Rio - Se estivesse vivo, Sebastião Rodrigues Maia, o cantor Tim Maia, completaria 80 anos nesta quarta-feira. Para homenagear o eterno Síndico, o Globoplay lança hoje uma série documental original que se destaca por trazer a versão do próprio artista para os fatos ocorridos em sua vida. Imagens raras - muitas delas inéditas - de entrevistas, shows, depoimentos e filmagens caseiras fazem parte do projeto.
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"Meu nome é Sebastião, sou do Rio de Janeiro, fui batizado na Igreja de São Sebastião do Rio de Janeiro, mais carioca do que eu não tem. Minha mãe, Maria Imaculada Maia, e meu pai, Altivo Maia. Sou o 18º filho desse casal que se amava. Minha mãe, então, era apaixonadíssima no meu pai", narra Tim logo no início do primeiro episódio.
Dirigida por Renato Terra e Nelson Motta, autor da biografia “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia”, a série conta com três episódios. "'Vale Tudo com Tim Maia' é um mergulho na originalidade e genialidade musical do Tim. Não há análises ou especialistas. O jeito que ele conta as histórias é de chorar de rir. A série é uma espécie de stand up comedy dançante", entrega Renato Terra.
"É aumentar o som e se preparar para rir, se emocionar e dançar. Ninguém conta melhor a sua história do que ele, com a sua linguagem, comédia e barbaridades. E Tim era um comediante nato, nós reforçamos isso nele como narrador", concorda Nelson Motta.
O primeiro episódio, “Foi Lá que Toda a Confusão Começou”, mostra a formação de Tim Maia, a infância no bairro da Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde ele entregava quentinhas quando era criança, a viagem para os Estados Unidos, a volta ao Brasil e o sucesso de seus primeiros álbuns. O episódio mostra ainda a formação dos Sputniks, banda que contava também com Roberto Carlos e Erasmo Carlos.
"Conhecemos (ele e Erasmo) o Roberto Carlos e formamos os Sputniks. Eu tocava violão, o Roberto Carlos tocava violão, o Wellington era o único que sabia falar inglês, então ele cantava, e o Arlênio Lívio, que foi diretor da Rádio Nacional, fazia o baixo grave", conta Tim no episódio.
"Quem namorava era ele (Roberto Carlos) e o Erasmo (Carlos). A gente não namorava ninguém, ninguém queria a gente. O Roberto namorava 10, 20. O Erasmo namorava 9. A gente não namorava ninguém. Gordo, mulato, da Tijuca, cabelo encaracolado", dispara.
O segundo capítulo, “Quem Não Dança Segura a Criança”, traz o artista no auge do sucesso e destaca participações em programas como o do Chacrinha, "Os Trapalhões", "Fantástico", "Globo de Ouro", além de shows lotados. E o terceiro, "Tudo é Tudo e Nada é Nada", traz elementos do acervo inédito da família do cantor e destaca momentos íntimos de Tim.
Acervo
Os materiais que compõem "Vale Tudo com Tim Maia" foram resgatados de diversas fontes pela equipe de pesquisa do projeto, que encontrou arquivos exclusivos da própria TV Globo, em outras emissoras e rádios. Também foi utilizado o acervo de Carmelo Maia, filho de Tim. A produção digitalizou 51 fitas VHS que estavam guardadas desde que o cantor morreu, e oito rolos de super-8, que mostram Tim em sua privacidade, de um jeito que quase ninguém conheceu. Apenas esse material resulta em quase 30 minutos de cenas exclusivas.
O programa traz também apresentações emocionantes de Tim Maia, com sucessos como "Primavera", "Azul da Cor do Mar", "Do Leme ao Pontal", "Vale Tudo", "Descobridor dos Sete Mares", "Gostava tanto de Você" e "Réu Confesso".
Mais tocadas
A morte de Tim Maia, em março de 1998, interrompeu a carreira de um dos maiores astros do Brasil. Com um repertório que marcou a história da música brasileira, Tim Maia deixou 205 canções e 698 gravações cadastradas no banco de dados do Ecad, que é a entidade responsável pela arrecadação e distribuição de direitos autorais.
Confira abaixo uma lista do órgão com o ranking das músicas mais tocadas de Tim Maia nos últimos 10 anos:
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