Rio - Nikolly Fernandes, de 19 anos, teve o incentivo da família para seguir em busca dos sonhos assim como sua personagem Stephany em "Dona de Mim", da TV Globo. No folhetim de Rosane Svartman, a irmã de Leona (Clara Moneke) e neta de Yara (Cyda Moreno) quase desiste da faculdade de enfermagem para ajudar nas despesas da casa, mas muda de ideia ao receber o apoio das familiares.
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"A carreira artística demanda muito tempo de estudo e dedicação, mas, graças a Deus, a minha família sempre apoiou meu sonho. Além disso, se redobraram para fazer esse sonho se tornar realidade. Nunca me deixaram pensar em desistir porque sempre perceberam como a arte me fazia feliz. Nisso eu me identifico muito com a Stephany, já vi minha família deixar de lado muitos desejos pessoais para realizar o meu e por isso agora sei a importância que é ter uma base e apoio familiar, assim como a a Leona e Yara são para a Stephany", comenta a artista.
E como a vida imita a arte, as coincidências não param por aí. Assim como estudante, Nikolly tem uma irmã mais velha, a também atriz Jeniffer Dias - conhecida por trabalhos na novela "Novo Mundo" (2017) e na série "Rensga Hits" (2022–2025), do Globoplay. Ela conta que se inspirou na relação das duas para construir a personagem. "O apelido 'mirmã', que eu e Clara usamos na cena, vem do jeito como eu e Jeniffer nos chamamos no nosso dia a dia. Temos muita cumplicidade e apoio acima de tudo".
"Sou fã número um da mulher que eu chamo de irmã, a atriz que mais me inspira e me transforma é a Jeniffer Dias. E acredito que a Stephany nutre o mesmo sentimento pela Leona. Ela a tem como maior referência de força e independência feminina, assim como ela espera ser no futuro. Acredito até que muito da personalidade da Stephany vem do que a Leona foi e é", diz Nikolly.
Na trama, Stephany, Leona e Yara nutrem uma relação de muito amor e cuidado. A atriz, então, destaca que a parceria em cena também acontece atrás das câmeras. "Nós somos muito grudadas nos bastidores. Criamos uma conexão de almas mesmo e digo até que me sinto mais segura quando sei que estaremos juntas nas gravações. Sinto como se tivéssemos achado um porto seguro uma na outra. É o dia inteiro com muita troca de afeto. Além das cenas eu chamo a Clara de 'mirmã' e a Cyda de 'vó'. Somos família", conta.
Os colegas de trabalho, inclusive, são inspirações para Fernandes. "Minhas maiores referências nesse trabalho com certeza são Cyda e Vilma [Jussara], elas me transformam muito no dia a dia, como mulher negra, como pessoa e como artista. Me inspiram a ser uma atriz melhor. E eu sou uma pessoa muito observadora, já fui ao estúdio mais de uma vez, mesmo estando de folga, apenas pra ver Tony Ramos e Claudia Abreu em cena. Minha presença cênica e minha naturalidade no trabalho tem melhorado muito graças a oportunidade que estou tendo de contracenar com esses grandes profissionais".
"Dona de Mim" é o primeiro trabalho de Nikolly no audiovisual, e ela não esconde a felicidade com o papel. "É um turbilhão enorme de sentimentos, mas não posso negar que sinto um alívio. E sinto isso porque como uma artista mulher e negra é quase impossível se imaginar realizando um sonho como esse. De estar em uma novela tão grandiosa, que carrega tantos nomes de peso, não só na frente das telas como na equipe também. Estar fazendo um produto da Rosane (Svartman) e sendo dirigida pelo Allan (Fiterman) e equipe, interpretando uma personagem tão carismática e potente com 19 anos, mesmo tendo 13 anos de estudo da profissão, me deixa em um êxtase enorme. E também existe um frio na barriga, sinto que tem tanta coisa em jogo. Mas já o levo como o trabalho da minha vida", destaca.
