Gastão ReisArte Gerada por IA

Winston Churchill, em seu famoso discurso de elogio à RAF (Royal Air Force) na época da Segunda Guerra Mundial, disse uma das frases mais célebres de sua vida: “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”. E, de fato, os pilotos britânicos conseguiram a proeza de derrubar cinco aviões nazistas para cada avião inglês abatido. A importância do feito pode ser medida pelo fato de a Alemanha ter construído uma grande força aérea moderna e bem equipada para ataques em massa a Londres e a outras cidades inglesas.

No caso de Lula, podemos parafrasear Churchill, afirmando o seguinte: “Nunca, numa campanha eleitoral à presidência, tanto dinheiro público foi gasto por um candidato na tentativa de comprar votos”. A técnica de Lula tem sido distribuir inúmeras benesses a eleitores na tentativa de se reeleger neste ano de 2026, inclusive lançando mão do polpudo fundo eleitoral do PT. Na dúvida, basta comparar os gastos de campanha de Lula com os dos demais candidatos, que obviamente não dispunham de verbas públicas nessa proporção para oferecer vantagens. Ele chegou mesmo a propor zerar a dívida de mais de 3,6 milhões de MEIs (Microempreendedores Individuais), com a promessa adicional de um bônus de 5 mil reais para cada um.

Críticos e oposição denunciam as medidas socioeconômicas de Lula como eleitoreiras. O levantamento feito pelo Broadcast do jornal O Estado de S. Paulo nos informa que os valores somam cerca de R$ 328 bilhões, ou até R$ 411 bilhões, em estimativas mais abrangentes. O Bolsa Família teve um reajuste do piso e de 15% em algumas faixas às vésperas do pleito deste ano; a retirada de impostos federais dos combustíveis só vale até o início de novembro, evidenciando seu caráter emergencial e focado nas urnas; somam-se a isso o Desenrola (versão 3.0) e créditos e subvenções para caminhoneiros e estudantes, dentre outros auxílios que vão pesar no bolso da população em geral, que paga impostos e sofre os efeitos de mais inflação.

Lula e o PT, apoiados em certos institutos de pesquisa, acreditaram piamente que estavam na dianteira das intenções de voto. Esperavam mesmo que Lula venceria Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mas deram com os burros n’água. Houve, sim, uma expressiva diferença de 2 milhões de votos a mais para Flávio Bolsonaro, que ainda se saiu vencedor em Minas Gerais, estado sempre visto como prévia de quem será o eleito. Tais indicadores foram um banho de água fria para lulistas e petistas de carteirinha.

Lula, em discurso de campanha, chegou a dizer que agradecia de joelhos os quase 54 milhões de votos recebidos no primeiro turno, mas alegou que foi traído por certos eleitores, como se fosse óbvio que seria o melhor candidato a ser sufragado. Na verdade, uma grande parte dos eleitores se recusou a vender seu voto a Lula na enxurrada de suas medidas econômicas para tentar garantir um quarto mandato. Preferiram dar um enfático NÃO à corrupção, às mentiras de sempre e à falta de caráter de quem está por trás dessa tentativa de comprar o eleitorado com a leniência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Além disso, os eleitores e as eleitoras, estas em especial, sentiram o duro golpe da inflação dos gêneros alimentícios, que bateu forte nos orçamentos domésticos. Perceberam que, de um modo geral, os produtos encolheram em termos de quantidade. Reduções de um quilo para 900 gramas, e até 800 gramas, estão visíveis nas prateleiras dos supermercados, ou seja, inflação disfarçada. Saltou aos olhos que o País encolheu até mesmo moralmente para se igualar, pelo jeito, a certos governantes e partidos focados no próprio umbigo.

Não obstante, certa jornalista de economia em jornal de circulação nacional conseguiu afirmar que Flávio Bolsonaro não diz coisa com coisa em economia, como se Lula não tivesse feito pior ao desafiar as leis de mercado com os piores resultados para a população de menor poder aquisitivo — aquela que sabe muito bem por que não votar no petista no segundo turno. Não é traição, como disse Lula, trata-se de não aceitar seu conto do vigário. Ele teve quase quatro anos e preferiu seguir o rumo errado.

Apesar da queda de nosso QI médio nos últimos anos, esse triste fato não afetou o nosso bom senso, que é a capacidade de julgar, decidir e agir de modo equilibrado e prudente diante de situações do cotidiano. Por outro lado, Lula e o PT não perceberam os avanços do Espírito Empreendedor da população brasileira. Trocado em miúdos, isto significa um fenômeno oposto à zona de conforto das benesses em que o governo apostou para se manter no poder.

O quadro atual revela um país que, via redes sociais, avançou em suas exigências de uma boa gestão, ao passo que os líderes da esquerda não evoluíram. Ao invés de seguir os exemplos da Suécia e da Noruega, onde existe uma esquerda competente administrativamente falando, preferiram defender ditaduras falidas como Venezuela e Cuba, beneficiadas no passado com empréstimos bilionários do BNDES. É muito significativo o fato de Roraima, que conhece o drama venezuelano de perto, ter dado 73,38% dos votos a Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Pressentiram na carne o que poderia vir a acontecer no Brasil.

Parece persistir na esquerda latino-americana o fantasma de Stálin no que ele tinha de pior: quem é contra mim (rotulado de “traidor” do povo) merece o cadafalso. A dificuldade de reconhecer a alternância de poder como algo fundamental às práticas democráticas levou o grupo governante a estigmatizar a direita, sempre denominada de extrema-direita, como se fosse o fim do mundo. Eles se veem como donos da verdade, os únicos a se preocuparem com os necessitados, e atacam quem discorda com ameaças e pichações.

Felizmente, como afirmava San Thiago Dantas, o povo brasileiro como povo é melhor do que a elite como elite. Só lhe faltou especificar "republicana", no caso da elite. E vale dizer que, como povo, fomos capazes de doses de bom senso e equilíbrio na avaliação dos desmandos do atual governo. Os balanços no vermelho das estatais, dos Correios e a gastança sem limites na atual gestão levaram a população brasileira a não trair o País e a optar pela mudança, ao que tudo indica.
Nota: Digite no Google “Dois Minutos com Gastão Reis: Políticos: Você no comando”. Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=pB8MRrtGRPs
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Gastão Reis é escritor, economista e palestrante