Rogério Ceron disse que "o País não suporta um impacto dessa magnitude, independente do mérito dessas matérias"Antônio Cruz/Agência Brasil

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, disse que a equipe econômica foi surpreendida na quarta-feira, 10, com um conjunto de matérias aprovadas no Senado com "relevante impacto fiscal". Segundo ele, as pautas que avançaram têm impacto de centenas de bilhões de reais, "algo muito preocupante, que coloca em risco a solidez não só da política fiscal, da política monetária".

"O País não suporta um impacto dessa magnitude, independente do mérito dessas matérias", disse ele em entrevista ao SBT News. Em seguida, ele afirmou que ainda está sendo levantado o impacto exato das várias matérias, "mas com segurança ultrapassa R$ 200 bilhões, mais de 2% do PIB".

Ele defendeu o diálogo e colocar os atores na mesa para evitar problemas com as chamadas "pautas-bomba" lá na frente.

"Temos uma trajetória de dívida que inspira cuidados, a gente tem que zelar por ela, acrescentar impacto de 2%, 3%, 4% do PIB num momento como esse tem potencial para desestruturar todo o equilíbrio macroeconômico que existe hoje", sustentou. E acrescentou que poderá haver impacto relevante sobre o câmbio e também traria um impacto inflacionário "gigantesco".
Agro
Rogério Ceron afirmou que há uma preocupação e uma disposição do governo em ajudar o agronegócio do País, "mas, claro, dentro daquilo que é possível, razoável e necessário". Entre as pautas aprovadas na quarta-feira no Senado, uma delas foi o projeto de lei que prevê a renegociação de dívidas rurais com uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, cujo custo ao Tesouro é estimado em R$ 140 bilhões em 13 anos. 
Ceron disse que não busca dar um tom de alarmismo, e lembrou que diversos atores de mercado e outras instituições também estão alertando que o País não suporta esse tipo de movimento, em referência às "pautas-bomba", incluindo o projeto de renegociação das dívidas rurais.

"O diálogo sempre existe. (...) Tem outros mecanismos, mas a busca pelo consenso e pela solução negociada sempre é o melhor caminho", respondeu, ao ser questionado sobre novos contatos do governo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Pisos salariais

Sobre os pisos salariais para diversas categorias profissionais, o secretário reconheceu o mérito dos vários setores, mas indicou que a maneira de fazer isso não é tão simples.

"O próprio presidente do Senado fez um discurso bastante responsável falando que se todos os pisos fossem aprovados, dos Brasis que teriam que ser suportados, infelizmente o País não tem todos esses recursos", sustentou, acrescentando que a vida real é diferente, e a renda média do País é fruto de vários fatores, que não são alterados com o mero estabelecimento de pisos.

"Algumas dessas matérias, se forem aprovadas, posso com convicção dizer que elas vão gerar uma quebradeira em Estados e municípios, vai gerar impacto para todo o País, não é só governo federal. E colapsar um município significa colapsar os serviços essenciais para a população", prosseguiu. E finalizou lembrando que às vésperas do período eleitoral se deve ter ainda mais cautela e serenidade em medidas de caráter estrutural.