Pacote reúne medidas que somam pouco mais de R$ 2,3 bilhõesDragos Condrea / Magnific
A iniciativa, de acordo com o governo, tem o objetivo de reduzir a dependência tecnológica do Brasil do exterior e viabilizar a capacidade de processamento nacional, viabilizando pesquisas científicas e atendendo o setor produtivo. O pacote reúne medidas que somam pouco mais de R$ 2,3 bilhões.
O governo tem falado em seus discursos sobre a importância de reduzir a dependência de países desenvolvidos em relação à tecnologia.
Supercomputador
O edital para a compra do supercomputador prevê o investimento de R$ 1 bilhão para adquirir o equipamento que fique entre os dez maiores do mundo em capacidade de processamento de IA. A máquina terá capacidade de 7,2 mil petaflops, o que significa que poderá fazer cerca de 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo.
O supercomputador será instalado no Rio Grande do Norte (RN), onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, faz visita nesta quinta-feira, 20. Uma das justificativas para alocar a tecnologia no Estado é a capacidade energética disponível.
O supercomputador poderá ser utilizado pelo governo, por universidades, por empresas. E um comitê de governança definirá critérios de seleção de projetos a serem priorizados.
Nuvem brasileira
Os anúncios incluem a estruturação da "Nuvem Brasileira" para armazenar dados em tecnologia nacional. Segundo o governo, o sistema funcionaria por meio de uma parceria entre o setor público e privado. O projeto ainda é inicial e começará com uma escuta ao mercado para avaliar a capacidade técnica da indústria nacional de oferecer opções.
A ideia é criar um software brasileiro em parceria com empresas nacionais para preservar os dados. A proposta será coordenada pelo Ministério da Gestão e Inovação em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
Desde 2023, o Brasil tem a Nuvem de Governo que armazena dados de órgãos federais em território nacional. Essa nuvem, no entanto, funciona a partir de tecnologia de empresas internacionais, mas que estão fisicamente instaladas em locais controlados pelo Estado Brasileiro, com gestão feita por órgãos nacionais. No caso da Nuvem Brasileira, o software desenvolvido também seria nacional.
Parceria com a China
O plano do governo inclui ainda a instalação de outro supercomputador no Rio de Janeiro. Essa infraestrutura será tocada em parceria com as empresas chinesas Huawei e iFlytek a partir de julho de 2027 e custará R$ 1,2 bilhão durante cinco anos.
A proposta é que esse polo seja utilizado para desenvolvimento de linguagem de inteligência artificial em português. A previsão do governo é formar três mil profissionais nesse período. O governo estaria aberto a parcerias com outros países, sobretudo na América Latina.
Outras medidas
O Brasil quer impulsionar a fabricação de chips de arquitetura aberta, chamados "RISC-V". Esse formato permite a criação de chips que não necessitam de pagamento de taxa de licença, sendo gratuitos. A medida será desenvolvida em parceria com a Espanha e prevê investimentos de cerca de R$ 125 milhões em quatro anos
O pacote do governo inclui ainda a criação de um Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O centro funcionaria para desenvolver pesquisas e insumos acerca de padrões de segurança para uso dessa tecnologia no País. Estão previstos investimentos de cerca de R$ 50 milhões em dois anos.
Conforme o governo, não há previsão de que esse centro faça qualquer tipo de ingerência sobre grandes plataformas. Inicialmente, trata-se de um centro de pesquisas para identificar as melhores práticas relacionadas à inteligência artificial e acompanhar a ampliação do uso de IA no Brasil.