Délcio LuizDivulgação

Rio - Com mais de três décadas de carreira e mais de 500 composições registradas, Délcio Luiz segue consolidado como um dos grandes nomes do samba e do pagode nacional. Autor de clássicos como "Marrom Bombom", "Meu Casamento" e "Hoje Vou Pagodear", o cantor lançou recentemente o EP "O Samba Tá um Fervo", com cinco faixas inéditas e parcerias com Sorriso Maroto e Di Propósito. Paralelamente ao novo trabalho, realizou uma turnê internacional no Canadá. Em entrevista ao MEIA HORA, o artista revela que seu grande sonho é compor uma canção com Djavan e não descarta se arriscar em outros estilos musicais.
– Délcio, você se apresentou em Toronto e Vancouver recentemente. O que significa para você levar o samba e o pagode para fora do Brasil em um momento em que a música brasileira ganha cada vez mais espaço no exterior?
Significa muito. É uma honra ver nossa cultura, o samba, conquistando espaço. Eu me sinto vestindo a camisa do samba, representando o Brasil, cantando minhas obras e vendo a galera interagir. Isso não tem preço.
– Seu novo EP, 'O Samba Tá Um Fervo', traz participações como Sorriso Maroto e Di Propósito. Como foi a experiência de trabalhar com esses grupos nessa fase da carreira?
Essas participações surgiram a partir das próprias músicas. Quando terminei "Que Bom Que Eu Te Esperei", lembrei logo do Sorriso Maroto. É uma faixa romântica, muito no estilo deles. Imaginei a voz do Bruno comigo, fiz o convite e ele aceitou na hora. Já o feat com Di Propósito nasceu da ideia de uma música animada, com um papo jovem, que pedia um grupo dessa nova geração. Eu ainda não os conhecia pessoalmente, nos encontramos no estúdio e o clima foi ótimo. O clipe também foi gravado lá e o resultado ficou incrível. Estou muito contente.
– As cinco faixas do EP transitam por amor, celebração e alegria de viver. Como nasceu esse projeto e o que você quis transmitir com ele?
A ideia veio da vontade de gravar músicas inéditas, porque meu show é muito focado nos anos 90, nos clássicos, e eu já vinha regravando bastante. Pensei: 'Está na hora de lançar novidades'. Daí surgiram os feats e composições inéditas, sempre falando de amor de uma forma leve, descontraída, com romantismo para cima.
– Você acredita que esse EP representa um novo capítulo na sua trajetória ou uma reafirmação do estilo que sempre marcou sua carreira?
Acredito que seja um novo capítulo. Gosto de me reinventar, de enfrentar desafios. Essa mistura do samba mais experiente com a linguagem jovem é muito legal, inclusive na composição. É uma virada de chave e estou confiante que meus fãs e seguidores vão curtir esse novo trabalho.
– Além da turnê e do EP, quais são os próximos projetos que os fãs podem esperar de você? Há novos álbuns ou colaborações?
Meu novo projeto é a label "Gamei no Retrô", que pretendo lançar depois do Carnaval de 2026. Quero levar grandes convidados, realizar edições em vários estados e, quem sabe, até fora do Brasil. A ideia é reunir grandes sucessos, não só meus, mas também de outros artistas.
– Você canta Djavan nos seus shows. Existe a possibilidade de um projeto voltado para a MPB ou fusões com outros estilos?
Amo Djavan. Na adolescência, o pessoal onde eu morava até me chamava de Djavan, porque eu tocava voz e violão nos bares. Isso marcou minha história. Hoje canto Djavan nos shows, sou apaixonado por bossa nova e MPB, ouvi muito nessa época da vida. Quem sabe um dia faço um projeto voz e violão, 'Délcio canta MPB'. São ideias que me atraem muito.
– Sua carreira já soma mais de 35 anos e mais de 500 composições gravadas por grandes nomes. Hoje, olhando para trás, o que você considera sua maior realização como artista?
Minha maior realização é ter gravado músicas na minha voz que fazem parte da vida das pessoas e que vão ficar eternizadas. É um legado incrível. São mais de 500 composições e 35 anos de carreira, com obras que marcaram o samba e o pagode dos anos 90.
– Você já fez parte de grupos marcantes como o Raça e o Kiloucura. Existe a possibilidade de voltar a integrar algum grupo, seja os que você já fez parte ou até mesmo um novo projeto coletivo?
Foram oito anos no Grupo Raça e três no Kiloucura, com muitos sucessos e shows pelo Brasil afora. Hoje não sei se voltaria a integrar uma formação fixa, mas o futuro a Deus pertence. Quem sabe um projeto especial, um audiovisual... pode ser que sim.
– E no futuro, qual é o grande sonho ou desafio que ainda falta realizar?
Tenho um sonho que quero muito realizar: compor uma música com Djavan, gravar com ele e ver essa canção se tornar um grande sucesso. Esse é o meu maior desejo, e sei que um dia vai acontecer.