Jogadores da Espanha comemoram o título da Copa do MundoWilliam Volcov / Parceiro / Agência O Dia
Futebol: esporte coletivo.
Lembro para não esquecer o óbvio. Porque, por mais que se exalte talentos individuais, não há vitória com apenas um jogador. O coletivo, por definição, é a soma de pessoas que, unidas por um objetivo comum, compartilham responsabilidades transformam suas diferenças em força. Em campo, o "eu" se curva diante do "nós". Algo que a Seleção Brasileira parece ter deixado em segundo plano nos últimos anos.
Campeã da Copa do Mundo de 2026, a seleção da Espanha ofereceu ao planeta uma verdadeira aula de coletividade. Não foi apenas um time de grandes jogadores, mas uma equipe que fez do conjunto a sua principal estrela. Cada jogador compreendia seu papel no time. E todos pareciam convencidos de que o sucesso individual só teria sentido se estivesse a serviço do grupo.
A Espanha lembrou ao mundo uma velha lição do futebol e da própria vida: quando o coletivo funciona, o impossível se torna apenas uma questão de tempo.
A lição deixada pela Espanha ultrapassa as quatro linhas do campo e nos leva a uma reflexão necessária sobre a importância do trabalho coletivo na gestão pública. Governar, em essência, é um exercício de construção conjunta. Nenhum prefeito, governador ou presidente consegue transformar a realidade de uma cidade, de um estado ou de um país agindo de forma isolada. As grandes conquistas administrativas surgem quando diferentes setores do governo dialogam, abrindo mão de interesse individuais em nome de objetivos maiores.
O mesmo raciocínio vale para a política. E é importante citá-la em sua definição clássica: “a arte do bem comum”. Em determinados momentos, a maturidade política exige que divergências ideológicas sejam colocadas em segundo plano em nome de uma causa maior. Quando parlamentares de um mesmo estado se unem em defesa de um tema de interesse coletivo, independentemente de sua bandeira partidária, quem sai fortalecida é a população.
Nem sempre é o que se vê. Falo particularmente sobre o estado do Rio de Janeiro, cuja bancada na Câmara dos Deputados raramente se une em defesa de interesses maiores. Há pautas de sobra na mesa que exigem a união suprapartidária, como a defesa dos royalties do petróleo para os estados e municípios produtores, o destravamento de projetos logísticos e o reconhecimento do norte do estado como uma região semiárida. Só para citar algumas questões nas quais, até agora, houve pouco envolvimento da bancada fluminense.
A luta por projetos que impulsionem o desenvolvimento do estado não pertence à esquerda, ao centro ou à direita. Pertence ao povo. E é justamente nesses momentos que a política revela sua melhor versão: quando compreende que existem pautas que transcendem disputas eleitorais e exigem compromisso com o tal bem comum.
Talvez seja essa a principal mensagem deixada pelos campeões espanhóis: grandes vitórias não são fruto de individualidades isoladas, mas da capacidade de construir um projeto coletivo. No futebol, na gestão pública e na política, os resultados mais duradouros surgem quando o "nós" se torna mais importante do que o "eu". Afinal, equipes podem ganhar partidas; mas é a coletividade que constrói legados. Nas palavras do compositor Beto Guedes: um e um é sempre mais que dois.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.