Thomás AquinoDivulgação / Lucas Seixas
Nas telinhas e telonas, Thomás Aquino analisa atual fase na carreira: 'De muita perseverança'
Ator fala sobre o filme 'Paterno', que estreia nesta quinta-feira (7), e do trabalho nas novelas 'Vale Tudo' e 'Guerreiros do Sol'; confira
Rio - Com papéis de destaque nas telinhas, telonas e streaming, Thomás Aquino, de 39 anos, vive uma boa fase profissional. O ator pernambucano está no ar em "Vale Tudo", da TV Globo, "Guerreiros do Sol", do Globoplay", e integra o elenco de longas como "O Agente Secreto", protagonizado por Wagner Moura, e "Paterno", com roteiro e direção de Marcelo Costa Lordello, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (7).
"Eu estou muito contente de ver que o meu foco e meu objetivo está se concretizando. Eu consigo avaliar essa fase como uma fase de muita perseverança, de estudo, de objetivo, de chegar onde eu cheguei. E eu ainda sinto que eu estou muito no início. É impressionante isso. Acho que pelo tesão que eu tenho de trabalhar, eu sinto que eu quero caminhar aonde quer que o trabalho me leve", analisa Thomás.
Em "Paterno", o artista interpreta Claudio, morador de uma área popular de Recife, que enfrenta o arquiteto Sérgio (Marco Ricca), envolvido em projeto imobiliário no região. Cheio de camadas, o personagem percebe o interesse da empresa em comprar imóveis, pede mais dinheiro do que foi proposto, para também conseguir se beneficiar.
"(Ele tem) Várias facetas, ideologias e se mostra humano por ter todas essas qualidades e alguns defeitos", reflete o artista. "O que eu acho inteligente nesse filme é que não tem heróis, existem pessoas, seres humanos. E como elas fazem para sobreviver, principalmente Claudio, que é um cara preto dentro de uma periferia que não vê uma possibilidade grande para o futuro", acrescenta.
Thomás ainda fala sobre a comunidade chamada Brasília Teimosa, citada no longa-metragem. "É muito antiga já na cidade, e tem proteção por lei, de que não poder ser construído nada como um viés de comércio. E ainda assim, há certas questões de corrupção que envolvem pessoas de grande porte financeiro para que possam construir suas questões privativas por cima dessas pessoas que ali habitam", comenta.
Além de especulação imobiliária, desigualdade social e corrupção, o filme aborda as relações familiares. Sérgio se vê dividido entre seguir o legado do pai - que está com a saúde muito debilitada e guarda um segredo - ou manter contato com o filho, Tomás, (Gustavo Patriota), que está prestes a se tornar adulto. "O filme retrata essa história de geração, do pai para filho e como esse pai se porta diante de tudo que aconteceu", adianta o artista.
Aquino elogia "Paterno" e acredita que o público vai se envolver com a história. "É um filme muito inteligente. Eu gosto de falar que ele tem dilemas inacabáveis. Ele perpassa por várias questões, problemas e mostra esse problema para o espectador. E é como se nós, espectadores, nos colocássemos nessa situação para que pudéssemos pensar e refletir sobre o que faríamos nesse contexto".
O longa-metragem foi escrito há 10 anos e gravado há 8. Mesmo assim, Thomás acredita que a história reflete a realidade de muitas cidades brasileiras. "Apesar de sua estreia em 2025, ele é atual", diz o artista, que não poupa elogios aos colegas de trabalho.
"Acho ele (Marcelo) um excelentíssimo diretor, de uma qualidade impressionante, e eu fui muito feliz de ter sido ele a me dirigir naquela época que foi o primeiro personagem que eu pude desenvolver, um personagem com mais nuances, mais falas. Então, ele foi muito delicado e atento a isso... E quando soube que ia contracenar com Marco, foi uma grande emoção, euforia, porque eu sabia que eu poderia aprender muito. E foi incrível o quão generoso ele foi com um ator desconhecido, de ter me ensinado e dado dicas. [...] A gente criou uma parceria tão boa que até hoje somos bons amigos", vibra.
'O Agente Secreto'
Outro longa estrelado por Thomás é "O Agente Secreto", protagonizado por Wagner Moura, que também ambientado em Recife. O ator vibra com a oportunidade de fazer parte de projetos que evidenciam a cidade natal, principalmente devido ao preconceito.
"É muito massa quando eu consigo fazer algum filme ou algum trabalho no nordeste, porque infelizmente ainda é uma região que sofre muita xenofobia, muito preconceito, e eu não entendo o porquê. Mas a gente tem características muito incríveis também, tal qual o Brasil tem, então somos grandes artistas, somos grandes poetas, somos grandes trabalhadores", analisa.
'Guerreiros do Sol'
E por falar em tramas que contam histórias nordestinas, o ator protagoniza o folhetim "Guerreiros do Sol", do Globoplay, junto com Isadora Cruz. Ele interpreta Josué, um sertanejo que se torna líder de um bando de cangaceiros. "Dar vida ao Josué foi muito incrível por falar sobre o cangaço. Eu que venho dessa região. Poder sentir o sertão com essa vestimenta, esse figurino da vida, baseada num dos grandes nomes da história brasileira, que é Virgulino Lampião, foi uma grande honra", celebra o artista, que também comenta a recepção do público: "Está tendo um feedback muito grande nacionalmente. Muitas pessoas estão me escrevendo, mandando mensagens, me reconhecendo nas ruas".
'Vale Tudo'
Já em "Vale Tudo", da TV Globo, o artista dá vida ao jornalista Mário Sérgio. Ele, então, comenta que devido o apoio dos profissionais, está se sentindo bem ao interpretar um personagem que já teve uma primeira versão - em 1988 - construída por Marcos Palmeira. "Estou achando muito interessante, é a minha primeira personagem em novelas e TV aberta. Eu estou achando um desafio gostoso, não estou com medo, não estou ansioso, estou sentindo bem, porque eu fui muito abraçado pela equipe".
Teatro e premiações
Thomás iniciou a carreira no teatro e recebeu três premiações nesse formato: no festival de Potiguar/RN de melhor ator, em 2010, com a peça "Cordel do Amor sem Fim", direção de Samuel Santos, e no festival Janeiro de grandes espetáculos de Pernambuco, como melhor ator "Cordel do Amor sem Fim" e melhor ator coadjuvante, "Nem Sempre Lila", peça do grupo Quadro de Cena, 2011/2012 respectivamente.
Por considerar que o teatro é "a escola", ele comemora o reconhecimento. "Eu acho que o teatro é fundamental para tudo. E eu ter tido esse reconhecimento de ganhar prêmios... foi ótimo saber que eu entrei num caminho que realmente estudo".
Projetos futuros
Para os projetos futuros, ele terá mais um marco na carreira ao integrar o primeiro trabalho internacional da carreira, na série "Man on Fire", da Netflix. Na produção, que ainda não tem previsão de estreia, o ator irá interpretar o antagonista Soares. "Meu personagem é brasileiro, fala português, inglês e contracena com pessoas de Hollywood… é uma produção 'Hollywoodiana' também. Então estou muito contente com isso e espero que seja um projeto bem recebido também".
*Reportagem da estagiária Mylena Moura, sob supervisão de Isabelle Rosa





