Doutor Hidro (E), Bombeiro Rafa e Torrada contra o fogo - Divulgação
Doutor Hidro (E), Bombeiro Rafa e Torrada contra o fogoDivulgação
Por Gabriel Sobreira

Rio - Em 2012, o bombeiro carioca Rafael Luz estava lotado em São Paulo quando foi atender uma emergência: incêndio em Itapecerica da Serra (SP). Na ocorrência, uma criança de 8 anos morreu porque se escondeu no armário.

"Ela não teve culpa, não lhe foi ensinado como se comportar em uma situação de emergência. Eu simplesmente não podia ficar de braços cruzados", diz Rafael Luz, ator, humorista e bombeiro militar, no Dia Nacional do Bombeiro, celebrado hoje.

Desde a tragédia, ele começou um projeto lúdico de conscientização infantil sobre os perigos do fogo e como agir em caso de emergência. Para isso, ele usa fantoches, ações, vídeos no YouTube. Uma das iniciativas é 'Amigos do Pelotão', programetes educativos exibidos na TV Brasil — são 13 drops, cada um de dois minutos, no ar duas vezes ao dia, durante a 'TV Brasil Animado'. Futuramente, ele fará um musical, o 'Bombeiro Rafa'. "Estou em busca de patrocinador".

Sonho em ação

A partir do episódio com vítima, Rafael constatou que as crianças americanas são capazes de ligar para o Corpo de Bombeiro para pedir socorro, e as brasileiras não. "A americana não é melhor que a nossa, ela só recebe informações. Sabia que 70% dos brasileiros adultos não sabem o número do Corpo de Bombeiros (193)?", questiona. "Entrevistei 500 crianças com menos de 12 anos. Todas conheciam ou já tinham visto um bombeiro, mas nenhuma delas sabia o nosso telefone", alerta.

Foi quando Rafael pediu autorização ao comandante na época para visitar escolas e levar mensagens para os alunos. "Percebi que estavam mais interessadas no meu capacete do que na informação. Mudei de tática", lembra ele, que é bombeiro há nove anos.

Em 2014, Rafael foi convocado para um concurso que havia prestado em 2012, no Rio, deixou São Paulo e se apresentou no Quartel de Copacabana. Mas a ideia de informar crianças persistiu. No Dia das Crianças no quartel, criou um personagem: Torrada, um cachorro de rua que se queimou e acabou morando no quartel. "Era um fantoche muito tosco", lembra.

Outros fantoches

A família de Torrada cresceu. Tem o Fumaça, vilão que quer tacar fogo no mundo e que criança brinque com fogo. Além deles, o pelotão conta com Bizonho, ajudante de Fumaça, que vive enganado pelo chefe; Doutor Hidro, um hidrante gênio; Estênio, um extintor vaidoso, e Vel, uma mangueira. "Ela representa o público feminino. É a mais corajosa e grande ajudante do bombeiro Rafa", explica.

Dali para o YouTube foi um pulo. O canal Bombeiro Rafa tem pouco mais de mil inscritos e diversos vídeos com o militar e seu mascote de pelúcia. Mesmo antes da chegada à TV Brasil e da parceria com o grupo Cem Modos — Criadores e Criaturas, que fazem os bonecos (são responsáveis pelos bonecos do extinto infantil 'TV Colosso'), Rafael nunca desanimou diante do que poderia parecer "impossível". "Tiro o dinheiro do meu bolso. Já gastei uns R$ 15 mil. Recebo muitas mensagens de pais me agradecendo pelo projeto. Isso não tem preço", comemora ele, que está preparado para dar mais um passo no sonho. "Consegui até data para estrear o musical no Teatro Vanucci, dia 11 de janeiro de 2020, às 17h, na Gávea. Época de férias, horário nobre. Tomara que consiga um patrocinador para tocar o projeto".

 

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