Rafael Ilha diz em entrevista que Faustão salvou sua vida

Ex-Polegar revela como é chegar ao fundo do poço, ressurgir com ajuda de amigos e não guardar mágoas de ninguém

Por tabata.uchoa

Rio - Durante dois anos, as noites de terça-feira de Rafael Ilha foram reservadas para um encontro na casa da jornalista Sonia Abrão. O jantar era servido e em seguida, longas horas de bate-papo. Na pauta, um resgate do passado do cantor, ator e repórter de TV para a compilação de sua biografia. Sem cortes.

Intitulado “Rafael Ilha – As pedras do meu caminho”, o livro conta a trajetória do menino prodígio que conquistou uma legião de fãs, sucesso, milhões de discos vendidos e viu tudo isso ruir em função das drogas e de sua dependência química. “A história da minha vida finalmente foi colocada no papel e ainda vai virar um filme”, adianta o ex-Polegar, em conversa com o iG Gente.

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A bateria de entrevistas à apresentadora do “A Casa É Sua” foi uma tarefa árdua e carregada de emoções. “A gente chorou junto. Retormar algumas passagens foi difícil, mas finalmente pude contar minha versão. É a minha posição, sem interferências externas. Vou revelar o que estava escondido no sótão.”

Rafael chegou na casa dos 40 e diz que quando olha para trás, percebe que está no auge de sua maturidade. Para ele, 2015 é um ano especial. Sua filha nasceu, a biografia está prestes a ser lançada e ainda ele estuda o projeto de um longa-metragem com direção de Lucas Margutti. E não para por aí: Rafael volta ao mercado musical com um CD em parceria com Alex Gill.

Mas nada disso seria possível se não estivesse limpo e livre das drogas há 15 anos. “É muito difícil sair, mas dá! Sou um exemplo vivo disso. Cheguei a fumar 70 pedras de crack por dia, tive nove overdoses, quatro paradas cardíacas e passei por 30 internações. Foi uma luta para largar o vício, minha família foi destruída. Mas consegui e dei a volta por cima.”

A capa da biografia 'Rafael Ilha - As pedras do meu caminho'Reprodução

A fama precoce não foi a porta de entrada para o mundo da dependência química, ele acredita. E sim a curiosidade. “Eu não acho que foi o meio artístico que me apresentou as drogas. Tive o primeiro contato aos 12 anos. Comecei a levar cerveja escondida na baladinha, depois um baseadinho e com 15 anos, uma namorada mais velha me apresentou a cocaína”, relembra Rafael, que já foi par de nomes como Cristiana Oliveira.

Foi aí que veio a primeira internação. E com isso, lembranças fortes e um desabafo sincero: “Não existia clínica de reabilitação. Os dependentes químicos iam parar em hospitais psiquiátricos. Tomei choque, fui amarrado e recebi tratamento dos piores”. Parece que não foi o bastante para aprender a lição. Entre idas e vindas a essas instituições, Rafael chegou ao fundo do poço. Morou quatro meses embaixo de um viaduto. Desse tempo, um pequeno relato: “Ninguém está na rua porque quer e sim porque é escravo da droga e pensa 24h em como consegui-la. É fogo, tem treta toda hora, crocodilagem, paulada enquanto você está dormindo. Não dá para bobear um minuto”.

O ultimato aconteceu quando revirava o lixo de uma lanchonete em busca de comida. “Encontrei um pedaço de cachorro quente, e antes de morder, me bateu um sentimento de revolta. Foi aí que eu coloquei na cabeça que não dava mais para mim.” Hoje guiado por sua fé, ele acredita na trasnformação de um homem e em milagres. “Comigo aconteceu um monte deles.” E dá valor às coisas simples da vida. “Gosto de ficar com a minha mulher, jogar futebol com meu filho, brincar com a minha bebezinha ou mesmo subir na ponte estaiada e olhar a cidade. Sou apaixonado por São Paulo”, resume.

Os amigos foram essenciais no processo de reabilitação. Poucos sabem, mas o apresentador Fausto Silva, quem escreveu a orelha de sua biografia, correu atrás de um tratamento de ponta quando ele mais precisou. "Faustão salvou a minha vida", revela. Zezé de Camargo e Luciano também prestaram sua solidariedade e contribuíram para Rafael montar uma clínica no litoral paulista. “Cada um ajudou de uma forma. Serei eternamente grato a eles.” Mágoas não guarda de ninguém. É assunto para deixar de lado: “A mágoa corrói a gente por dentro”.

Rafael deixa claro que não se incomoda em relatar nenhum episódio de sua vida. Por mais difíceis que tenham sido, como as prisões e a tentativa de suicídio – ele chegou a cortar o pescoço com um caco de vidro. "Não adianta se arrepender do que ficou no passado. Dinheiro, trabalho e família são recuperáveis, mas os 13 anos que perdi com as drogas, esses sim não têm volta. Nem um milionário consegue comprar o tempo e hoje esse tempo é muito precioso para mim", explica. Mas uma coisa o tira do sério: “São as pessoas que falam sem saber e julgam sem conhecer os fatos”.

Em sua penúltima passagem pela polícia, em 2014, Rafael e a mulher, Aline Kezh, foram detidos sob acusação de tráfico internacional de armas. Os dois foram soltos perante o pagamento da fiança de R$ 55 mil por Elias Abrão, irmão de Sônia e dono da produtora Câmera 5, responsável pelo programa da jornalista exibido na Rede TV!. “O Elias me conhece desde o tempo do Polegar, ele que gravou meus primeiros clipes.” À época da soltura, quando questionado pela imprensa se mandaria Rafael embora, Elias foi categórico: “Não, Rafael vai ter que me pagar!” Bom, com emprego garantido e vida financeira saudável, como afirma, é só uma questão de tempo.

Reportagem: Renata Reif

Fonte: iG

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