Delegada Flávia Monteiro de BarrosRede social
A operação, iniciada em maio, já contabiliza mais de 800 celulares recuperados em todo o estado e mais de 50 pessoas presas por envolvimento com a rede criminosa que atua na revenda de aparelhos oriundos de crime. Em Búzios, a delegacia tem atuado ativamente na identificação dos aparelhos e de seus usuários.
Durante a entrevista, a delegada destacou um caso que exemplifica os riscos da compra de aparelhos sem procedência garantida: uma amiga sua adquiriu um celular de “um amigo de um amigo” e, pouco tempo depois, recebeu uma mensagem informando que o dispositivo era produto de roubo. “Mesmo sem saber da origem ilícita, ela foi surpreendida pela notificação. Isso mostra como qualquer pessoa pode ser envolvida em uma situação delicada por não verificar a procedência da compra”, comentou Flávia.
A delegada reforçou que a entrega voluntária dos celulares identificados como roubados ou furtados tem evitado a responsabilização criminal dos atuais usuários. As intimações estão sendo enviadas por números oficiais das delegacias, via WhatsApp, e o cidadão tem até 72 horas para comparecer à unidade e realizar a devolução do equipamento. Após perícia, os aparelhos são devolvidos aos donos originais, muitos dos quais ainda estão pagando por eles.
A ação visa não apenas recuperar os bens, mas também contribuir com o ressarcimento das vítimas. “É fundamental lembrar que, além de perderem o aparelho, essas pessoas muitas vezes continuam arcando com parcelas de um produto que não possuem mais”, pontuou.
O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, já havia destacado que a receptação alimenta a cadeia criminosa que envolve os crimes patrimoniais. Ele alertou para os riscos de comprar celulares muito abaixo do preço de mercado, sobretudo sem nota fiscal ou garantia. “É essencial que o consumidor adote uma postura consciente e evite comprar celulares de procedência duvidosa”, afirmou Curi.
A Polícia Civil ressalta que adquirir aparelhos sem comprovação de origem pode configurar crime de receptação, conforme o artigo 180 do Código Penal. Quem colabora com a entrega voluntária, no entanto, evita responder judicialmente.
A orientação é clara: sempre comprar celulares em lojas confiáveis, com emissão de nota fiscal, e desconfiar de ofertas muito vantajosas. A Operação Rastreio segue em andamento, com expectativa de novas apreensões e prisões nos próximos meses.

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