A volta da "Hora do Enem"Foto da Coluna
Depois de 3 anos, de volta à TV Escola! E ainda com Tatiana D’Angello, que, além de ser mantida como uma das principais apresentadoras nesta reinauguração, desenvolve, em paralelo, um significativo trabalho de fomento ao turismo no estado do Rio de Janeiro, inclusive do segmento sustentável.
No campo social, ainda temos muito que avançar nas desigualdades que se perpetuam, principalmente, pela base educacional. As cotas universitárias e a implantação do Enem, sozinhos, não equalizam a disparidade no acesso às melhores instituições, que geralmente são as públicas. Aí vive a grande dicotomia.
Alunos oriundos de escolas públicas dificilmente conseguem passar no concorrido funil do que se convencionou chamar de vestibular. Resta para eles as particulares, cujas mensalidades dificilmente conseguem bancar se não obtiverem algum financiamento ou acumularem créditos a pagar depois.
Já os que tiveram uma trajetória por um ensino privilegiado nas mais caras redes privadas são os que conseguem aprovação nas Faculdades Públicas. E a desigualdade continua após a conclusão do terceiro grau, já que entram no mercado de trabalho com um diploma mais valorizado.
Por isso, a importância do desenvolvimento da mídia educativa. Quanto mais emissoras neste segmento, melhor. Elas não concorrem entre si, mas se complementam para a diminuição das desigualdades. No entanto, são grandes as dificuldades para criar e manter projetos e investimentos em ensino e comunicação pública, num país tão carente nesses segmentos.
Novos conteúdos e antigos desafios
O retorno das emissões da TV Escola vem focado na Hora do Enem, não só pela proximidade do exame, mas pelo histórico de maior audiência do canal. Ainda tem a estreia da série de entrevistas Encontro Marcado, com Francisco Campera. Durante o decorrer de outubro, mês dos docentes, estão previstos reforços na grade de programação, como a estreia do Sala do Professor.
Mas a maior expectativa é com relação ao retorno do histórico Salto para o Futuro. A trajetória desse programa exemplifica a falta de continuidade na linha condutora da comunicação educativa no Brasil. Experimentalmente, começou em 1991 na saudosa TVE do Rio de Janeiro.
No campo social, ainda temos muito que avançar nas desigualdades que se perpetuam, principalmente, pela base educacional. As cotas universitárias e a implantação do Enem, sozinhos, não equalizam a disparidade no acesso às melhores instituições, que geralmente são as públicas. Aí vive a grande dicotomia.
Alunos oriundos de escolas públicas dificilmente conseguem passar no concorrido funil do que se convencionou chamar de vestibular. Resta para eles as particulares, cujas mensalidades dificilmente conseguem bancar se não obtiverem algum financiamento ou acumularem créditos a pagar depois.
Já os que tiveram uma trajetória por um ensino privilegiado nas mais caras redes privadas são os que conseguem aprovação nas Faculdades Públicas. E a desigualdade continua após a conclusão do terceiro grau, já que entram no mercado de trabalho com um diploma mais valorizado.
Por isso, a importância do desenvolvimento da mídia educativa. Quanto mais emissoras neste segmento, melhor. Elas não concorrem entre si, mas se complementam para a diminuição das desigualdades. No entanto, são grandes as dificuldades para criar e manter projetos e investimentos em ensino e comunicação pública, num país tão carente nesses segmentos.
Novos conteúdos e antigos desafios
O retorno das emissões da TV Escola vem focado na Hora do Enem, não só pela proximidade do exame, mas pelo histórico de maior audiência do canal. Ainda tem a estreia da série de entrevistas Encontro Marcado, com Francisco Campera. Durante o decorrer de outubro, mês dos docentes, estão previstos reforços na grade de programação, como a estreia do Sala do Professor.
Mas a maior expectativa é com relação ao retorno do histórico Salto para o Futuro. A trajetória desse programa exemplifica a falta de continuidade na linha condutora da comunicação educativa no Brasil. Experimentalmente, começou em 1991 na saudosa TVE do Rio de Janeiro.
Pouco depois, foi estendido para toda a Rede Nacional formada por estações públicas. Seu auge de abrangência foi quando passou a ser reexibido por praticamente todos os demais canais do país, inclusive a Globo.
E que estava entrando em vigor uma “espécie de cota” para veiculação de, pelo menos, 30 minutos diários de produtos educativos em cada emissora. As empresas privadas não tinham esse tipo de material. Então, encontraram uma brecha para que não precisassem aumentar os custos investindo na criação e produção de seus próprios conteúdos específicos.
A solução “grátis” foi a inclusão deste programa em suas respectivas grades de programação. A determinação era para que fossem veiculados, mas não necessariamente produzissem seus próprios conteúdos educativos.
