Tarcísio e Flávio tiveram agenda conjunta em São Carlos, no interior paulista, nesta sexta-feiraRedes sociais / Reprodução
"Ele se equivocou. Queria proteger um amigo, em vez de proteger a instituição. Está perdendo uma grande oportunidade de resgatar a credibilidade não só do Senado, mas também de devolver o Supremo ao povo", declarou a jornalistas, durante visita a São Carlos, no interior de São Paulo.
Flávio disse que Alcolumbre estaria mais preocupado com a própria "autoproteção" do que com a defesa das instituições.
"Alcolumbre está muito preocupado, assim como o Alexandre de Moraes, com a sua autoproteção. Lamento que ele tenha feito uma reunião longa com Moraes, pouco antes do plenário, em que parece que foi combinado alguma coisa com o Flávio Dino para tomar algumas ações ilegais contra mim", falou, citando o também ministro Flávio Dino, a quem também critica com frequência.
O senador afirmou que fará uma "defesa intransigente" do STF e voltou a defender a abertura do processo de impeachment contra Moraes.
"Se a democracia chegou tão esculhambada a esse ponto, é por que o Senado não teve oportunidade de apreciar um dos 54 impeachments que existem na Mesa, especificamente sobre o Alexandre de Moraes", disse.
Nesta semana, Alcolumbre usou as sessões do Senado para criticar as pressões que tem recebido para autorizar a abertura de um processo de impeachment contra o magistrado.
"Há muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, num momento adequado, vou falar. Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para fazer um filme. E agora o culpado sou eu, o ministro Alexandre de Moraes", disse Alcolumbre, durante sessão do Senado na quarta-feira, 2.
Na ocasião, Alcolumbre não citou nomes. No dia do ocorrido (2), questionado sobre a quem direcionava a fala, ele respondeu: "Vocês sabem".
O valor de R$ 130 milhões refere-se a uma quantia negociada por Flávio com Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, que pretende contar a trajetória da eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
Flávio Bolsonaro tem defendido o fim da reeleição, o que foi lido entre aliados como um aceno a Tarcísio e a outros apoiadores à direita por abrir caminho para novos nomes em 2030
O governador de São Paulo vinha sendo apontado por setores do mercado financeiro e do Centrão como um dos principais nomes para disputar a Presidência neste ano. O ex-presidente Jair Bolsonaro, porém, decidiu apoiar a candidatura do filho mais velho, Flávio Bolsonaro.
Após o afago, o candidato do PL afirmou que Tarcísio deverá ser reeleito no primeiro turno e elogiou sua atuação à frente do governo paulista e como ministro. Tanto o governador quanto o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), são tidos como os principais cabos eleitorais de Flávio no Estado.
A agenda em São Carlos é a terceira cumprida em conjunto desde o início da campanha. Eles visitaram o Onovolab, centro de inovação e empreendedorismo do município, e, em seguida, o Mercado Municipal da cidade.
Os dois já haviam participado juntos do Festival do Peão de Barretos, no interior paulista, em 22 de agosto, e de um almoço com aliados políticos e jornalistas na zona leste da capital, no dia 20.