Rio - Em busca da valorização dos gêneros trap e funk, o Spotify criou uma iniciativa para transformar a playlist "Creme" em uma exposição interativa, durante o mês de agosto, na cidade de São Paulo. Em conversa com o DIA, Carlos Costa, editor de música da plataforma de streaming no Brasil, dá detalhes sobre o projeto e ainda explica como as colaborações entre diferentes artistas têm contribuído para diminuir a marginalização destes ritmos urbanos.
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"Ao criar o projeto, nós pensamos em fazer uma espécie de materialização da playlist 'Creme', que mistura os universos do trap e do funk e promove um encontro entre esses dois gêneros, que estão cada vez mais em alta nesses últimos três anos", detalha Carlos sobre o evento, que ocorrerá na Praça das Artes, entre os dias 11 e 20 de agosto.
"Notamos o sucesso de inúmeras produções desses artistas, que lideram, constantemente, o ranking de músicas mais ouvidas do Spotify. E foi assim que resolvemos trazer toda essa movimentação que acontece dentro da plataforma para o 'mundo real', buscando uma conexão com os fãs desses ritmos, que crescem cada dia mais", acrescenta.
Após ser questionado sobre como os dois gêneros, ainda bastante marginalizados, conseguiram alcançar novos espaços e, até mesmo, o respeito da grande mídia, o editor de música afirma que as parcerias entre esses artistas e grandes astros do sertanejo, forró e pop foram fundamentais para essa conquista.
"Certamente as colaborações entre artistas do trap e do funk com artistas de outros gêneros contribuíram para mudança desse panorama. Parcerias como, por exemplo, Marília Mendonça e Xamã, MC Don Juan e Tarcísio do Acordeon, MC Cabelinho e Ludmilla são grandes fatores para que esses estilos urbanos tenham chegado ao patamar de hoje. Ou seja, para a conquista dessa ascensão, pois os feats ajudam a ampliar o público alcançado", opina o especialista, que ainda classifica os cantores Kayblack, Veigh, Vulgo FK e Filipe Ret como grandes destaques do estilo musical.
"Conseguimos ver que alguns desses nomes, mesmo mais novos, também alcançam o topo das paradas. Percebemos, igualmente, que muitos dos artistas começaram sua história em outros estilos e depois enveredaram para o caminho do funk e do trap, transitando entre diferentes colaborações e fixando-se entre os 30 mais ouvidos do ranking semanal do Spotify Brasil", aponta.
Carlos Costa ainda revela ter grandes expectativas com o evento, que visa promover o reconhecimento desses artistas para além do streaming. "Na imprensa, a gente vê mais matérias apresentando esses cantores, que já possuem uma grande relevância na plataforma, mas que ainda não são reconhecidos pelo grande público. Então, esperamos trazê-los para uma experiência em que os fãs e aqueles que ainda não são fãs possam ser impactados por sua arte. Nós queremos deixar claro o valor do funk e do trap como movimentos culturais brasileiros", ratifica.
A imersão interativa criada pelo Spotify será gratuita, mas para assistir as apresentações musicais, que acontecerão no primeiro sábado (12) e no último domingo (20) do evento, será necessário comprar o ingresso através do site Ingresse. Nestes dois dias, artistas como Orochi, Oruam, Mc Ryan SP, Mc Dricka e MC Marks, entre muitos outros, subirão ao palco para agitar o público durante cinco horas. "Será uma experiência pioneira para ouvir e celebrar aqueles que integram a cena do trap e funk e demonstram a enorme diversidade urbana do Brasil", garante Carlos.
Reportagem da estagiária Esther Almeida sob supervisão de Tábata Uchoa
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