Erick Jacquin estreia segunda temporada de 'Pesadelo na Cozinha' na Band

Chef francês conta que se estressa muito ao ajudar restaurantes à beira da falência: "Briguei, vomitei e saí para chorar"

Por BÁRBARA SARYNE

Erick Jacquin no programa 'Pesadelo na Cozinha', da Band
Erick Jacquin no programa 'Pesadelo na Cozinha', da Band -

Rio - Para quem gosta de reality culinário, o fim do 'Masterchef', no último domingo, foi só um até logo. Hoje, às 22h45, estreia na Band a segunda temporada do 'Pesadelo na Cozinha', com Erick Jacquin. O chef francês vai enlouquecer tentando salvar sete restaurantes à beira da falência.

"Briguei, xinguei vomitei duas vezes e saí para chorar nessa temporada. Algumas coisas me marcaram de uma forma bem nojenta", conta ele, que confessa ter pensado em desistir do reality durante as gravações, mas foi convencido a engolir sapos e superar seus limites, o que deixou a atração ainda mais interessante.

Em cada restaurante, Jacquin passou uma semana implantando novas regras. Uma equipe até reformou os locais pensando em atrair clientes. O problema, segundo ele, foi convencer os donos dos restaurantes a mudarem seus hábitos. Em um estabelecimento, por exemplo, o chef jogou toda a mercadoria no lixo depois que notou um problema na refrigeração.

"O cara desligava o freezer para economizar energia durante a noite e ligava de dia. Nunca vi isso na minha vida. Ele não gostou, mas nós jogamos tudo fora. Para ele, não estava errado. Mas o meu trabalho é ajudar esse pessoal", conta o cozinheiro. "É difícil entrar na casa dos outros e falar que a comida é uma merda. Tem gente que me respeita só na minha frente, mas fala mal pelas costas, usa palavrões", lamenta ele.

Com a sensação de missão cumprida, o jurado do 'Masterchef' lembra da experiência traumática com uma mistura de sentimentos. Ele afirma que encontrou um problema em comum em todas empresas que estavam em crise: a comunicação. "Vi muita gente que não se fala mais, que não se respeita na cozinha. Restaurante em que cada um faz o que quer, que não tem cálculo de gastos", lista o francês.

Quem pensa que Jacquin só passou nervoso, porém, está enganado. Durante as gravações do 'Pesadelo na Cozinha', o francês conta que refletiu mais sobre a sua própria vida e se comoveu com histórias de pessoas que realmente amam o que fazem e precisam se esforçar para continuar com um negócio aberto em um período de crise.

"Vocês vão ver que eu fiquei emocionado com a história de uma mulher que chega bem cedinho no restaurante e sai de madrugada, de ônibus, porque não tem dinheiro para ter carro. Falei para ela que o mais importante é fazer bem feito. Faz o que você sabe fazer, o que pode. Pode ser uma batata frita, mas tem que ser feita com amor. Se você continuar assim vai superar tudo isso", diz ele, emocionado.

Erick Jacquin no programa 'Pesadelo na Cozinha', da Band - Carlos Reinis/Band

Questionado sobre a possibilidade de ter Henrique Fogaça ou Paolla Carosella no programa, Jacquin acredita que o trio do 'Masterchef' não daria certo nesse reality. "Acho que a Paolla ficaria mais nervosa que eu. O Fogaça não sei dizer. Prefiro não falar sobre eles, vai que a Band os coloca e eu perco esse emprego", responde, aos risos.

Volta por cima

Nos vídeos de divulgação do programa, Jacquin aparece em discussões calorosas, pedindo para os clientes não comerem por falta de higiene. Em um momento, inclusive, o cozinheiro sobe o tom com um participante ao ouvir que não tem moral para mandar em nada. Com os olhos marejados, o chef lembra do episódio e diz que pode falar do assunto com propriedade, pois já faliu um restaurante em São Paulo e aprendeu com seus próprios erros.

"Já senti essa dor. A pior coisa é ver seus clientes e não ter mais o que servir", diz ele, que se prepara para abrir um novo restaurante. "Minha mulher não queria, mas tenho que pensar no futuro dos meus filhos", justifica, pronto para trabalhar com uma postura diferente.

"Tenho um defeito muito generoso. No outro restaurante, recebia vários amigos e não cobrava nada, abria champanhe, fazia festa. Hoje entendo que a gente não pode oferecer a única coisa que a gente sabe fazer. É assim que ganho minha vida, então não posso oferecer isso. Posso até dar presentes para agradar, mas não posso deixar de cobrar os pratos. Minha mulher me fez jurar que nunca mais deixarei alguém sair sem pagar. Já aproveito para deixar todo mundo avisado", afirma, aos risos.

Embora não tenha revelado nomes, o chef conta que seu novo restaurante contará com ex-participantes do 'Masterchef', mas já adianta que não contratará os "mais estrelas", pois quer profissionais focados e 100% dedicados ao restaurante. Jacquin também pensa em abrir vagas para uma pessoa de baixa estatura e homens e mulheres de todas as raças.

"Quero essa mistura do Brasil! Como todo mundo vai querer me ver, penso em deixar a cozinha aberta para as pessoas me verem cozinhando. Também quero que os pratos sejam pintados por artistas brasileiros", diz ele, que pretende continuar na televisão. "Já não sei mais se sou um cozinheiro que vive na TV ou um homem que vive na TV e é cozinheiro, mas quero continuar fazendo as duas coisas. Sou feliz assim", garante.

 

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Erick Jacquin no programa 'Pesadelo na Cozinha', da Band Carlos Reinis/Band
Erick Jacquin no programa 'Pesadelo na Cozinha', da Band Carlos Reinis/Band
Erick Jacquin no programa 'Pesadelo na Cozinha', da Band Carlos Reinis/Band

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