Gastão ReisGastão Reis
É evidente a preocupação de Lula com sua reeleição, em especial quando sua rejeição já superou os 50 % pelas últimas pesquisas. Segundo ele e sua (medíocre) equipe, é que os feitos de seus governo não estão sendo bem divulgados. Mas ele se esquece dos malfeitos, bem expostos até por aquela parte da grande mídia que inicialmente lhe foi favorável. Canais de TV bem mais profissionais e informativos vêm fornecendo dados e análises, na linha do jornalismo investigativo, do lado oculto da lua de Lula e PT, que ambos querem manter na obscuridade.
Desde 2025, Lula montou um vergonhoso esquema de compra de votos que o STF fez questão de ignorar. Distribuiu benesses a mãos cheias com bolsas de todo tipo, isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais por mês, y muchas otras cositas más. Imagine, caro(a) leitor(a), se essa prodigalidade com dinheiro público fosse feita por Messias Bolsonaro. Lula, de início, já se sentia ameaçado pelas redes sociais. Tentou mesmo regulamentá-las sem êxito. Felizmente, a maioria no Congresso não deu corda ao seu lado ditatorial, irmanado que é na defesa de grandes ditaduras.
Examinemos, agora, o lado qualitativo de seu governo. Cercou-se de uma equipe incompetente do tipo que acerta duas no casco do cavalo e uma no pino da ferradura. Mas o lado mais sério é a visão de gastança que vem marcando seu (des)governo. Nada de corte de gastos. Os deficits anuais, desde 2023 até 2025, batem acima do trilhão de reais. A dívida pública encerrou 2025 na casa dos 10 trilhões, ou seja, 78,7% do PIB, tendo partido de um patamar inicial de 71%. As estatais, sob a batuta do PT, estão todas no vermelho, em especial os Correios com rombos bilionários.
Uma dona de casa sabe que quem gasta muito poupa pouco. Dito de outra maneira, tem baixa capacidade de investir. A bem da verdade, Lula tentou investir, mas não foi muito além dos 3% do PIB, que já foi de 10% em época áurea. Somando ao público o investimento privado, o total fica em torno de 17 ou 18%, que é uma taxa de investimento insuficiente, levando em conta que deveria ser de pelo menos 25% pra não perder posição relativa face a outros países. E mesmo ir além, coisa de que o país precisa para superar a rotineira marcha lenta, já de décadas.
Para piorar o quadro, os poderes Legislativo e Judiciário estão longe de controlar suas contas. A Câmara Federal tentou ter licença para gastar sem prestar contas para onde o dinheiro estaria indo. Não conseguiu. Mas o intento era esse mesmo. Os salários do Judiciário extrapolaram o limite constitucional de R$ 46.366,19, que é a remuneração mensal dos ministros do STF. E chega mesmo ao dobro ou ao triplo, quando não vai além. E isso sem mencionar a corrupção de juízes que, quando constatada, recebem como “punição” a posentadroia antecipada. Só recentemente é que o STF resolveu reexaminar a questão obviamente absurda. Foi, por muito tempo, um incentivo à corrupção!
O Brasil tem hoje o maior contingente no mundo de 53 mil servidores públicos pagos acima do teto constitucional. Em 12 meses, a despesa bateu na casa dos R$ 20 bilhões. Fica acima dos EUA, da França, da Itália, do Reino Unido e países da América Latina. Trata-se de um país que vem trabalhando, sem se vexar, para manter a desigualdade social. E tudo isso apoiado em vergonhosas verbas indenizatórias que configuram a triste situação de ser legal mas imoral, evidenciando assim profundo desrespeito pelo dinheiro público.
Passemos agora à questão da democracia capenga. Uma democracia funcional atende a dois requistos básicos. O primeiro é de eleições livres dentro de um arcabouço político-partidário que garanta o princípio de um homem-um voto. O segundo é o de dispor de mecanismos legais de vigilância e punição de seus representantes pelos representados. Ora, uma democracia que não atende a nenhum desses dois princípios elementares merece o capenga.
O simples direito de ir às urnas para votar não significa que o eleitor está no comando do processo político-partidário. O Brasil pára por aqui. O princípio de um homem-um voto não é obedecido. É fato notório que um deputado federal por Roraima pode ser eleito com cerca de 20 mil votos ao passo que o de São Paulo precisa mais de cem mil. Até hoje, uma herança do regime militar. Logo, o eleitor de São Paulo e do Sudeste está subrepresentado.
O segundo requisito, sempre presente nas grandes democracias modernas, garante ao representado instrumentos de controle efetivo de seu representante entre as eleições. Para tanto, estão equipadas com dois instruumentos que tornam possível o referido controle: voto distrital puro, ou algo equivalente, e do recall, que a possibilidade de o eleitor trocar seu representante quando ele deixa a desejar entre as eleições. O Brasil também não atende a esse requisito.
Conclusão: vivemos num clima de descrença em relação a políticos e a partidos políticos. O eleitor acaba sendo enganado por uma democracia de fa-chada justamente por não ter controle sobre seu representante nos parlmentos municipais, estaduais e federais. Ele se sente impotente diante dos abusos e da corrupção à solta que trata dinheiro público como propriedade particular. E, em boa medida, desconhece a existência desses mecanismos de controle.
Mas, ao longo de nossa História, o curioso dessa esquizofrenia político-institucional é que nem sempre foi assim. Houve uma involução nesse plano. Até 1889, o Brasil atendia aos requisitos supramencionados em seu arcabouço político-institucional. Tínhamos o voto distrital puro e o poder moderador. O primeiro conferia ao eleitor a visita regular de seu representanta ao seu distrito eleitoral para prestar contas de seu mandato. O segundo era um poderoso instrumento de defesa do bem comum contra eventuais desmandos dos políticos e respectivos partidos. E foi sempre usado para esse fim.
Até quando vamos aceitar Lula, PT e a nossa democracia capenga?
Nota: No Google, “Dois minutos com Gastão Reis: Corrupção: Já foi muitto diferente”. Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=Oos9-rQIQzc
E-mail: gastaoreis2@gmail.com
Nota: No Google, “Dois minutos com Gastão Reis: Corrupção: Já foi muitto diferente”. Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=Oos9-rQIQzc
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Gastão Reis é economista e palestrante

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