Nala e SimbaDivulga�§�£o
A tecnologia, no entanto, ajudou, e na próxima quinta-feira (18) chega ao cinema a nova versão de “ O Rei Leão ”, considerada “live-action”. Sai o desenho e entra uma tecnologia nova, aprimorada pelo diretor Jon Favreau em sua adaptação anterior, “Mogli: o Menino Lobo”. Saem as versões bonitinhas dos bichos, entram versões realistas, que poderiam passar por animais reais da savana africana. Não fosse, claro, o fato de que eles cantam e dançam.
Rei Leão 2.0
O filme, em geral, se arrisca pouco, mas nos momentos que deixa de ter o original como referência, se supera. A fotografia segue os passos da animação, mas algumas cenas de perspectiva mudam o ritmo e divertem, como quando vemos o desespero de Timão falando com Simba depois que ele e Pumba são atacados por Nala.
Os dois amigos que seguem o lema de Hakuna Matata estão ainda mais divertidos. Algumas piadas foram mantidas, e as atualizadas tem o efeito desejado, mostrando a sintonia do javali e do suricato, vividos na versão em inglês por Seth Rogen e Billy Eichner, nascidos para esses papeis.
O real, no entanto, impacta na “mágica” que a animação pode oferecer. Assistir um desenho com leões abre inúmeras possibilidades para as pessoas darem asas a imaginação. A computação gráfica extremamente real tira essa possibilidade. Não dá, num filme “real”, para que Simba tenha juba de folhas, ou que fumaças verdes surjam do chão enquanto Scar canta, ou que a cara de Pumba exprima todo o pânico de estar prestes a ser comido.
O longa parece uma armadilha. Quem foi impactado pelo original vai se emocionar, cantar e adorar a nova versão. Mas, no final das contas, ela não tem absolutamente nada que já não tenha sido apresentado antes, com a exceção de uma música da Beyoncé , bonita porém deslocada, claramente “encaixada” para concorrer a um possível Oscar.
Parece desperdício de tempo e inúmeros talentos desenvolver uma tecnologia tão real e interessante, para fazer o mesmo filme lançado há 25 anos. Diferente dos live-actions de verdade, que colocam pessoas por trás dos traços no papel feitos anos antes, “ O Rei Leão ” conta apenas com o amor incondicional dos fãs. Deve ser o ciclo sem fim mesmo.
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