A intérprete da estudante de enfermagem também celebra a diversidade nas telinhas. "Estamos em uma fase linda e transformadora, a beleza de ligar a televisão e ver três protagonistas negras fazendo personagens com personalidades tão diferentes e de forma tão talentosa só mostra o quanto temos potência e que o ator negro pode ocupar qualquer espaço e representar bem qualquer vivência! Nós precisávamos disso, estávamos sedentos para mostrar o que sabemos fazer e muito bem", acredita.
Carreira artística
Além de atriz, Nikolly é dançarina e formada em canto e piano pela escola Villa Lobos. Com tantos talentos, a artista analisa qual caminho artístico pretende trilhar. "Carrego mais de um dom artístico pois por ser uma mulher preta, minha mãe sempre me orientou que era importante ter um currículo potente, claro, fazendo o que eu amo. Mas o meu foco é sim a carreira de atriz pelo jeito como o teatro mexe a cada dia mais comigo e alimenta a minha alma. Sou muito realizada nos sets de gravação e nos palcos de teatro. Ainda mais porque com os meus personagens eu posso cantar, dançar… fazer de tudo um pouco. Acredito na verdade que amo a arte de várias formas. Mas a atuação, que é a minha profissão, e a música, que é algo que eu amo, vão sempre me reger. A dança eu não penso em levar como carreira, mas me faz muito feliz", avalia.
Natural de Niterói, no Rio de Janeiro, ela iniciou no teatro em um projeto social, em que interpretou a personagem Emília Preta no clássico "Sítio do Picapau Amarelo", com apenas 6 anos. Ainda nos palcos, integrou os espetáculos "LOVE" e "Teatro dos absurdo".
Ao relembrar o início da carreira, Fernandes conta que sempre quis ser artista. "Foi algo que nasceu em mim, no meu sangue, na verdade no meu DNA. Minha mãe é bailarina, meu pai músico e minha irmã atriz, então eu não poderia seguir outro caminho. Puxei um pouquinho de cada um", fala, em tom descontraído.
A folia também está presente na vida de Nikolly - que é passista da Mangueira - desde a infância. "Eu cresci no Carnaval. Eu sou do Carnaval desde os 5 anos quando comecei a desfilar em escolas mirins. Desfilei em várias até conseguir desfilar com os adultos na 'escola mãe', como chamamos no Carnaval", diz ela, que detalha sua trajetória na Verde e Rosa, destacando a importância do Carnaval para toda a sua família.
"E uma das [escolas] mirins que eu desfilei foi a Mangueira do Amanhã. Quando fiz 18 anos, entrei para a ala de passistas da Mangueira onde integro até hoje, para orgulho de meu pai e da minha avó que são mangueirenses roxos, e da minha mãe Ana Paula. Por muito tempo o samba foi o 'ganha pão' da minha mãe e a renda da nossa família. Ela foi uma grande 'Passista Show', abrilhantou os desfiles da Beija-Flor por muitos anos e levava o samba como uma forma de resistência e expressão. A Mangueira é uma potência enorme, todo sambista é um pouco apaixonado por essa agremiação de muitas honras e glórias".
Planos profissionais
Após a novela, a artista pretende continuar se dedicando a atuação, em diferentes formatos. "O que eu quero mesmo é atuar. Colecionar personagens com distintas personalidades e aprender com eles também. Sou muito apaixonada por novela, quero muito continuar nessa vertente e ficar craque na atuação para esse gênero, porque estou amando a experiência de fazer um trabalho que representa a nossa sociedade de forma tão verdadeira e bonita. Mas também quero muito conhecer outros gêneros, fazer filmes, séries, e claro, não largar o teatro. A verdade é que se eu estiver trabalhando na minha área eu estarei feliz".
*Reportagem da estagiária Mylena Moura, sob supervisão de Isabelle Rosa