Além da posse de celular, caiu também o uso de internet por esta por crianças e adolescentes entre 10 e 13 anosFabio Rodrigues-Pozzebom/Agência

O número de brasileiros que têm um celular segue aumentando no País de forma generalizada e já alcança praticamente 90% da população. Mas há uma exceção: crianças de 10 a 13 anos são o único grupo etário a registrar queda no indicador. Da mesma forma, é também a única faixa etária a registrar queda no acesso às redes sociais.
Os novos dados estão na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal, divulgados nesta quinta-feira, 2, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre 2024 e 2025, a parcela de crianças nessa faixa etária que possuíam celular para uso pessoal caiu de 56,7% para 55,2%. Com isso, esse grupo continua sendo o que apresenta a menor proporção de pessoas com aparelho entre todas as faixas etárias
Além da posse de celular, caiu também o uso de internet por esta faixa etária. Este grupo também foi o único a apresentar queda no acesso à rede, passando de 84,9% em 2024 para 84,4% em 2025. Os principais motivos alegados para as crianças não acessarem a rede são falta de necessidade (33,8%) e a preocupação com privacidade ou segurança (30,3%).
"A gente vê cada vez mais uma discussão, uma preocupação com a segurança das crianças e com a exposição delas, por exemplo, às redes sociais", afirmou o analista do IBGE Gustavo Fontes, que apresentou os novos dados. "Desde 2025 a gente vê uma restrição ao uso de celulares nas escolas e uma discussão intensa sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, o ECA Digital, que neste ano entrou em vigor. Então, isso tudo pode estar influenciando."
Os idosos, por sua vez, foram os que mais ampliaram a posse de celular no último ano. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, a porcentagem de proprietários do aparelho aumentou 2 pontos porcentuais, o maior crescimento entre os grupos analisados, passando de 78,3% em 2024 para 80,3% em 2025.