Cantora refletiu sobre pressão para mulheres estarem acompanhadas, exposição da vida pessoal e processo para conciliar Anitta e Larissa Reprodução / TV Brasil
Publicado 12/08/2026 11:10
Rio - Durante o programa "Sem Censura", que foi ao ar nesta terça-feira (11), Anitta refletiu sobre as mudanças na forma como se relaciona e expõe a vida pessoal. A cantora contou que, no passado, sentia necessidade de provar algo por meio dos relacionamentos e criticou a cobrança para que mulheres tenham seu valor associado ao homem com quem estão.

“Eu tô muito diferente das minhas relações pessoais. Mudou muito a minha forma de me relacionar com as pessoas. Eu acho que antes eu tinha um vazio mesmo, uma necessidade de algo, de provar algo”, afirmou.

A artista também falou sobre como enxerga a repercussão em torno da vida amorosa de mulheres bem-sucedidas. “Não importa o quanto você trabalhe, não importa o quanto você tenha construído coisas inacreditáveis. Pra sociedade, para as pessoas no geral, estar com alguém, a mulher só alcança esse sucesso quando ela é escolhida por um homem.”
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“Tem que ser um homem que esteja ali, na visão da galera tem que ser um grande homem que escolheu esta mulher para que você tenha valor. E isso é uma coisa que me pega muito e me deixa muito triste”, acrescentou.

Anitta contou que já viu notícias sobre sua vida pessoal ganharem mais atenção do que projetos profissionais. “É muito complicado você ver que trabalhou, trabalhou, trabalhou, fez coisas incríveis (...) e esse é o ponto que as pessoas falam, e esse é o ponto que as pessoas querem saber.”

A experiência fez com que a cantora repensasse a própria exposição. “Eu tinha muito essa necessidade de me expor e acabava atraindo pessoas para a minha vida que tinham essa energia. E hoje não. Hoje eu gosto de discrição, eu posto pouquíssimo da minha vida.”

Conflito entre Anitta e Larissa

Durante a conversa, a artista também respondeu a uma pergunta de Mel Lisboa sobre já ter pensado em deixar Anitta de lado para ser apenas Larissa, seu nome de batismo. Ela revelou que a questão chegou a ser levada para os retiros que realizou.

“Eu cheguei lá com esse ponto, falando: ‘Eu odeio esse negócio de Anitta, ninguém nem sabe como que eu sou, eu sou totalmente diferente na vida’. Mas as pessoas me conhecem, já acham que sabem como que eu sou, mas aquilo ali é um personagem que não tem nada a ver comigo.”

Segundo a cantora, separar as duas partes de sua personalidade passou a lhe fazer mal. “Se eu tentasse ficar só Larissa, eu tava sempre triste, sempre amargurada. E aí quando eu tava só Anitta, eu ficava com raiva (...) Eu fiz uma separação de mim mesma que me fazia muito mal.”

Anitta contou que passou a buscar uma integração entre as duas e associou características de cada persona aos pais. “Fui entendendo o que que de mim tem de Anitta, que são coisas que eu atribuo mais ao meu pai, e o que que de mim tem de Larissa, que eu sei que são coisas que eu atribuo mais à minha mãe.”

“Se não fosse a minha parte Larissa, Anitta jamais teria existido”, declarou. “O meu lado Larissa é o lado que vem com todas as estratégias, a responsabilidade, a seriedade, o horário (...) E aí vem a Anitta para vender, rodopiar, puxar aquelas pessoas todas.”

Medo no início da carreira

Anitta ainda relembrou um show no início da carreira, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, e confessou que estava convencida de que o público não apareceria.

“Eu cheguei para ensaiar e eu tinha plena certeza de que ninguém ia para o show. Ninguém. (...) Eu tremia, falava: ‘Ninguém vai vir para o show, ninguém vai vir pro show’.”

A presença do "Fantástico" aumentou o nervosismo. “Eu falei: ‘Cara, ninguém vai vir, vai ser uma vergonha no Fantástico porque ninguém vai vir’. Eu tava pavorada.”

O resultado, porém, foi o contrário do que imaginava. “Na hora ficou tão cheio, tão cheio, tinham sete mil pessoas dentro, quatro mil pessoas fora.”

“A Ayrton Senna [ficou] parada. Rio de Janeiro parou, até a Zona Sul (...) Ficaram quatro mil pessoas para fora. Só que eu tava achando que ninguém ia”, recordou.

*Reportagem da estagiária Carolina Irigoyen, sob supervisão de Isabelle Rosa
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