Lashana Lynch, a nova agente 007Reprodução
Para Lucy Ramos, a Sílvia de 'A Dona do Pedaço', da Globo, um grande superpoder do cinema é levar a representatividade para as telonas. "Essa mudança contribui muito para a diminuição da falta de diversidade nos filmes, que infelizmente ainda é presente", observa a atriz. "Não tenho dúvidas de que o mundo ainda está estruturado em um modo patriarcal, mas a cada acontecimento como esse, sinto que damos mais um passo para a mudança", completa.
REPRESENTATIVIDADE
Juliana Alves, que recentemente esteve no ar em 'Malhação: Vidas Brasileiras', comemora tanto a escolha de Lashana Lynch para '007', quanto da norte-americana Halle Bailey, de 19 anos, para protagonizar 'A Pequena Sereia'. "Quando uma mulher negra tem acesso a um lugar como esse, a gente percebe a estrutura se movimentando. E é por isso que a gente luta desde sempre. Cada vez que vemos outras mulheres negras inspirando outra mulheres, estamos rompendo outras estruturas e rompendo com padrões que nos limitam, oprimem e fazem a gente acreditar que não somos capazes. E sim, somos capazes e podemos estar cada vez mais em todos os lugares", defende.
"Eu diria épica (risos). Isso significa que a nossa luta diária não foi e nunca será em vão", comemora Shirley Cruz, a Gláucia de 'Bom Sucesso', novela das 19h, que estreia dia 29, na Globo. A atriz conta que o cinema sempre contribuiu e participou das principais mudanças da sociedade e que a escolha de Lashana é um combustível importante para a luta negra pela vida, pelo respeito, igualdade e representatividade. "É mais um passo urgente e fundamental para atingir e conscientizar o maior número de pessoas possíveis mundo a fora", reforça ela.
FRUTOS
David Reis, o Henrique, do mesmo folhetim, diz que a mudança vem em boa hora. "A gente sempre foi uma indústria de cinema machista e dominada por pessoas brancas. Atores produtores, diretores, todos brancos. A gente sempre teve isso contra a gente no cinema", protesta. "E hoje, vê-la como 007 na nova franquia é incrível. Mostra para todas as mulheres, meninas que vão crescer, que elas podem ter esperança e referência negra com uma mulher preta ocupando este espaço. É uma mudança que sem dúvidas vai causar um impacto forte", vibra ele.
A pedagoga, atriz no Porta dos Fundos e idealizadora do Projeto Identidade (Exposição fotográfica que apresenta ícones populares, originalmente brancos, representados por pessoas negras), Noemia Oliveira observa que, depois de sucessos de bilheteira como 'Corra' , 'Pantera Negra' e 'Nós' (filmes recentes protagonizados por atores negros) existe uma produção mais consciente sobre a necessidade em retratar a realidade. "Ou, no mínimo, algo mais parecido com ela. O mundo não é feito de pessoas brancas, então porque grande parte dos bons personagens só são dados a elas?", questiona.
RETORNO FINANCEIRO
Noemia vai além e pontua que essa mudança está ligada ao retorno financeiro. "Afrodescendentes são consumidores em potencial, queremos nos ver representados. Espero que nós, brasileiros, que ainda somos muito influenciados pelos americanos, copiemos esse movimento também; Até porque aqui no Brasil, pessoas negras representam mais da metade da população", frisa.
O ator Diego Ribeiro, da série 'Sob Pressão', diz que fica incomodado quando ouve dizer que "correr atrás do que é dele por direito, só que em uma outra 'pista'/'espaço'". "Mas não. A corrida é a mesma. A pista é uma só. Se formos solucionar a falta de negros em produções audiovisuais criando produções apenas com negros, ainda estaremos segregando. Quero ver que existem negros dentro das enormes produções hollywoodianas e que eles ocupam papéis de destaque", torce.
MAIORIA
A intérprete de Marie em 'Órfãos da Terra', da Globo, Eli Ferreira, atenta ao fato de que, a mudança na frente das telas é muito importante, mas isso só não basta. "Ela (a mudança) precisa estar por trás, na equipe técnica, na direção, na arte, no roteiro. Acredito que tenhamos um grande caminho pela frente ainda, mas sentir as coisas 'saírem' do lugar da um fôlego a mais", vibra.
Luis Miranda, que está em cartaz com 'O Mistério de Irma Vap', no Oi Casa Grande, até dia 28 de julho, reforça que, antes de tudo, a inversão do papel é "maravilhosa". "A mulher fazer originalmente o papel do homem, como se só homem pudesse ser investigador, policial. Temos heroínas femininas. "A gente não pode esquecer que temos uma população majoritariamente negra no Brasil e, país com hegemonia negra, não significa que tem tolerância de raça; pelo contrario. Às vezes tem mais aceitação em país com menos miscigenação. Temos que mudar isso. Temos que reforçar e buscar dentro da cultura do mundo uma igualdade, mesmo que seja na representatividade na arte, já que no mundo atual, as coisas se tornam cada vez mais cruéis", desabafa.











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