Manoel CarlosEstevam Avellar / TV Globo

Rio - A Boa Palavra, empresa criada por Julia Almeida, filha de Manoel Carlos, ingressou no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) para exigir da Globo mais transparência sobre pagamentos de direitos autorais referentes às obras do autor. O processo busca esclarecimentos sobre valores repassados nos últimos dez anos e critérios utilizados nos cálculos.

Segundo a Folha de S.Paulo, a produtora alega que a emissora "apenas informa os valores pagos, sem explicar como chegou a eles”. A família afirma receber repasses, mas questiona a falta de relatórios sobre reprises, licenciamentos internacionais e novos remakes.

De acordo com o documento, a Boa Palavra tentou negociar diretamente com a Globo antes de recorrer ao Judiciário. O pedido judicial requer planilhas detalhadas desde 2015. Caso surjam inconsistências, a produtora poderá abrir nova ação para cobrar reparação financeira.
Em comunicado, a produtora negou que se trate de litígio. "A Boa Palavra Produções Artísticas, que representa o acervo e o legado de Manoel Carlos, sob direção de Júlia Almeida, informa que não moveu ação judicial contra a TV Globo. Na verdade, convém esclarecer que há dois anos, a empresa solicita extrajudicialmente a prestação de contas referente ao uso de obras e contratos. Contudo, em razão da ausência de resposta satisfatória, foi enviada uma notificação através do Poder judiciário, para que a Globo apresente esses valores, que são um direito reconhecido no próprio contrato firmado entre a emissora e a Boa Palavra. Assim, até este momento, não há qualquer litígio, pois trata-se apenas de simples pedido de prestação de contas".

O debate ganhou força com a recente reprise de História de Amor (1995) no Vale a Pena Ver de Novo, encerrada na sexta-feira (12), e com o anúncio de um remake de Páginas da Vida (2006) em Portugal.