Rio - Natural de Gravatá, em Pernambuco, Alexandre Lino retorna aos palcos interpretando o personagem Waldisney, no espetáculo "O Porteiro - A Comédia", pelo projeto Giro Cultural da FUNARJ, em vários teatros do Rio, até o dia 22 de julho. A peça - que virou filme devido o grande sucesso, e atualmente está entre os mais assistidos do Prime Video -, traz ingressos a preços populares e gratuidade exclusiva para os profissionais da área que comprovarem atuação na área.
fotogaleria
"A gratuidade para os porteiros é, acima de tudo, uma homenagem com muito carinho, respeito e gratidão. Eles abriram o coração para contar suas histórias, sem pedir nada em troca, e foi esse gesto de confiança e afeto que construiu a alma do espetáculo", destaca Alexandre.
A produção traz uma experiência interativa, o que faz cada sessão única. O ator, então, adianta o que o público pode esperar da peça. "Uma verdadeira celebração das histórias reais de porteiros nordestinos que deixaram tudo pra trás em busca de um sonho e que agora ganham vida no palco com muito humor, emoção e verdade", diz ele.
"O mais incrível: cada dia é diferente! O público não só assiste, como participa da peça, sendo parte de uma divertida reunião de condomínio comandada pelo porteiro Waldisney. É como se você virasse morador daquele prédio e, claro, fosse levado às gargalhadas (e às vezes às lágrimas) com situações tiradas do nosso dia a dia. É teatro com alma, riso solto e uma troca genuína com quem está na plateia", acrescenta.
A temporada foi inspirada pelo Dia do Porteiro, comemorado nesta segunda-feira (9). Lino destaca que nesta data, faz questão de conversar e ouvir mais histórias dos profissionais que o inspira. "Ouço novos causos - e olha que não faltam histórias boas e engraçadas! Sempre que algo me toca, levo pro palco. Porque essa peça é viva, feita de trocas reais, e cada sorriso ou emoção do público tem um pouco dessa parceria que se mantém firme até hoje".
Para construir o personagem da produção, que estreou em 2017, o ator fez uma pesquisa de campo aprofundada. "Um processo de muita escuta, afeto e respeito. Eu e o autor e diretor Paulo Fontenelle saímos às ruas, conversamos com vários porteiros nordestinos aqui no Rio e criamos laços reais de amizade. Cada história compartilhada com a gente virou combustível para contar essa história com verdade", comenta.
"Me conectei de forma profunda porque também sou um retirante nordestino, e sei o que é chegar numa cidade grande em busca de recomeço. Ser porteiro é um dos caminhos mais comuns e dignos nessa trajetória – e dar visibilidade a esses homens é uma forma de homenagear tantos guerreiros anônimos que fazem parte fundamental da vida urbana do Brasil. Mesmo sem nunca ter trabalhado em uma portaria".
De uma maneira bem-humorada, o espetáculo traz a realidade de muitos nordestinos que migram para outras regiões do país - principalmente o sudeste - para encontrar melhores oportunidades. Como também é nordestino e chegou no Rio em 1993, Alexandre se inspirou na própria história para viver Waldisney.
"A caminhada não foi fácil. Trabalhei de garçom, animador de festas, atendente de lanchonete e telemarketing, sempre cercado de conterrâneos que, como eu, estavam tentando construir um novo caminho e trocando experiências inspiradoras. Essas vivências foram fundamentais para dar vida ao porteiro Waldisney. Eu reconheço nele o esforço, o bom humor e a resistência de muitos nordestinos que encontrei pelo caminho. O personagem é uma homenagem a esse povo que batalha todos os dias, muitas vezes sem reconhecimento - mas que carrega uma grandeza imensa nas pequenas coisas", conta.
O filme
Protagonizado por Lino, o filme "O Porteiro" tem no elenco nomes como Maurício Manfrini, Suely Franco, Cacau Protásio, Andrea Veiga, Juliana Martins, Rosane Gofman, Heitor Martinez e Aline Campos. "Foi praticamente uma festa em cena! Reunir esse elenco foi como juntar uma família cheia de talentos, histórias e afeto", afirma o ator.
O longa de 2023, inclusive, está disponível na plataforma de streaming Prime Vídeo. "É uma história simples, cheia de afeto, que fala de gente comum com humor, respeito e muita alma. E isso toca as pessoas — porque todo mundo já teve um porteiro amigo, já viveu uma reunião de condomínio maluca ou ouviu histórias de confusão parecidas e já teve seus recomeços. Além disso, o elenco tem uma química real, de amizade mesmo, e o público percebe e gosta disso. O Waldisney, com toda sua ingenuidade e coração, lembra muito os personagens do Mazzaropi — figuras populares que a gente abraça de imediato. É isso: um filme que diverte, emociona e representa. E o Brasil gosta de se ver de forma leve, mas com verdade".
Lançamento de livro
No segundo semestre, o artista lança o livro "O Artista Empreendedor", baseado no curso e palestra que criou. "O livro nasceu da vontade de compartilhar algo que aprendi na prática: carreira artística, talento e vocação são só o começo. Para seguir em cena, é preciso também saber se mover como realizador. Nem toda pessoa tem potencial empreendedor, mas pode se arriscar. Viver é um risco", analisa.
"Baseado na palestra e no curso que criei, o livro propõe uma análise temporal e conterrânea da atividade. A ideia é mostrar que o artista precisa deixar de ser apenas um “esperador de oportunidades” e passar a ser protagonista da própria trajetória. Isso significa aprender a se planejar, produzir, se comunicar com o mercado e tomar decisões com estratégia — sem renunciar à sensibilidade artística. Não é uma proposta motivacional nem fórmula mágica, mas um retrato da realidade. O mercado artístico é instável e competitivo, e quem não se estrutura acaba ficando pelo caminho", completa ele, que também é autor do livro "Nordestinos – Histórias de vidas, histórias reais".
Planos profissionais
Alexandre está envolvido em outros projetos entre esse ano e 2026. "Vem muita coisa boa por aí, graças a Deus! Tem a estreia do filme "A Miss", de Daniel Porto, e ainda este ano seguimos com o curta "Chemsex" em circuito de festivais no Brasil e lá fora. Também estão no radar o lançamento nos cinemas dos longas "Mariana" e "Marido de Aluguel", de Paulo Fontenelle, onde tenho um reencontro com Maurício Manfrini, o Paulinho Gogó, numa comédia incrível. No teatro viajarei pelo Brasil com "O Porteiro" e se conseguir estreio novo espetáculo. Estou animado demais com tudo que vem chegando e mal posso esperar para dividir com vocês".
Serviço - Mês de junho:
"O Porteiro" 09/06 (Segunda): Teatro Arthur Azevedo (R. Vítor Alves, 454 – Campo Grande), às 20h 14/06 (Sábado) – Teatro Armando Gonzaga ( Av. Gen. Osvaldo Cordeiro de Farias, 511 – Mal. Hermes), às 20h 25/06 (Quarta) – Teatro Glaucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, s/n – Copacabana), às 20h 27/06 (Sexta) – Teatro Raul Cortez (Praça do Pacificador, s/n – Centro – Duque de Caxias), às 20h Ingresso: R$ 5
*Reportagem da estagiária Mylena Moura, sob supervisão de Isabelle Rosa