Trapper, Oruam foi considerado uma das maiores revelações do gênero em 2022Reprodução / Redes sociais

Rio - O nome do rapper Oruam, de 23 anos, tomou conta das redes sociais nesta terça-feira (22), após a Justiça do Rio de Janeiro decretar sua prisão preventiva. Filho de Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho, o artista foi indiciado por crimes como tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato e lesão corporal. Segundo a Polícia Civil, ele teria impedido a apreensão de um menor infrator na porta de sua casa, no bairro do Joá, Zona Oeste da capital fluminense.

Desde a divulgação do mandado, o caso se tornou um dos assuntos mais comentados no X (antigo Twitter), polarizando opiniões entre apoiadores e críticos do artista. Enquanto alguns internautas o acusam de glorificar a criminalidade, outros o enxergam como um alvo de perseguição do sistema penal.

De um lado, críticos classificam Oruam como um símbolo negativo, especialmente para os jovens da periferia. “Parem de defender Oruam. Ele não é exemplo de vida pra ninguém. Só reforça estereótipos que rotulam moradores de comunidade”, publicou uma usuária. Outro comentário ressaltou: “Tem gente que ainda bate palma pra ele? Um mimado que acha que pode tudo só porque é famoso”.

A indignação cresceu após o próprio rapper divulgar vídeos nos stories do Instagram, desafiando a polícia. Em um dos registros, já refugiado no Complexo da Penha, reduto do Comando Vermelho, ele provoca: “Aí! Eu quero ver você vir aqui, pô! Me pegar aqui dentro do complexo!”.

As falas acaloradas de Oruam e sua postura desafiadora intensificaram as críticas. O delegado Felipe Curi, secretário da Polícia Civil do Rio, foi taxativo ao comentar o caso. “Oruam é marginal, bandido, delinquente e criminoso. Um associado ao tráfico da pior espécie”, declarou, durante entrevista ao Bom Dia Rio. Segundo Curi, o artista ainda teria incentivado seus seguidores a se oporem à operação policial, impedindo que a ação fosse concluída.

Apesar das acusações, Oruam também recebeu uma onda de apoio, principalmente entre jovens periféricos e artistas da cena do rap. Para muitos, o rapper representa uma juventude marginalizada que vive sob constante vigilância e repressão do Estado.

“Ele é só um menino sonhador, revoltado com o sistema, e com inúmeras razões pra isso, mesmo sem conseguir controlar as emoções”, escreveu um seguidor. Outro internauta afirmou: “Oruam sofre discriminação por causa do pai. Essa revolta é o medo da covardia que ele sofre desde sempre. Quem viveu isso sabe o que é.” Questionamentos também surgiram em torno da abordagem policial. Usuários criticaram o fato de viaturas terem ido à casa do artista às 23h. “Ir na casa de alguém à noite, sem mandado de busca, é estranho”, comentou um perfil.

Nos stories, Oruam gravou o quarto supostamente revirado pelos agentes e se defendeu: “Tudo o que eu conquistei foi com minha música! Nós é artista, prra. Vai tomar no c!”, desabafou, visivelmente alterado.
O que diz a Justiça
Segundo o TJ-RJ, a prisão preventiva foi decretada para garantir a ordem pública e evitar novas ações que atentem contra a autoridade policial. “Os requisitos se fazem presentes, de acordo com os elementos probatórios”, escreveu a juíza Ane Cristine Scheele Santos. A defesa do artista informou que ainda não teve acesso ao inquérito e, por isso, não vai se manifestar no momento.
Oruam, cujo nome verdadeiro é Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, já havia sido preso em flagrante em fevereiro deste ano por abrigar um foragido da Justiça em sua residência. O artista também é investigado por outros episódios, como disparo de arma de fogo em condomínio e envolvimento com armas ilegais.