Rafael NogueiraDivulgação

A nova direita, durante muitos anos, parecia condenada à clandestinidade: existia nas conversas de família, nas igrejas, nos quartéis, entre empresários, profissionais liberais, leitores solitários e cidadãos comuns cansados da hegemonia cultural da esquerda, mas não possuía nome público, estrutura organizada ou representação à altura de sua presença social. Em 2013, esse mal-estar ganhou as ruas, expressando-se como força de ruptura.

A queda da presidente não aplacou a revolta, que continuou à procura de linguagem, visão e liderança. Foi em 2018 que encontrou expressão eleitoral nacional. Mas ainda era, em grande parte, um movimento de reação.

A eleição municipal de 2020 revelou os limites dessa primeira etapa. A direita já tinha força nas redes, entusiasmo militante e capacidade de mobilização nacional, mas ainda tropeçava na política concreta dos municípios. Faltavam quadros locais, experiência administrativa, conhecimento da máquina pública e aquela velha arte, indispensável em qualquer democracia, da conversa presencial, da reputação comunitária, da política de sola de sapato. Uma coisa é vencer o debate nacional; outra, muito diferente, é montar chapa competitiva, formar nominata, conhecer bairros, dialogar com lideranças locais e governar uma cidade.

De 2020 a 2024, porém, houve amadurecimento. Ele não foi uniforme, nem suficiente, nem isento de vícios. Mas aconteceu. A direita compreendeu melhor que município não se conquista só com indignação virtual. Aprendeu a disputar câmaras municipais, a formar lideranças regionais, a ocupar partidos. O que antes era sobretudo ativismo passou a ensaiar formas de profissionalização.

Esse é um ponto decisivo. A direita brasileira não pode ser apenas a força que denuncia os abusos da esquerda, o abominável excesso judicial, a insegurança pública, a corrupção, o aparelhamento cultural e a expansão desmedida do Estado. Tudo isso precisa ser denunciado, mas uma corrente política madura também deve demonstrar capacidade de administrar, compor equipes, produzir diagnósticos, respeitar a legalidade, entregar resultados e formar sucessores. A política vive de instituições, quadros, presença e continuidade.

A eleição de 2022 mostrou que a nova direita precisava sair da adolescência política, mas sem esquecer o compromisso moral que lhe deu origem. Em muitas cidades, não havia organização alguma entre conservadores, até que seus candidatos deixaram de depender das ondas nacionais e passaram a construir bases próprias. Com mais vereadores, prefeitos, vice-prefeitos, lideranças de bairro, comunicadores locais, articuladores partidários e gestores identificados com valores conservadores e liberais, a direita ganhou musculatura e se tornou menos ageográfica. Começou a se sentir à vontade no território, não só no etéreo mundo virtual.

Mas a prova maior virá em 2026. Será a eleição da maturidade. Não bastará repetir as mesmas palavras de ordem, ou transformar divergências internas em guerra de pureza. Também não bastará apelar apenas ao que se aprendeu recentemente. Será preciso retomar a memória de 2018, a indignação contra os imensos erros da esquerda, além de unir firmeza moral e competência técnica, presença digital e enraizamento municipal.

Se quiser ser uma força histórica nacional permanente, e não apenas uma onda, a direita brasileira terá que chegar a 2026 com programas, quadros, capilaridade e grandeza. Precisará provar que sabe governar, fiscalizar, disputar sem destruir pontes e defender o Estado democrático de direito mesmo quando seus adversários o destroem sob o falso pretexto de defendê-lo.

A direita nasceu de novo no protesto, cresceu nas redes e começou a amadurecer nos municípios. Agora tem que provar que está pronta para conduzir o país de novo, repetindo os grandes acertos e tendo aprendido com seus erros. Em 2026, estará em jogo a passagem definitiva da nova direita brasileira da reação de momento à presença permanente.
Rafael Nogueira é historiador, Filósofo, Mestre em Direito e doutorando em Ciência Política