Derico se emociona ao falar sobre a morte de Jô SoaresReprodução

Rio - O saxofonista Derico Sciotti, que trabalhou com Jô Soares nos programas "Jô Soares Onze e Meia" e "Programa do Jô", se emocionou ao falar sobre a morte do apresentador em entrevista ao "Bom Dia Brasil", da TV Globo, nesta manhã.
"É triste ter que acordar assim. Era 6h da manhã, meu celular começou a bater. A gente pensa no pior. Comecei a ver um monte de mensagens de 'meus sentimentos', aí eu abri a notícia e vi a morte do Jô. É muito triste mesmo. Eu tenho um carinho, fiquei 28 anos lá [nos programas], metade da minha vida ao lado do Jô. E praticamente metade da vida profissional dele. É um privilégio. Ele foi e é uma pessoa incrível, uma espécie de um pai pra mim", disse o saxofonista.
Derico contou que Jô dava oportunidade para que todos desenvolvessem suas habilidades. "Ele me ensinou tudo. Comecei com ele tinha 22 anos, saí com 50. Minha vida passei ouvindo ele, sentava naquela cadeira e via a história do Brasil e do mundo passar. Ele falava que não fazia programa sozinho, que, apesar de ser o Programa do Jô, a gente fazia parte do programa, ele sempre deu abertura pra a gente desenvolver nossas capacidades. Ele exercitava o poder que tinha. Foi legado que ele deixou pra nós, todo mundo que ia no programa falava como ele ajudava com [divulgação de] livros, teatro, música. Era uma pessoa diferenciada", completou.
Derico fazia parte do sexteto, a banda que tocava nos programas de Jô, e revelou que entrou para o "Jô Soares Onze e Meia" aos 22 anos, no mesmo dia do nascimento de seu filho. O músico deu gargalhadas ao relembrar histórias dos bastidores. "Jô Soares é capaz de provocar ao mesmo tempo choro de tristeza por sua partida e de alegria por tanta coisa boa que ele fez, que ele nos trouxe", comentou o jornalista Rodrigo Bocardi. Derico, então, se emocionou ainda mais. 
"Jô foi como um pai pra mim. Eu tive um pai maravilhoso, mas o Jô foi um pai diferente. Fez o que só ele poderia fazer como profissional e como tutor. Ele me ajudou de uma forma que não tenho capacidade de externar tudo que ele fez", garantiu. "Jô sabia que podia contar comigo pra tudo que precisasse. Sabia que nunca ia ouvir um não ou não sei. O inverso era proporcional, eu sabia que ele nunca ia me colocar numa roubada, numa situação pejorativa, menor. Foi uma relação de confiança muito grande", completou. 
Gafe
Durante a entrevista, o apresentador Rodrigo Bocardi se confundiu e chamou Derico de Bira. Este último também fez parte do sexteto e morreu em 2019, aos 85 anos. "Se o Bira não tivesse morrido em 2019, teria morrido hoje. Ele amava o Jô, a equipe, a TV, o trabalho", afirmou Derico, que também contou como foi a sua relação com Jô Soares nos últimos tempos. 
"Eu sempre tive um sonho na minha vida que era bater um papo [gravado] com ele, tipo o que a gente está fazendo aqui. Eu tive momentos assim, mas queria um momento pra falar sobre tudo, passar a régua, como a gente faz com pai e mãe. Eu forçava a barra, ligava pra ele, falava deixa eu ir aí, vamos conversar, deixa eu registrar um papo falando sobre coisas da vida. Não deu tempo. Uma pena. Como a gente se divertiu, como era legal trabalhar aí [na Globo]. Fico feliz de ter tido a oportunidade", disse. 
Sexteto
O sexteto era a banda que acompanhava Jô Soares em seus programas de TV. Miltinho, Bira, Rubinho, Edmundo Villani-Côrtes eram, incialmente, um quarteto que animava os intervalos das gravações. A fórmula deu certo e o quarteto virou um quinteto no "Jô Soares Onze e Meia", do SBT, e depois um sexteto, no "Programa do Jô", na TV Globo.
Já passaram pelo sexteto: Chiquinho Oliveira (Trompete), Derico Sciotti (Saxofone e Flauta), Miltinho (baterista), Bira (Baixo), Tomati (Guitarra), Osmar Barutti (Piano), Rubinho (Guitarra), Edmundo Villani-Côrtes (piano).