Um Salto cheio de obstáculos
Para tornar sua trajetória ainda mais tortuosa, veio a extinção da TVE, criada em 1975 pelo mestre Gilson Amado, para dar lugar à TV Brasil. Diga-se de passagem, ainda não conseguiu ter a mesma relevância e qualidade da saudosa emissora carioca.
O “Salto” resistiu a interferências políticas, do empresariado do ensino, da falta de unidade entre os vários órgãos que regulam as diretrizes educacionais nas três diferentes esferas públicas e que se intensificam a cada troca de governos. Conseguiu ainda manter-se diante das mudanças de diretrizes e de seus centros produtores. Da TVE, passou para Fundação Roquette-Pinto, Acerp e a primeira fase da TV Escola.
O programa “saltou”, superando todas essas dificuldades. Sua longa linha do tempo só não resistiu à interrupção das atividades básicas do canal educativo.
Vida longa à comunicação educativa
Que o “Salto para o Futuro” reconquiste seu lugar. Que a TV Escola obtenha financiamentos, parcerias e apoios para que retome o propósito dos mestres Edgard Roquette-Pinto, que inaugurou o rádio no Brasil com a missão educativa, e Gilson Amado, na criação da extinta TV Educativa.
Mais do que recuperar programas e uma emissora, trata-se de preservar uma concepção de comunicação pública que entende a educação como instrumento de transformação social. Em um país marcado por desigualdades de acesso e oportunidades, ampliar a oferta de conteúdo educativo não deveria ser tratado como concorrência entre canais, mas como investimento coletivo.
A retomada da TV Escola e do “Salto para o Futuro” pode representar, portanto, mais do que uma volta ao passado. Pode ser uma oportunidade de reafirmar que educação, comunicação e cidadania precisam caminhar juntas. Afinal, quando um projeto educativo desaparece, não se perde apenas uma programação de televisão: perde-se também parte da memória e da capacidade de democratizar conhecimento.
E que estava entrando em vigor uma “espécie de cota” para veiculação de, pelo menos, 30 minutos diários de produtos educativos em cada emissora. As empresas privadas não tinham esse tipo de material. Então, encontraram uma brecha para que não precisassem aumentar os custos investindo na criação e produção de seus próprios conteúdos específicos.
A solução “grátis” foi a inclusão deste programa em suas respectivas grades de programação. A determinação era para que fossem veiculados, mas não necessariamente produzissem seus próprios conteúdos educativos.
Um Salto cheio de obstáculos
Para tornar sua trajetória ainda mais tortuosa, veio a extinção da TVE, criada em 1975 pelo mestre Gilson Amado, para dar lugar à TV Brasil. Diga-se de passagem, ainda não conseguiu ter a mesma relevância e qualidade da saudosa emissora carioca.
O “Salto” resistiu a interferências políticas, do empresariado do ensino, da falta de unidade entre os vários órgãos que regulam as diretrizes educacionais nas três diferentes esferas públicas e que se intensificam a cada troca de governos. Conseguiu ainda manter-se diante das mudanças de diretrizes e de seus centros produtores. Da TVE, passou para Fundação Roquette-Pinto, Acerp e a primeira fase da TV Escola.
O programa “saltou”, superando todas essas dificuldades. Sua longa linha do tempo só não resistiu à interrupção das atividades básicas do canal educativo.
Vida longa à comunicação educativa
Que o “Salto para o Futuro” reconquiste seu lugar. Que a TV Escola obtenha financiamentos, parcerias e apoios para que retome o propósito dos mestres Edgard Roquette-Pinto, que inaugurou o rádio no Brasil com a missão educativa, e Gilson Amado, na criação da extinta TV Educativa.
Mais do que recuperar programas e uma emissora, trata-se de preservar uma concepção de comunicação pública que entende a educação como instrumento de transformação social. Em um país marcado por desigualdades de acesso e oportunidades, ampliar a oferta de conteúdo educativo não deveria ser tratado como concorrência entre canais, mas como investimento coletivo.
A retomada da TV Escola e do “Salto para o Futuro” pode representar, portanto, mais do que uma volta ao passado. Pode ser uma oportunidade de reafirmar que educação, comunicação e cidadania precisam caminhar juntas. Afinal, quando um projeto educativo desaparece, não se perde apenas uma programação de televisão: perde-se também parte da memória e da capacidade de democratizar conhecimento.
* Luiz André Ferreira é podcaster, curador, jornalista, apresentador e professor universitário Mestre em Projetos Socioambientais, em Bens Culturais e Designer Educacional.
Contatos:
e-mail: pautasresponsaveis@gmail.com
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