Facção Caipira: união para produzir novo disco - Camila Padilha / Divulgação
Facção Caipira: união para produzir novo discoCamila Padilha / Divulgação
Por THIAGO ANTUNES
Rio - A banda niteroiense Facção Caipira, formada por Jan Santoro (voz e guitarra), Renan Carriço (bateria) e Vinícius Câmara (baixo), já viveu altos e baixos em 10 anos de carreira. Formada em 2009 como um quarteto, o trio gravou o primeiro EP em 2012, que chamou a atenção do público e crítica, se apresentou em um reality show dedicado à obra de Vinicíus de Moraes em 2014 e no programa 'Superstar', atração musical da TV Globo, em 2015, colhendo frutos na passagem, e se viu em um grande revés há três anos. Na ocasião, a banda teve todos os instrumentos roubados em um assalto. O episódio mobilizou a cena independente carioca, gerando grande repercussão.
Neste ano, eles lançaram 'Do lugar de onde estou já fui embora', baseado em todas as experiências dos três desde o susto — principalmente o caminho a ser trilhado depois do prejuízo. O álbum, norteado pelo rock que sempre foi inspiração para a banda, ganhou elementos brasileiros e foi gravado em um estúdio-casa onde os três moram — uma antiga igreja evangélica.
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"Não tenho uma religião, minha mãe e meu pai sempre me levavam nas suas vivências em terreiros de umbanda e também tive muito contato com índios na minha casa, por conta da aproximação do meu pai com o Pajé Sapaim Kamayura no Xingu. Acompanhei rituais, rodas, fogueiras, e muita música no quintal. Vinte e um anos depois, me vi num espaço onde as pessoas - independente da religião - depositavam fé. Essa energia de espaço sagrado e ao mesmo tempo musical foi muito forte na busca por sentido e reestruturação da gente, de fazer música", disse Jan.
A Facção Caipira conversou com O DIA sobre o lançamento, processo de composição, a participação em realities e a cena independente de Niterói.
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O DIA - Quais foram as principais inspirações para este disco?

Jan - Acho que todo o processo do disco se baseou no contexto que a gente viveu, né? Desde o assalto que sofremos em 2016, aconteceram muitas coisas nesse tempo. Sofremos o assalto, fizemos uma vaquinha para recuperar o que perdemos e conseguimos ter um estúdio onde o álbum foi feito, em uma antiga igreja evangélica. Ficamos mais unidos desde o acontecimento. Conseguimos construir o que quisemos..montamos um disco novo e um show novo para ele. Essas mudanças aconteceram na vida de cada um, que foram complementares para os sentidos do 'Do lugar de onde estou já fui embora'.

O episódio do assalto foi bem marcante. Podem falar especificamente sobre?

Renan - Acho que esse episódio uniu muito a gente. A partir do ocorrido, decidimos morar juntos e nos restruturarmos. Minha ideia com os meninos foi um grande receptório para o disco novo. Aquilo fez a gente se juntar e criar bastante. Particularmente, tivemos o apoio de muitos amigos, familiares e pessoas que torcem por nós e nos acompanham. Essas pessoas também nos moveram para que a gente fizesse o que gostamos mesmo. De positivo foi isso...agora de negativo é realmente aquilo que aconteceu (risos).
Ainda sobre o disco, como se deu o processo de composição?
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Renan - Antes, o Jan trazia as coisas muito prontas e a gente fazia algo em cima daquilo. Nesse disco, em especial, a gente fez tudo muito junto. Eu trouxe uma levada de bateria que os meninos acrescentaram os instrumentos em cima, por exemplo. E assim a gente foi indo. Acho que o próprio processo de estar mais junto nos trouxe isso.
Vinícius - Tenho que acrescentar que também fazemos muitas coisas em cima de jams, no improviso. O que também sempre foi bem legal pra gente.

Vocês têm elementos do rock, blues, folk...mas esse disco parece mais carregado de brasilidades, certo?

Renan - Com certeza. Estamos ouvindo muito mais música brasileira. Todos nós consumimos muitos artistas brasileiros, eu pelo menos não consigo ouvir nada internacional ultimamente. E isso acaba se refletindo no nosso processo de composição também.
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E o que vocês têm escutado? Algo de especial para fazer o disco?
Renan - Todos nós estamos escutando muita coisa, mesmo. Também trabalho como produtor e acabo escutando outras coisas, o que acaba influenciando nas composições. Teve uma fase bem no começo que eu ouvi Queens of the Stone Age, com esses riffs mais pesados...e logo depois fui escutando mais samba e MPB. Não teve exatamente um tipo de som ou mistura no som, porque cada um estava em determinado momento da vida. Atualmente estamos ouvindo independentes como O Terno, André Prando, Bixiga 70...e outras coisas mais tradicionais.
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A aparição do 'Superstar' trouxe frutos para a banda até hoje?
Jan - Trouxe, sim. Tivemos mais visibilidade, os shows fora do Rio com bastante gente, que depois conversou com a gente, trocou ideia, pediu para tirar fotos. Nesse processo conhecemos muita gente, foi bem interessante para conectar mais com as pessoas. Eu diria que um minuto e meio na Globo é importante para se comunicar com o mundo, porque trás muito público. As pessoas têm interesse em conhecer novidades, um interesse musical do gosto delas e isso foi muito positivo.

Vocês têm uma base de fãs boa em Niterói. Como vocês vem a cena independente daí nesses anos em atividade? Evoluiu de 2009 para cá?
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Renan - A cena daqui está fervendo, e a dificuldade nesse meio é que sempre existiu, de encontrar bons lugares e espaços de cultura. O Jan está produzindo alguns artistas, eu estou produzindo uma outra galera...e tem gente lançando discos. A Roberta Sá fez um por agora, a Barcamundi está aí também...é muita gente querendo tocar. A dificuldade rola no Rio de Janeiro todo, não só aqui em Niterói. Estou trabalhando em um estúdio que ajuda a fomentar a cultura da cidade, do artista fazer para o artista, das coisas começarem a circular para quem está nesse meio.
Como serão os shows da turnê?

Renan - Quinta agora teremos um show no Sesc Ramos, gratuito, com a participação do Cadu Parente. No dia 26, faremos o Sesc Madureira, com participação da Duda Brack. Em setembro vamos fazer no Teatro UFF e a ideia é rodar o Brasil com o novo show.
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Serviço - Facção Caipira - Lançamento do disco 'Do lugar onde estou já fui embora'
Data: 18/07, quinta-feira, às 19h30
Local: Sesc Ramos - Rua Teixeira Franco, 38, Ramos 
Ingressos: Entrada gratuita