Donato Nunes, vice-presidente da União da Ilha, rompeu com o presidente Ney Filardi (à direita)Montagem com fotos de Reprodução / Redes sociais

Faltando menos de cinco meses para o Carnaval 2026, o clima azedou na diretoria da União da Ilha, da Série Ouro. Nesta segunda-feira (1º), o vice-presidente da escola, Donato Nunes, surpreendeu o mundo do samba ao divulgar um comunicado em que expõe uma série de insatisfações e divergências com o atual presidente da escola, Ney Filardi.
No texto, Donato afirmou que, nos últimos anos, empregou "recursos próprios" para "viabilizar desfiles" e outras responsabilidades, "sempre de forma discreta". O vice-presidente citou, ainda, um "acordo", que não teria sido cumprido, em que ele cuidaria do desenvolvimento do carnaval e Filardi ficaria com a parte administrativa da quadra.
"Fui impedido de assumir a gestão como vice-presidente, não tive acesso à sala destinada à vice-presidência, tampouco fui anunciado como tal no desfile da Sapucaí. Também fui impossibilitado de acessar a documentação financeira da escola, o que comprometeu minha capacidade de continuar ajudando", reclamou o vice.
O desabafo de Donato, que incluiu, também, outros pontos relacionados aos bastidores da escola, terminou informando aos torcedores o afastamento da administração e do carnaval 2026.
Horas depois da postagem, a diretoria da União da Ilha publicou uma nota oficial rebatendo as acusações, sem, no entanto, se aprofundar. O presidente limitou-se a dizer que as críticas "não condizem com a situação exposta."
"A nota citada do vice-presidente deveria ser dirigida em conformidade com o estatuto da escola ao presidente do Conselho Diretor, com cópia ao Conselho Deliberativo. Quanto ao mérito da mesma, deixo de combater as afirmações até que haja um direcionamento oficial. E, quando isso acontecer, falarei sobre tudo do início ao fim. Desde já, sem chamar ninguém de mentiroso, afirmo que estas não condizem com a situação exposta", rebateu Filardi.
Confira a nota publicada pelo vice-presidente na íntegra:
"Prezados amigos e amigas da nossa amada União da Ilha,
Diante dos recentes acontecimentos, sinto-me no dever de esclarecer alguns pontos e comunicar decisões importantes sobre o meu afastamento da escola. Desde que comecei a frequentar nossa agremiação, meu compromisso sempre foi contribuir de forma genuína para recolocar a União da Ilha no lugar de ontem nunca deveria ter saído, movido pela paixão pelo samba e pela nossa escola, coloquei-me à disposição com verdade, respeito e dedicação.
Como insulano, ver a União da Ilha no grupo de acesso sempre me incomodou profundamente, por isso mesmo sem grande familiaridade com os bastidores do carnaval, firmei uma parceria com o atual presidente com o objetivo comum de devolver à escola seu lugar no Grupo Especial.
Ao longo desses anos, contribuí com recursos próprios para viabilizar os desfiles, como: carros de som, equipe de carnaval, adereços, fantasias, carros alegóricos, estrutura da quadra, transporte para ensaios e desfiles, entre outras ações - sempre de forma discreta, sem buscar reconhecimento público.
Em reconhecimento a essa trajetória, fui convidado a compor a chapa como vice-presidente, convite que aceitei com entusiasmo, pois meu sonho é ver a União da Ilha gigante, campeã e respeitada.
Ficou acordado que, em 2025, o presidente assumiria a condução do carnaval enquanto eu ficaria responsável pela gestão administrativa da escola. Entre minhas metas estavam a reestruturação da agremiação, o retorno do ateliê à quadra, a modernização dos processos internos e a busca por parcerias empresariais - área em que tenho ampla experiência.
Ao longo de 2025, continuei contribuindo com recursos próprios, inclusive custeando o carro de som para os ensaios e apoiando financeiramente diversas despesas da escola, sempre com discrição.
Infelizmente, o acordo firmado não foi cumprido. Fui impedido de assumir a gestão como vice-presidente, não tive acesso à sala destinada à vice-presidência, tampouco fui anunciado como tal no desfile da Sapucaí. Também fui impossibilitado de acessar a documentação financeira da escola, o que comprometeu minha capacidade de continuar ajudando. Ainda assim, mantive minha palavra e meu compromisso, pois meu amor pela União da Ilha é maior que qualquer vaidade ou frustração.
Importante destacar que, ao longo de todos esses anos, nunca participei da escolha ou defendi qualquer samba dentro da escola, sempre acreditei que "vença o melhor" e que o povo deve cantar e decidir.
Diante dos fatos, comunico que não faço parte da organização do carnaval de 2026, tampouco das decisões administrativas da União da Ilha.
Coloco-me à disposição do conselho e da diretoria para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.
Com respeito, transparência e amor pela nossa escola, Donato, vice-presidente do G.R.E.S. União da Ilha do Governador"
Confira a nota publicada pelo presidente da Ilha na íntegra:
"O GRES União da Ilha do Governador, por mim representado, na condição de presidente, me dirijo a todos em função da nota publicada hoje (1º/9), na rede social do atual vice-presidente, Donato Nunes, para os seguintes esclarecimentos.
A nota citada do vice-presidente deveria ser dirigida em conformidade com o estatuto da escola ao Presidente do Conselho Diretor, com cópia ao Conselho Deliberativo. Quanto ao mérito da mesma, deixo de combater as afirmações até que haja um direcionamento oficial. E, quando isso acontecer, falarei sobre tudo do início ao fim.
Desde já, sem chamar ninguém de mentiroso, afirmo que estas não condizem com a situação exposta. Sem mais para o momento.
Atenciosamente,
Sidney Filardi, presidente"