Gastão Reisdivulgação
O Império Romano deixou marcas profundas no Ocidente, não só em termos de língua, as chamadas latinas, e mesmo no inglês e no alemão, cujo percentual de palavras de origem latina é respectivamente de 80% e 50%. Foi também notável sua influência na arquitetura e na engenharia, com os aquedutos, pontes e estradas, inclusive nas práticas e divulgação de culturas agrícolas desconhecidas em várias partes conquistadas do Império. Na política, nos primeiros 500 anos do milênio que durou, legou-nos ainda a tradição oriunda dos gregos da democracia com a criação de instituições como o Tribuno da Plebe e as assembleias populares, que permitiam a participação dos cidadãos em votações e criação de leis.
Em meados dos últimos 500 anos do Império, surgiu a política do Pão e Circo (Panem et Circenses), em que a população, alimentada, ia se divertir, também gratuitamente, no Coliseu. Era um imenso anfiteatro em que pobres e ricos patrícios iam assistir aos jogos e às lutas entre gladiadores. Como a diversão permanente tem custo, a referida política acabou sendo insustentável, levando de roldão o próprio Império Romano.
O quadro acima tem a cara do atual Patropi com o governo federal (Lula e PT), buscando dar pão e circo ao povo, em que abundam benefícios de toda espécie. Mas a conta acaba indo parar no bolso da própria população. Não é o Chacrinha, mas o Lula tentando comandar a massa na compra de votos. Tais situações já foram bem identificadas por cientistas políticos e economistas. E não acabam nada bem.
Uma máxima popularizada pelo economista Milton Friedman, Nobel de Economia e professor do Departamento de Economia da Universidade de Chicago, era repetida aos alunos recém-chegados: “Não existe almoço grátis!”. O cerne da mensagem é que alguém paga a conta. A curto prazo, pode parecer que vai tudo às mil maravilhas, mas a longo prazo a conta acaba chegando. E costuma ser bem maior do que os benefícios “grátis” recebidos.
O caso da Argentina é mais que ilustrativo. Perón ficou no poder, no primeiro período com reeleição, de 1946 a 1955. Foi uma festa com toda espécie de benefícios para o povo argentino até que a pesada conta chegou. A Argentina, no início do século XX, ostentava uma renda per capita entre as maiores do mundo. O País soube investir e multiplicar a riqueza nacional. Tinha caixa para financiar um longo período de festas. Perón acabou deposto por um golpe militar em 1955. E viveu um longo exílio dourado na Espanha com muito dinheiro público (dólares) no bolso. Posteriormente, voltou a ser presidente de 1973 a 1974. Ou seja, o populismo peronista perdurou, levando o País ladeira abaixo por mais de meio século.
Não obstante, o ranço peronista parece persistir. Pesquisa recente revelou que a imagem de Javier Milei não vai nada bem junto à população argentina: negativa para quase dois terços (63,2º%) e positiva para pouco mais de um terço (36%). Como os peronistas continuam a ser um força política no País, a recaída no populismo não seria surpreendente. Sem dúvida, é muito difícil convencer qualquer população a fazer sacrifícios. Mas fatos são fatos. Quanto maior tiver sido o desvio de rota, mais elevado será o custo de recolocar o País nos eixos novamente. E não vai ser da noite para o dia.
O caso brasileiro não é exatamente igual ao argentino. Mas, desde a década de 1980 que o Patropi vem subinvestindo em maior ou menor grau, com este último levando a melhor. É imperioso cortar gastos públicos para abrir espaço ao investimento. Feito isto, a taxa de juros (Selic) tenderá a cair, impulsionando não só o investimento público como também o privado. E ainda tem a vantagem de tornar o setor público mais eficaz (ao fazer a coisa certa) e eficiente (fazendo corretamente o que precisa ser feito)
Peter Drucker sempre alertava quanto a fazer a coisa certa, ou seja, o que precisa ser feito e não o que o presidente Lula deseja fazer, que é gastar a rodo. A última palavra de ordem no Palácio do Planalto é a conquista da classe média, onde o PT, historicamente, tem dificuldade de fincar o pé. Para Lula, o segredo é ir na linha do que Perón fez de dar mais e mais ao povo, como se tal estratégia pudesse ser usada e abusada ad infinitum. Foi assim que a Argentina se perdeu com Perón.
Peter Drucker sempre alertava quanto a fazer a coisa certa, ou seja, o que precisa ser feito e não o que o presidente Lula deseja fazer, que é gastar a rodo. A última palavra de ordem no Palácio do Planalto é a conquista da classe média, onde o PT, historicamente, tem dificuldade de fincar o pé. Para Lula, o segredo é ir na linha do que Perón fez de dar mais e mais ao povo, como se tal estratégia pudesse ser usada e abusada ad infinitum. Foi assim que a Argentina se perdeu com Perón.
O que pode haver de positivo pela frente é a posição da classe média no sentido de não aceitar cair nesse conhecido conto do vigário. Existem duas razões de peso para apostar nessa direção. A primeira delas é que a classe média obviamente tem dificuldades, mas não chega a ser aquela situação desesperadora. A segunda tem a ver com o fato de Lula ter perdido a eleição nas quatro das cinco grandes regiões geográficas do País. Só garantiu a eleição com a vitória obtida nos estados do Nordeste.
Se dividirmos o Brasil levando em conta o peso percentual da classe média em cada uma das cinco grandes regiões geográficas, fica evidente sua presença maior nas outras quatro regiões que não a nordestina. Daí a preocupação de Lula em conquistá-la. Mas é pouco provável que o grau de rejeição tenha diminuído nas referidas regiões, mesmo com Lula acenando com benesses, que têm perna curta, como boa parte da classe média sabe.
O que vem pela frente vai depender do grau de amadurecimento político da classe média brasileira. Ela sabe dos malefícios que o populismo acaba causando, em especial a médio e longo prazos. Se tal visão prevalecer, é muito provável que Lula não venha a conquistar um quarto mandato. Se a classe média embarcar no sonho de uma noite de verão, como diria Shakespeare, o futuro será sombrio.
Na verdade, não está em jogo apenas a questão da reeleição de Lula. Há algo mais grave e importante no ar: o futuro do País. Se for na direção correta, deverá eleger um presidente de direita cuja missão maior será a de livrar o país do subinvestimento, abrindo as portas para a elevação significativa do volume de investimentos, gerando empregos e renda, de modo a pôr fim na marcha lenta que nos trava desde a década de 1980. A conferir nas eleições de 2026.
Nota: Digite no Google “Gastão Reis: Economia Esquizofrênica”, ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=_jqMlxDReBA
E-mail: gastaoreis2@gmail.com
Nota: Digite no Google “Gastão Reis: Economia Esquizofrênica”, ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=_jqMlxDReBA
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