Rio - "Entre aqui e ali". É assim que a brasileira Gabriella Lima, que mora há uma década na França, se sente. Para expressar essa sensação de 'fronteira com os dois países', a cantora e compositora, de 37 anos, lançou o segundo álbum da carreira, "Sabor Solaire", já disponível nas plataformas digitais. Natural de São Paulo, a artista conta que o disco bilíngue - em português e francês - reflete uma fase mais "solar" da sua vida, principalmente pelo cenário paradisíaco em que foi composto, Maldivas.
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"Esse álbum está muito mais solar, mais leve. Primeiro, por eu estar nessa fase. Mas porque ele foi quase inteiramente composto num retiro artístico que eu fiz nas Maldivas por três meses", diz Gabriella, que trabalhou no país cantando em um hotel. Como os shows eram à noite, a brasileira aproveitou para escrever as letras e curtir a vibe praiana. "Não podia não ser um disco com esse calor, com gosto de sol, sal, mar. Eu vivia isso diariamente".
Lançado no início deste mês, "Sabor Solaire" tem nove músicas, entre elas "Se Chamar Eu Vou", "Entre Ça et Là (Frontière)" e "Mistério (Mystère)", e participações de artistas como Vanille, Leo Middea e Jules Jaconelli. O novo projeto também terá uma faixa bônus track, que deve ser lançada em maio. "É uma versão nova bem brasileira de uma faixa inteiramente em francês que já está presente no disco", adianta a cantora.
Após anos entoando músicas de outros artistas, Gabriela comenta como foi compor as próprias canções. "Eu sempre quis, mesmo quando eu não sabia compor. Porque compor para mim foi um exercício de aprendizado, não nasci sabendo escrever, nunca tive facilidade para compor. Então, foi algo que eu realmente aprendi porque quis", declara.
Além de português, ela passou a escrever canções em francês. "Senti muita necessidade de me fazer entender. Para mim é muito importante que as pessoas entendam o que eu tenho para falar. E aqui na França não acontecia. Eles entendiam por outras maneiras, porque uma música tem outra maneira de se tocar", relembra, ao detalhar como aprendeu o idioma.
"Igual aprendi em português. Eu comecei a estudar, a ler em francês e a buscar no meu curso literário. Fiz um curso de escrita na composição francesa, com grupos de outros artistas que me encorajaram. Essa troca foi enriquecendo muito o meu trabalho. Fui buscar vocabulário", relata a compositora.
Com o álbum bilíngue, Lima uniu expressões da 'língua portuguesa' com a 'língua do amor'. "Os (idiomas) se somam. O brasileiro é muito literal. Essa licença poética que a gente tem no Brasil, o entre lá, entre cá, palavras que não querem dizer nada, mas no final querem dizer alguma coisa, isso não existe aqui (na França). Então, eu fui usar a partir do que eu tive que transformar. Mas eu acabei usando isso é o meu favor. Então, por eu ser brasileira, eu uso palavras e expressões que não surgiriam em francês".
Diferença do público brasileiro e francês
Como o lançamento foi recente, Gabriella ainda está no processo de entender a recepção do público, mas diz que já recebeu feedbacks positivos: "As primeiras impressões é que está super legal, está todo mundo curtindo muito, muito elogio, muitas mensagens de carinho, e eu estou muito animada com isso", vibra.
Ao se apresentar no palco, a artista percebe a diferença entre o público brasileiro e o francês. "Hoje, eu entendi o público francês, sabe? Mas é muito difícil quando você não conhece. Você acha que eles não estão gostando. Tem todo um silêncio total. O artista precisa ter esse retorno. O que você dá, você recebe. E o que você recebe, você dá mais. E essa energia do show, que é uma delícia que acontece no Brasil, aqui na França não [tem]. Eles ficam em silêncio. E é um público mais difícil de conquistar. Mas quando você consegue, eles são muito fiéis e respeitosos".
'Quero ter uma agenda de shows para cumprir'
A artista revela que tem planos de se apresentar no Brasil com "Sabor Solaire". "Agora a gente está fazendo apresentações na França, tem os shows marcados aqui. Mas assim que terminar a agenda aqui, vou fazer uma pausa na agenda no final de maio eu vou pro Brasil", fala Gabriella, que relembra como foi bem recebida ao migrar para o país estrangeiro: "Na minha área só me abriu portas o fato de ser brasileira... Isso foi um dos motivos pelo qual eu decidi ficar".
Gabriella comenta que pretende se dedicar a projetos relacionados ao novo álbum. "Agora eu vou ter um show de lançamento no final de maio muito importante que vai acontecer aqui na França é um show que vai ser gravado e eu penso em lá para frente lançar algo em relação a esse evento", analisa.
Ela também entrega seu maior sonho profissional: "Poder rodar uma agenda de shows, ter um público que vai estar ali,...ter data de shows, porque onde eu sou mais feliz é no palco. O que eu mais quero é ter uma agenda de shows para cumprir".
*Reportagem da estagiária Mylena Moura, sob supervisão de Isabelle Rosa