Marieta Severo compara ação da GCM em teatro de São Paulo à repressão da ditadura militarReprodução / Instagram
"É com profunda indignação e tristeza que eu falo de uma cena lamentável, horrível, que eu vi ontem e que infelizmente me remeteu aos piores tempos de uma ditadura que eu vivi, onde os teatros eram invadidos, os atores eram ameaçados", declarou ela no Instagram, nesta quinta-feira (21).
Na terça-feira (19), agentes da Guarda Civil retiraram à força artistas e membros da ONG Tem Sentimento de um prédio anexo ao teatro, usado como depósito de equipamentos e pertences. O imóvel, abandonado, foi ocupado pelo grupo e pela organização social. Durante a ação, os agentes utilizaram spray de pimenta e retiraram pessoas à força, como mostram vídeos que circulam nas redes sociais.
A medida ocorreu no contexto da disputa entre a Prefeitura de São Paulo e o coletivo que administra o Teatro de Contêiner. Em maio deste ano, a gestão Ricardo Nunes (MDB) entrou com pedido de despejo para desocupar toda a área, localizada na região da antiga Cracolândia. O prazo para a saída definitiva termina nesta quinta-feira (21). O episódio desta terça aconteceu poucas horas depois de a prefeitura negar um pedido do grupo por prorrogação de 120 dias.
Marieta criticou a forma como os artistas foram tratados. "É um tipo de cena que eu nunca imaginei que pudesse voltar", afirmou. "O teatro tá ali plantando cultura, relação, comunicação com as pessoas, fomentando o que há de melhor nas nossas vidas. Quero deixar aqui a minha tristeza profunda por esse momento e a minha vontade, a minha esperança de que isso não aconteça mais. Vivemos em uma democracia plena, precisamos dela, gostamos dela, queremos viver nela e esse tipo de cena não pode acontecer", continuou.
Após a repercussão, a prefeitura chegou a montar um palco para anunciar o projeto habitacional previsto para o terreno, mas desistiu da cerimônia horas depois da ação da Guarda Civil viralizar nas redes sociais.
Artistas e estudantes de teatro se reuniram no espaço em forma de vigília, com aulas públicas e apresentações. Nesta quinta-feira (21), o local recebe o show gratuito do projeto Negras Melodias, às 20h, também em protesto contra o despejo.

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