Barão Vermelho - Divulgação/Marcos Hermes
Barão VermelhoDivulgação/Marcos Hermes
Por RICARDO SCHOTT
Rio - Guto Goffi, atualmente, é o único integrante que esteve em todas as formações do Barão Vermelho. "Estive em todas as gravações e nunca faltei a um único show", brinca o baterista, que hoje toca a banda ao lado de Mauricio Barros (tecladista, também da formação original, mas que esteve afastado do grupo por vários anos), Fernando Magalhães (guitarra e integrante oficial desde 1990) e Rodrigo Suricato (vocalista e guitarrista que substuiu Roberto Frejat na nova formação). Essa turma acaba de lançar o décimo-quarto disco do grupo, 'Viva'.
A turnê do álbum, diz o baterista, terá apenas três músicas do novo disco - entre vários clássicos. E o grupo ainda recuperou para o repertório uma música da carreira solo de Frejat, 'Amor Pra Recomeçar'. "É uma parceria dele com o Mauricio", conta o baterista.
Publicidade
Digital
O novo álbum, além de marcar um novo ato na história do grupo carioca, é o primeiro lançamento da banda a chegar aos fãs primeiro em formato digital. Guto diz que uma versão física deve chegar às lojas, mais para satisfazer a vontade dos seguidores que colecionam os álbuns do Barão. Mas não que ele se anime muito com a novidade da música digital.
Publicidade
"Eu sou quase um ser pré-histórico. Se dependesse de mim não tinha nemCD, nem computador, nem tinha ido gente pra lua", brinca Guto, cuja banda, no novo disco, apresenta influências que vão do blues ao hard rock, mas abarcam um ou outro tom eletrônico, além de convidados atualizados. Em 'Eu Nunca Estou Só', convidam o rapper BK para soltar a voz. Na faixa de encerramento, a bela 'Pra Não Ter Perder', é Leticia Novaes (Letrux) quem canta.
"Não sou ligado em modernidades. O Rodrigo Suricato é muito ligado em sons novos, o Mauricio Barros é um grande produtor (produziu inclusive o novo disco) e ouve de tudo, para ter uma ideia do que existe hoje na música. Mas confesso que não me interesso por muita coisa que existe hoje no universo da música, olho muita coisa de lado", conta. "De qualquer jeito, isso que eles defendem, de trazer o Barão para 2019 e atualizar o som da banda, é muito positivo. Gosto de todos os estilos e, para mim, a música boa é atemporal".
Publicidade
Em 'Viva', Suricato entra para um time de letristas que já incluiu Cazuza, na primeira formação. Faixas como 'Por Onde Eu For', do novo álbum, têm letra dele. O cantor diz que foi uma transição mais ou menos tranquila. "Eu já tinha uma história como letrista, faço meu próprio texto", conta. "Quando comecei a trabalhar com eles no estúdio, quis ver como era o processo criativo, como eles trabalhavam. E o Barão sempre se preocupou com o futuro, com romper a imagem do casaco de couro, do roqueiro com cara de malvado".
Tem que ter novidade
Publicidade
A nova formação do Barão começou a acontecer após uma conversa de Guto com Frejat em que o guitarrista disse que não pensava num retorno da banda. "Ele via mais o Barão como uma banda para se reunir em datas comemorativas, achava que a banda não tinha mais nada para gravar", conta o baterista.
Liberado pelo parceiro para ficar com o nome do Barão, convidou o tecladista e também fundador Mauricio para entrar na formação ("ele tinha que voltar ou o Barão acabava", conta Guto) e reativou a formação com Rodrigo Santos (baixo) e Fernando Magalhães (bateria). Peninha, o percussionsta, morreu em 2016.
"Começamos a procurar quem seria o cantor. O Rodrigo queria cantar, mas ele já cantava músicas do Barão em carreira solo, não teria novidade", conta Guto, que já pensava em Rodrigo Suricato para o papel, e depois descobriu que Mauricio também admirava o atual vocalista. "Rodrigo é filho temporão e os irmãos mais velhos dele eram fissurados no Barão. Fizeram uma lavagem cerebral nele e ele era obrigado a ouvir a gente", zoa. "Ela já respirava isso, só não fazia parte da banda".
Publicidade
A formação nova já passou por mudanças - Rodrigo Santos preferiu focar na carreira solo e deu lugar a Marcio Alencar, na banda desde 2017. As modificações ocorreram também nos bastidores do grupo. Após vários anos contratado da Warner (antes, passou pela Som Livre), o Barão hoje é uma empresa independente, da qual todos os integrantes são sócios.
"O Barão é um nome forte e a gente sempre foi honesto com a música. Nunca brincamos de fazer música, nunca fomos um produto fake de gravadora. É uma banda de quem ama rock e gosta de ir para a estrada. A parada é essa, não tem nada de mentira. Eu quero verdade, não quero robô me curtindo", conta. Os investimentos para colocar o Barão na estrada partiram do próprio grupo e precisam de retorno. "Queremos um bom ritmo de trabalho, mas é bem diferente de ter uma multinacional despejando dinheiro. E o Brasil está parado, quebrado", afirma.