População em situação de rua Ascom
MPRJ recomenda série de ações para proteção da população em situação de rua em Cabo Frio
Recomendação foi motivada por inspeções que constataram superlotação, falhas na infraestrutura e práticas irregulares na Casa de Passagem; município tem 30 dias para apresentar medidas
Cabo Frio - O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Cabo Frio, expediu, na sexta-feira (30), uma Recomendação ao Município de Cabo Frio para a adoção de diversas medidas voltadas à garantia da dignidade, proteção e atendimento adequado à população em situação de rua.
A medida foi tomada com base em inspeções realizadas, denúncias recebidas e nas determinações do Supremo Tribunal Federal (STF), estabelecidas na decisão liminar da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 976. Durante as inspeções, o MPRJ constatou graves deficiências na Casa de Passagem do município, incluindo superlotação, condições precárias de higiene, falta de equipe técnica adequada e falhas na oferta de alimentação.
O órgão também apurou relatos de práticas irregulares, como remoções forçadas e o transporte de pessoas em situação de rua para outros municípios sem a devida articulação prévia, condutas expressamente vedadas pela decisão do STF.
Entre as medidas recomendadas pelo MPRJ, está a elaboração urgente de um Plano Municipal para a População em Situação de Rua, com participação da sociedade civil, e a criação de um Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP) no prazo de até 60 dias, conforme determina o Decreto Federal nº 7.053/2009.
Além disso, o Ministério Público orientou que o município promova a requalificação da Casa de Passagem, garantindo melhorias na infraestrutura e recomposição do quadro de profissionais. Também foram recomendadas ações como a disponibilização de itens de higiene, banheiros públicos, lavanderias sociais e a criação de bagageiros para guarda de pertences.
O MPRJ sugere ainda a realização de mutirões para emissão de documentos e inclusão dessa população em políticas públicas, a criação de um programa municipal de enfrentamento à violência contra pessoas em situação de rua e a destinação de orçamento específico para financiamento dessas políticas.
O Município de Cabo Frio terá o prazo de 30 dias para informar ao Ministério Público sobre as medidas preventivas adotadas.
Em nota, a Prefeitura de Cabo Frio informou que está apurando o caso.

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