeco, a operação de ontem contou com apoio da PM de Campinas, da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Penal. O objetivo da operação, ainda segundo o braço contra o crime organizado do MP, é combater "novos focos de atuação das organizações criminosas, incluindo a corrupção de agentes públicos, a prática de extorsões, a violação de sigilo funcional, bem como a possível infiltração de membros da organização criminosa no próprio MP".
Ex-estagiário
Em outro foco da investigação, o Gaeco descobriu que um traficante ligado ao PCC com atuação em Campinas estava sendo "vítima de extorsão, praticada por agente que se valia de informações privilegiadas". A quantia solicitada seria de R$ 500 mil.
Segundo a promotoria, a investigação indica que, meses antes, um ex-estagiário do MP teria se infiltrado em uma das promotorias de Justiça Criminal de Campinas já para fins criminosos. Ele deixou o MP em dezembro de 2025. Procurado, o órgão não comentou "Utilizando os bancos de dados e sistemas de pesquisa e contando com o auxílio de outros agentes públicos, o estagiário teria conseguido identificar criminosos de alto poder econômico e, então, direcionado esforços para extorquir dinheiro em troca de suposta proteção", diz o Gaeco. O ex-estagiário foi preso na manhã de desta quinta-feira. Ele também teria cobrado valores diversos de outros criminosos.
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