Maria Eduarda (Gabriela Duarte)
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Maria Eduarda (Gabriela Duarte) Reprodução
Por Gabriel Sobreira

Rio - O drama da mãe que substitui o filho recém-nascido pelo neto natimorto, a sociedade carioca classe média e também emergente, a luta contra o alcoolismo, a bissexualidade e a mãe que projeta os próprios sonhos na filha são só algumas das tramas abordadas na novela 'Por Amor' (1997), de Manoel Carlos, que volta ao ar a partir desta segunda-feira no 'Vale a Pena Ver de Novo', da Globo. Essa é a segunda exibição do folhetim nesta faixa. A primeira foi em 2002. Além de já ter sido resumida duas vezes no finado 'Vídeo Show' (2012 e 2015) e duplamente exibida no Canal Viva (2010 e 2017). "Acho importante que o público possa ter acesso a uma dramaturgia de alta qualidade. Parece um sonho", comemora Regina Duarte.

A VILÃ

Susana Vieira, que deu vida à inesquecível vilã Branca Letícia de Barros Mota, conta que ficou feliz com a notícia da reprise, uma vez que a personagem é uma das suas de maior repercussão. "O público lembra as falas da personagem de cor de tão impactantes que eram. A Branca falava as coisas que ninguém teria coragem de falar e ela não tinha o menor problema com isso", lembra. "O Manoel Carlos é um autor genial e sofisticado, que desmistifica vários mitos da sociedade, a falsa moral e o cinismo. E a personagem escolhida para isso foi justamente a Branca, e eu não mudava uma vírgula do texto de tão bem construído que era", completa.

Branca Letícia de Barros Mota (Susana Vieira) - Globo/Nelson Di Rago

HEROÍNA

A Helena da vez foi interpretada por Regina Duarte. Como o mote da novela era 'o que você seria capaz de fazer por amor?', a personagem dividiu o público quando substituiu o filho que acabara de nascer pelo neto que nasceu morto, escondendo o segredo de todos. A atriz diz que até hoje as pessoas comentam a atitude de Helena. "O gesto de amor dela foi sempre muito polêmico em todas as exibições. Houve quem fosse contra, sim, mas acho que a reação a favor foi mais forte", atesta.

PISCININHA, AMOR

Quem também dividiu o público foi a também antagonista Laura (Vivianne Pasmanter). Muitos torciam o olho quando ela aparecia na tela e outros tantos queriam ver até onde ia a dose de deboche e loucura da personagem. "Acho que o público gostava muito da Laura. Naquela época, as vilãs eram mais adoradas do que hoje", afirma Vivianne, que gravou uma das cenas mais lembradas da novela, quando sua personagem, de braço e perna engessados e sentada em uma cadeira de rodas, é empurrada para dentro de uma piscina pela mocinha da história, Maria Eduarda (Gabriela Duarte).

A sequência foi comandada pelo diretor Paulo Ubiratan que, segundo a própria atriz, não queria dublê. "Me engessaram de verdade. Cenas de ação sempre dão uma adrenalina maior, por mais que sejam bem planejadas só na hora é que sabemos o que realmente acontece. E essa especificamente não daria para regravar caso algo não desse certo, por conta do cabelo e do gesso molhados", recorda a atriz, que explica que foi tudo tranquilo.

"O que eu acho curioso é que muita gente que me fala dessa cena lembra como se a Laura é que tivesse empurrado a Eduarda. Talvez por a Laura ser vilã é que fazem essa confusão", diverte-se.

MOCINHA

Há 22 anos, Gabriela Duarte, intérprete de Maria Eduarda, tinha 23 e estava diante de um dos maiores desafios. Além de fazer sua primeira novela do horário nobre (antigamente chamada de "novela das oito") ainda contracenava com a própria mãe. "E experiências que nunca tinha tido. Nunca tinha casado, nunca tinha tido filho, nunca tinha me separado, nunca tinha sofrido aborto, nunca tinha, enfim, brigado com as pessoas, com a minha mãe, com a minha sogra. A novela me trouxe essa carga que eu não tinha. Me fez amadurecer na marra", observa ela, que ganhou enorme visibilidade com o folhetim.

Maria Eduarda (Gabriela Duarte) - Reprodução

Em 1997, a internet era ainda muito nova no Brasil, mas isso não impediu que todo mundo implicasse com a personagem Maria Eduarda. "Hoje, olho para trás e entendo que se você não quer sofrer o amor, o ódio, todos esses sentimentos que a internet traz, então você não pode ser uma pessoa pública, você não pode se expor", avalia Gabriela. "Na época era tudo muito novo. Eu só prestava a atenção naquilo que estava fazendo no meu trabalho, não tinha olhar para o que estava acontecendo fora. Acho que faz parte", acrescenta.

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