Pré-Flip carioca terá debates, projeção de ópera, curta-metragem e encenação de obra de Euclides da Cunha

Autores como Anelia Pietrani, Anabelle Loivos, Leopoldo Bernucci e Luiz Costa Lima antecipam os debates sobre o homenageado deste ano da Festa Literária de Paraty

Por O Dia

Autor Luiz Costa Lima
Autor Luiz Costa Lima -
Rio - Quatro importantes estudiosos da obra do escritor Euclides da Cunha participarão da Pré-Flip 2019 – Rio de Janeiro, que o Sesc RJ realiza na próxima terça-feira (2) em sua sede, no bairro do Flamengo, Zona Sul do Rio. O evento antecipa as discussões desta edição da Festa Literária de Paraty, (Flip), que acontece de 10 a 14 de julho e traz Euclides como homenageado. Entre os participantes da Pré-Flip carioca estão Anelia Pietrani, Anabelle Loivos, Leopoldo Bernucci e Luiz Costa Lima, todos autores de estudos sobre Euclides. As atividades começam às 13h e têm entrada franca.

Professora Associada de Literatura Brasileira da Faculdade de Letras da UFRJ, Anelia Pietrani é organizadora de “Euclides da Cunha Presente e Plural” (Eduerj), que reúne textos que analisam a vasta obra do escritor. Dedicada a estudos de gênero, analisará a presença feminina nos seus livros. Sob a mediação de Fernanda Diamant (cocuradora do evento e curadora da Flip), ela debaterá com a escritora Anabelle Loivos, também professora associada da UFRJ e coautora de “Euclides da Cunha: ‘da face de um tapuia’” (Nitpress). A obra, escrita com Luiz Fernando Conde Sangenis, joga luz sobre a vida e obra do escritor na perspectiva dos seus conterrâneos do município de Cantagalo, Região Serrana do Rio.
Professor emérito da PUC-RJ, Luiz Costa Lima é autor de uma biografia do homenageado. Em “Euclides da Cunha: Contrastes e Confrontos do Brasil” (editora Contraponto), o estudioso - que é detentor do título Alexander von Humboldt-Stiftung (Alemanha) de Pesquisador Estrangeiro do Ano em Humanidades - lança um novo olhar sobre aspectos pessoais e profissionais do autor do clássico “Os Sertões”. Ele dividirá mesa com o professor do Departamento de Espanhol e Português da Universidade da Califórnia-Davis, Leopoldo Bernucci, que assina diversas obras sobre o tema. Entre elas, “Euclides da Cunha: Poesia Reunida” (Unesp), “Os Sertões, edição anotada” (Ateliê/Arquivo do Estado/Imprensa Oficial); “Discurso, Ciência e Controvérsia em Euclides da Cunha” (Edusp) e “A Imitação dos Sentidos: Prógonos, Contemporâneos e Epígonos de E. da Cunha” (Edusp).

Curta sobre o Massacre de Canudos e projeção de ópera sobre a morte de Euclides também são destaques

Outro destaque da programação é a projeção audiovisual da ópera “Piedade”, de João Guilherme Ripper, que estará presente no evento e comentará o trabalho. O espetáculo – que circulou por Rio, São Paulo e foi a primeira ópera brasileira a se apresentar no Teatro Colón, na Argentina – aborda o escândalo que resultou na morte de Euclides da Cunha, ocorrida no bairro carioca que dá título à obra.

Também haverá a exibição de “A Matadeira”, premiado curta-metragem de Jorge Furtado. O documentário produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre aborda o Massacre de Canudos, que pôs fim ao conflito acompanhado pelo jornalista Euclides da Cunha na condição de correspondente do jornal O Estado de S. Paulo e que foi parar nas páginas de “Os Sertões”.

Ao longo do dia, o ator Leonardo Netto realiza intervenções cênicas. O artista, que mais recentemente atuou em espetáculos como “Corte Seco”, “Freud – A Ultima Sessao”, “Conselho de Classe” e “A Santa Joana dos Matadouros”, encenará trechos do livro-reportagem que colocou Euclides no panteão dos escritores brasileiros.
CONFIRA A PROGRAMAÇÃO
13h – 13h25 - Intervenção cênica - Leonardo Neto

13h30 – 15h30 – Mesa 1: Os sertões e um Brasil de ontem pelos olhos de hoje

Com Anelia Pietrani e Anabelle Loivos - Mediação: Fernanda Diamant

Em seus livros sobre o Brasil, Euclides da Cunha fundou e desenvolveu uma teoria sobre a nação. Como podemos lê-lo hoje? Nesta sessão, as duas professoras discutem as possibilidades de leitura de Euclides da Cunha num país que permanece marcado pela desigualdade, e levantam questões sobre como ler Euclides numa sala de aula, e quais passagens precisam ser feitas diante do distanciamento histórico que nos separa dele.


15h30 – 15h50 - Exibição do curta “A Matadeira”

SINOPSE: Canudos foi uma pequena aldeia no nordeste do Brasil, fundada pelo líder messiânico Antônio Conselheiro e massacrada por um poderoso exército até a morte do último de seus 30 mil habitantes, em 5 de outubro de 1897. O filme conta o massacre de Canudos a partir de um canhão inglês, apelidado pelos sertanejos de "A MATADEIRA", que foi transportado por vinte juntas de boi através do sertão para disparar um único tiro. Prêmios
22º Festival de Gramado, Cinema Latino, 1994: Prêmio Especial à Direção de Arte, Melhor Direção de Curta Gaúcho, Melhor Fotografia de Curta Gaúcho. 11º Rio-Cine Festival, Rio de Janeiro, 1994: Melhor Ator (Pedro Cardoso), Prêmio Contribuição à Linguagem Cinematográfica.


16h20 -16h35 - Intervenção cênica - Leonardo Neto


16h40 – 18h30 - Mesa 2: Entre o relato e a criação

Com Leopoldo Bernucci e Luiz Costa Lima - Mediação: Fernanda Diamant

Como ler o Brasil através da literatura nacional? Neste encontro, dois dos maiores críticos literários brasileiros se encontram para discutir a obra de Euclides da Cunha e os cruzamentos que ela mesma atravessa entre ficção e história. Pelos instrumentos da teoria literária, Luiz Costa Lima e Leopoldo Bernucci conduzem esta conversa sobre poética e política.


18h30 - 19h45 – Exibição da ópera “Piedade” seguida de conversa com o autor

Com João Guilherme Ripper

João Guilherme Ripper, atual diretor da Academia Brasileira de Música e compositor e autor da ópera “Piedade”, que tem Euclides da Cunha como personagem principal, irá contar sobre a criação da ópera e os episódios de Canudos e o confronto com Dilermando de Assis que levou à morte do escritor.



SERVIÇO

Pré-Flip 2019. Rua Marques de Abrantes, 99, sede do Sesc no Flamengo, Rio de Janeiro. Dia 2 de julho de 2019 – 13h. Entrada franca. 
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