A integrou o elenco do canal por cerca de quatro décadasReprodução/Instagram

A atriz Maria Zilda Bethlem, figura carimbada em produções da TV Globo entre os anos 1970 e 2010, entrou com um processo judicial contra o canal dos Marinho recentemente. A artista questiona os valores pagos pelas reprises das novelas em que atuou. A disputa ganhou força após a emissora responder à ação, alegando que a ex-contratada estaria tentando "enriquecer ilicitamente" e que a iniciativa "beira a má-fé".
De acordo com os autos do processo, Maria Zilda aponta que as quantias pagas pelas reprises e comercialização de obras em canais pagos e serviços de streaming, como o Globoplay, seriam baixas. Ela também afirma que os direitos de exibição teriam sido cedidos a terceiros sem seu consentimento. Em resposta, o canal argumenta que os documentos anexados à ação demonstram que havia um acordo prévio autorizando reexibições, transmissões e licenciamento, sem restrições.
A emissora ainda apresentou comprovantes à Justiça que mostram o repasse de R$ 218 mil à atriz entre os anos de 2018 e 2024. A veterana, no entanto, contesta, afirmando que os valores não refletem de forma justa a utilização de seus trabalhos em canais como o Viva e em plataformas digitais. Durante uma live realizada em 2020, ela chegou a declarar: "Sabe quanto eles me pagaram por toda a novela 'Selva de Pedra'? Faço questão de dizer: R$ 237,40".
Bethlem também sustenta que, enquanto esteve na empresa, por mais de 40 anos, não havia uma regulamentação precisa sobre os pagamentos por reprises, o que, segundo ela, compromete o cálculo de seus pagamentos. O caso pode abrir precedentes e impulsionar outras ações semelhantes, uma vez que artistas como Mateus Solano, Nívea Stelmann, Sergio Marone, Tuca Andrada e Sônia Braga já se pronunciaram sobre essa questão.
A TV Globo, por sua vez, informou que sempre disponibilizou os documentos e recibos relacionados aos pagamentos feitos à Maria Zilda, mesmo sem uma solicitação judicial formal. A empresa também negou ter repassado os direitos das produções a terceiros sem autorização, frisando que os contratos preveem exibições e licenciamentos sem qualquer tipo de restrição.