Com 40 anos de carreira, guitarrista Torcuato Mariano lança 'Escola Brasileira'

Sexto álbum solo do instrumentista vai do samba-jazz à bossa nova e reúne convidados como Djavan, Cesar Camargo Mariano, Hamilton de Holanda e Gabriel Grossi

Por O Dia

Torcuato Mariano
Torcuato Mariano -
Rio - São 40 anos de lições aprendidas na carreira musical, ao lado de grandes nomes da MPB, da bossa nova, do rock nacional, do samba e do jazz. O guitarrista, produtor e arranjador argentino Torcuato Mariano lança seu sexto disco solo, com uma homenagem ao país onde desenvolveu sua trajetória artística. Escola Brasileira, já disponível nas plataformas digitais, reúne dez faixas compostas quase todas por ele, além de parcerias com Carlinhos Brown e Débora Cidrack. O lançamento marca também o fim de um hiato de 10 anos desde seu último trabalho solo.

Torcuato cercou-se de convidados ilustres, como Djavan (que interpreta “Cansei de Dor”), Cesar Camargo Mariano, Hamilton de Holanda, Gabriel Grossi e a cantora americana Toni Scruggs (na faixa “Behind the Paradise”). Ele define o novo trabalho como um álbum conceitual, que transita entre Rio, Minas Gerais e o Nordeste. As suas influências vão de Tom Jobim a Pat Metheny, de Toninho Horta a Milton Nascimento, de Ricardo Silveira a Hélio Delmiro.

“Escola Brasileira é uma dupla homenagem. O título faz referência aos 40 anos da minha chegada ao Brasil, ainda adolescente. Aqui eu construí a minha história profissional. Acima de tudo, é um tributo à escola musical que nos deu tantos ritmos e sonoridades”, define o guitarrista, de 56 anos, que iniciou a carreira acompanhando Johnny Alf e já tocou com Cazuza, Ivan Lins, Flavio Venturini, Gal Costa e Djavan.

Ao longo das dez faixas, o álbum passeia pelas múltiplas vertentes da música brasileira, especialmente a bossa e o samba-jazz. O próprio Torcuato assina a produção e os arranjos de base, com sua Gibson 359 semiacústica. O disco, gravado em seu estúdio na Barra da Tijuca, tem ainda arranjos de sopro a cargo de Rafael Rocha e de cordas com a marca de Jessé Sadoc.

Torcuato buscou dar unidade aEscola Brasileira, provocando no ouvinte uma experiência sensorial única. A faixa que abre o disco, “706 Night Club”, traz uma levada de jazz com naipe de metais e uma cozinha rítmica bem cadenciada. “Cansei de Dor”, com letra de Carlinhos Brown, remete aos primeiros anos da bossa nova. “Cansei de dor / Amor me convidou para um jantar / Quero um espetáculo / E luzes pelo céu, um espetáculo. / Você bem pertinho de mim / O Rio bem pertinho de nós”.

Em “A Pata da Preta”, dedicada à sua cachorra, Torcuato compôs a música de uma vez só enquanto dedilhava o violão. Foi assim também com “Cansei de Dor”. Com a melodia pronta, Carlinhos Brown enviou a letra em três horas. Já em “Ouro de Minas”, ouvem-se texturas harmônicas que remetem a Milton Nascimento e ao Clube da Esquina. Ele fez toda a base harmônica e tinha uma ideia da melodia, que custava a sair. “Estabeleci uma data e passei o dia trabalhando até sair”.

“Jogando Bola”, que tem a participação de Hamilton de Holanda no bandolim, une música e futebol. “Pensava no balé do Ronaldinho Gaúcho, que parece um bailarino com aquela ginga, e imaginava um casal dançando numa gafieira”.

Um grande admirador do novo trabalho de Torcuato é o compositor e violonista Roberto Menescal: "Tive a chance e o prazer de ouvir Escola Brasileira antes de chegar ao público. Poderia ter sido mais um disco de guitarrista, mostrando o quanto toca seu instrumento numa “cachoeira de notas e técnica”, como tenho ouvido outros grandes cobras da guitarra. Mas não. É um projeto para ser saboreado pela sua música, suas composições e as grandes participações de músicos e artistas maravilhosos. Torcuato, me desculpe, mas como eu queria ser esse músico que você é", escreveu Menescal.

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Torcuato Mariano Divulgação
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