Limpo das drogas e do álcool, Black Alien fala do novo disco e da fase de sobriedade

"Meto a cara no trabalho, vou até o final. Nem Deus ia fazer algo se eu não fizesse. Sobrevivi a mim mesmo", diz

Por *Lucas França

Black Alien
Black Alien -

Rio - Aos 47 anos, Black Alien — ou Gustavo Ribeiro, "primeiro rapper" de Niterói, como ele mesmo afirma na música 'Take Ten' — contabiliza mais de 20 de carreira e diz ter "energia, visão e humor de novato". Foi com este estado de espírito e limpo das drogas e do álcool que o MC trabalhou no terceiro álbum de estúdio dele, 'Abaixo de Zero: Hello Hell'. As nove faixas, lançadas em abril de 2019, foram feitas "sem amarras", com Black Alien "feliz e bebendo suco".

O momento profissional do rapper inspirou o título do CD até certo ponto, já que o próprio Black Alien tem "várias formas de interpretá-lo". Gustavo, que um dia esteve em um lugar "abaixo de zero", hoje se vê entre o positivo e o negativo. "Do zero eu começo alguma coisa. Fazer isso com 40 e poucos anos é um tipo de inferno. Às vezes, vejo as coisas maiores porque estou engatinhando", diz o músico.

Black Alien conta que, quando estava sob o efeito de drogas, não tinha paciência e abandonava a escrita. Agora, o foco é produzir. "Meto a cara no trabalho, vou até o final. Sou grato a Deus e a mim. Nem Deus ia fazer algo se eu não fizesse. Sobrevivi a mim mesmo", afirma.

Mudança de vida

O rapper traz no disco linhas sensíveis e destemidas sobre temas como perdas e mudanças da vida. Os versos "Se um dia a coragem foi líquida, agora ela é sólida, irmão/Tenho não só que lidar com a vida, lido com ela sem pó e sem dó então", da música 'Carta para Amy', mostram a liberdade de Black Alien para mergulhar em si mesmo no álbum, que já ultrapassou 13 milhões de streams no Spotify.

O CD foi feito "com naturalidade", segundo o músico. Refrões travados e assuntos delicados não o impediram de criar. "Para cair uma linha às vezes demorava, mas quando vinha o verso de qualidade, uma força me dizia para manter o nível. Sou fiel a mim quando escrevo. Não tenho nada demais em falar quando estou no chão ou voando", conta.

O artista acaba de voltar de uma turnê pela Europa, onde se surpreendeu com "muito gringo que conhecia o som". Mesmo cansativa, Black define essa viagem como a melhor ida ao continente da carreira.

O desembarque no Rio levou Gustavo direto para a Lapa, no Circo Voador, onde fez, no dia 26, um show com participação do MC De Leve e Papatinho, produtor do álbum. "Nós trabalhamos juntos porque gostamos, conversamos de amigo para amigo", diz ele, com satisfação.

Drogas no avião

A rima de Black Alien "Quem tá no erro sabe/Cocaína no avião da FAB", na música 'Um Bom Lugar', feita em 2000 com o rapper Sabotage, reapareceu entre o público depois que um oficial foi preso com 39 kg de cocaína em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) na Espanha. A aeronave apoiava a comitiva presidencial para o encontro do G-20, no Japão, em junho.

O rapper revela tristeza por um verso de 19 anos atrás ainda ser tão atual. "Nos últimos tempos, tenho uma sensação ruim de que passei 20 anos falando para as paredes", admite. Para o futuro, Black Alien não tem dúvidas: "Faço shows, isso não vai mudar por uma década", diz.

*Estagiário sob supervisão de Paulo Ricardo Moreira

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Black Alien Divulgação/Ronca
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