Marcelo Fonseca explica que proposta é tornar o interior também um espaço de exibição e celebração da arte Foto @estudiofase/Divulgação

Cambuci – A Praça Matriz de Cambuci, na região noroeste do estado do Rio de Janeiro, será transformada em sala de cinema ao ar livre, sábado (22) e domingo (23), por conta do 1º Festival Territorial de Cinema Itinerante, realizado pela Outrar Produções. As sessões, a partir das 19h, terão dez filmes independentes.
Os trabalhos, executados no norte/noroeste fluminense, foram selecionados por edital; estarão concorrendo a R$ 14 mil em prêmios. Segundo o diretor de produção, Marcelo Fonseca, a entrada será gratuita, em uma estrutura completa, incluindo telão de 10 metros e cadeiras confortáveis, além da liberação de pipoca.
Fonseca resume que o festival caracteriza uma experiência do cinema sob as estrelas, constando ainda da programação painéis e debates com cineastas e especialistas. Ele argumenta que o evento se torna uma ação de reparação e estímulo à cadeia produtiva do audiovisual no interior fluminense.
“A iniciativa quer se consolidar como parte da rota fluminense de festivais, tornando o interior não apenas um espaço de produção, mas também de exibição e celebração da arte”, pontua o diretor assinalando que o edital de seleção dos filmes foi voltado exclusivamente a propostas financiadas pela Lei Paulo Gustavo.
O município não possui salas de cinema. Na opinião de Fonseca, o foco em filmagens executadas nas regiões norte e noroeste fortalecem a representatividade territorial do festival. A premiação será dividida em quatro categorias: primeiro lugar (R$ 5 mil); segundo (R$ 4 mil); terceiro (R$ 3 mil); e Júri Popular (R$ 2 mil).
PROMOVER O INTERIOR - A proposta é incentivar a formação cultural e o diálogo entre artistas e comunidade local: “Queremos que o cinema chegue a quem nunca teve a chance de assistir a um filme numa praça da sua cidade. Que o público se reconheça na tela e os artistas locais tenham a visibilidade que merecem”, realça o diretor ressaltando que os filmes também serão exibidos nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro.
A sequência visa marcar a chegada do festival à capital do estado e ampliar o alcance das produções interioranas: “A proposta é promover o encontro entre o interior e a capital, levando as produções das regiões mais distantes para o centro do estado e, ao mesmo tempo, devolvendo visibilidade e pertencimento aos artistas locais”, ratifica Fonseca.
De acordo com o diretor, a escolha por Cambuci (com cerca de 14n mil habitantes) para abrir a circulação do festival, expressa o desejo do projeto de levar o audiovisual a territórios historicamente afastados dos grandes circuitos culturais: “Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, a região está entre as que menos acessaram recursos da Lei Paulo Gustavo”.