Integrantes das duas parcerias escolhidas pela Mangueira em eliminatória realizada no AmapáDivulgação
A disputa, que contou com a participação de seis parcerias do Amapá, foi transmitida ao vivo pelo Youtube da Mangueira. De acordo com a direção da escola, os compositores vão receber uma ajuda do governo do estado do Amapá para financiar os custos da competição e a vinda ao Rio, para a grande final.
A presidente da agremiação, Guanayra Firmino, celebrou o evento. "É muito bonito e potente ver a entrega do povo do Amapá ao nosso enredo, ao carnaval, ao samba."
A festa, que teve apoio do governo, também contou com apresentações de grupos locais e um show da cantora Karinah, musa e madrinha do programa social da escola.
Mestre Sacaca tornou-se um personagem brasileiro de profundos saberes sobre o manuseio de ervas, seivas, raízes e elementos que compõem a Amazônia Negra amapaense. Utilizava seus conhecimentos no tratamento de doenças e do cuidado comunitário por meio de garrafadas, chás, unguentos e simpatias. Por isso, também ficou conhecido como "doutor da floresta" em diferentes cidades das terras Tucujus, expressão oriunda de um grupo indígena que habitava essa região, e que atualmente é utilizada para se referir ao povo desse estado.
Era você, no meio de nós
Eu sou mangueira, na magia da floresta
A sabedoria que respeita a terra
O vento sopra o transe do pajé
Rompe a meia-noite, é ritual turé
Fumaça de tawari, o xamã babalaô
Num gole de kaxixi encantos revelou
Maré me leva nas águas do curipi
De quem sempre esteve aqui, waiãpis e caripunas
Pelo jari, esperança em cada olhar
Ribeirinho nunca deixa de sonhar
Entre os furos e buritis
Risca o amapazeiro, põe a seiva na cachaça
Cura o corpo, curandeiro, benzedeira cura a alma!
Preto velho "engarrafou" riquezas naturais
"caboco" não se esqueça dos saberes ancestrais!
Bebericando gengibirra com o mestre
"mar abaixo" "mar acima", a gente segue
Saia florida,"sá dona", no curiaú
A fé "encruza" no "em canto" tucujú
"é de manhã, é de madrugada"
"é de manhã, é de madrugada"
Couro de sucuriju no batuque envolvente
Quilombola da amazônia jamais se rende!
Eu vi... Em cada oração o corpo arrepiar
Bandeiras vibrando à luz do luar
Tambores se encontram cantando em louvor
Senti os sabores, aromas e cores
Nas mãos que moldam nossos valores
"meu preto", da mata és o griô!
Ajuremou, deixa ajuremar
O samba é verde e rosa e guia meu caminhar
Ajuremou, deixa ajuremar
Cuidado, chegou mangueira, na ginga do Amapá
Eu trago a força ancestral Do Povo da floresta
Banzeiro de memórias
Navegam as histórias
Onde meu país começa
Remei, Remei a maré me levou
Pra revelar o que não vês a olho nu
Todo encanto Tucuju
Tem mandinga verde-rosa
Na Estação Primeira
Mangueira vem sambar
Benzi tua bandeira
Nesse "Rio" caudaloso de fé
Desce o morro banhada de axé
Contra todo o mal tem garrafada
Ervas e Flores pra dores curar
Tiro quebranto nas mãos sagradas
Lição de Preto Velho, Saravá!
Xamã, Doutor, Guardião, Babalaô
Saberes vibrando no tambor
Tem Marabaixo no "Encontro" ao luar...
Encantado folião na passarela
Coroado Rei do Laguinho à Favela
Mangueira chamou: "Sacaca!"
Minha voz ecoou na mata!
O meio do mundo é a nossa aldeia
Incorporou! A Amazônia é negra!

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