Zuleica (Aline Borges) e Tenório (Murilo Benício)Divulgação / TV Globo
Aline Borges, a Zuleica, fala sobre relação com Maria Bruaca em 'Pantanal': 'Sororidade'
Atriz ressalta que apesar de dividirem o mesmo marido, as duas personagens não serão rivais na trama das 21h da TV Globo
Rio - Depois de muito ouvir sobre Zuleica (Aline Borges), o público finalmente conheceu a outra mulher de Tenório (Murilo Benício) em cenas que foram ao ar em "Pantanal", da TV Globo, no último sábado. E agora que chegaram, Zuleica e seus filhos vão movimentar a trama das 21h. Ao descobrirem que Maria Bruaca (Isabel Teixeira) já sabe da existência deles, os rapazes vão insistir em conhecer a outra família e a fazenda do pai.
Aline Borges conta que, apesar de dividirem o mesmo companheiro, Zuleica e Maria Bruaca não serão rivais. "A Zuleica é uma mulher como tantas e tantas mulheres, cheia de conflitos, dualidade permeando a vida dela o tempo todo. É uma mulher íntegra, criou os três filhos praticamente sozinha. Muita coisa vai acontecer ao longo do caminho, no arco dramático dela. Ela é uma mulher muito forte, que reconhece suas dificuldades, seus limites, mas que não entrega o jogo. Segue na resistência", diz a atriz.
"E é bonito de ver, diante de toda a situação que vai acontecer nesse trio, de Maria Bruaca, ela e Tenório, que ela não larga a mão da Maria Bruaca. A sororidade, a empatia estão na frente. E é bonito o Bruno (Luperi, autor) não ter ido para o caminho da rivalidade entre essas mulheres. Porque a gente vive num Brasil e num mundo onde a mulher foi ensinada a rivalizar", analisa.
Aline revela que os telespectadores ainda vão descobrir mais sobre o passado da personagem e a "divida de gratidão" que ela tem com Tenório. "Essa história tem dor, mas tem também respeito, empatia, entendimento de que é muito mais importante a integridade dessas mulheres do que conquistar um espaço na vida desse homem. Principalmente pra Zuleica, que está nessa relação por diversas razões que ainda vão ser reveladas. Ela tem uma dívida de gratidão com esse homem. O que fica pra mim, de bonito, é ver a integridade dela, sua força, e o fato de ela não ser uma mocinha. Ela também erra porque é humana".
Virada na carreira
A atriz acredita que a personagem será uma grande guinada em sua carreira e revela que teve uma crise de pânico antes de chegar ao Mato Grosso do Sul para as gravações da novela. "Não conhecia o Pantanal e quando fui na primeira viagem para gravar, tive uma crise de pânico antes do avião decolar, no Rio de Janeiro. Eu nunca havia tido nada parecido. Não entendi bem na hora, mas hoje, olhando o que aconteceu, entendo que não se tratava apenas de estar sozinha, viajando de avião, mas sim de tudo que esse momento significa. Estou dando um grande passo na minha carreira, fazer parte dessa novela é um marco que vai ficar para sempre. Então, entendo que foi um somatório de coisas", explica.
"O medo desse passo novo, o uso das máscaras, a gente veio de uma pandemia muito traumática, enfim, foram vários fatores. Cheguei a sair do avião, chorei muito lá fora, mas decidi voltar. Olhei pra ele e decidi que seguiria meu caminho. A gente tem medo de crescer na vida, então olhar para esse medo, colocar luz nele, já foi o início da cura. Não é só sobre o medo de andar de avião, mas o medo do novo passo. Isso bate em todos nós, em todo mundo que é humano", afirma.
Aline conta que uma de suas primeiras novelas na Globo foi "Celebridade", de 2003, em que vivia a empregada do personagem de Marcos Palmeira, que atualmente dá vida a José Leôncio em "Pantanal".
"Trabalhei esses anos todos para conquistar esse espaço que me chega agora. Porque antes de eu me reconhecer como mulher preta, não entendia por que não me chegavam papeis onde eu tinha uma casa, uma vida, era sempre a copeira, a empregada, nesses lugares. Então, hoje, estar no Pantanal, dando vida à Zuleica, para mim é um avanço enorme. É grandioso demais e diz muito sobre toda a minha trajetória e sobre o quanto isso mudou. Hoje estou dando vida a uma personagem que um dia foi de uma mulher branca, que esse autor decidiu mudar para uma mulher preta, para dar voz à ela. Isso é representatividade e dá sentido ao nosso ofício. Isso me engrandece também, eu olho para trás e vejo que tudo valeu a pena".
Na primeira versão, Zuleica foi vivida por Rosamaria Murtinho. Aline Borges comemora a decisão de Bruno Luperi de abordar o racismo em uma relação inter-racial ao adaptar a novela. "É maravilhoso ter a oportunidade de dar vida à essa personagem, que é uma mulher negra, com uma família preta, numa relação inter-racial, que é até complicado falar sobre isso no Brasil, existe tanto preconceito, tanto julgamento... Acho importante ele (Bruno Luperi) ter a coragem e peitar, trazer essa mudança. Porque esse papel foi vivido pela Rosa Maria Murtinho lá atrás, brilhantemente vivido por ela, uma mulher branca", diz.
"Bruno fazer essa mudança para que a Zuleica seja uma mulher preta e trazer essas questões raciais é de um valor primoroso, muito especial e a gente precisa olhar para isso. Abraçar isso com todas as forças. Não é uma tarefa fácil, mas a gente está caminhando junto", afirma.
Quando a trama original foi ao ar na TV Manchete, Aline tinha apenas 15 anos. Ela conta que assistiu a algumas partes na época, mas que não acompanhou tudo.
"Assisti partes, não à novela toda. Eu tinha 15 anos, mais ou menos, e tenho uma memória afetiva com a novela, assim como muitos brasileiros. Pantanal é uma novela que mexe com nossas emoções, mexe com o lúdico, o imaginário, você acreditar no encantamento das coisas, nas lendas. Tem um valor muito especial, que deixou marcas e por isso que hoje ela é tão abraçada, tão assistida, tão amada. Quem assistiu, guarda alguma história ou memória afetiva; e quem não assistiu, como é o caso do meu enteado que tem 19 anos, vejo ele super encantado, acreditando naquela história daquela mulher que vira onça, no Velho do Rio, gostando de se encantar. Isso é muita rico porque os nossos jovens hoje só querem saber de internet, eu nunca tinha visto meu enteado ver televisão, novela principalmente. Pantanal é realmente pra todas as idades, não tem uma faixa etária".






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