Clarice Falcão vive Fefê, uma influenciadora digital que vira governadora do Rio na série A Eleitafotos Laura Campanella / Divulgação
Clarice Falcão vive influenciadora que é eleita governadora do Rio em série
Com situações absurdas e que ao mesmo tempo retratam a política mundial, comédia 'A Eleita' estreou na sexta-feira no Prime Video
Rio - Quando começaram a conversar sobre "A Eleita", os roteiristas Clarice Falcão e Célio Campos tinham a intenção de criar uma comédia política absurda, em um cenário distópico, quase impossível de acontecer. No entanto, desde o início das reuniões em 2017 até o momento atual, a obra acabou se aproximando bastante da realidade.
Em "A Eleita", que está disponível no Prime Video, o telespectador acompanha Fefê (Clarice Falcão), uma influenciadora digital que decide se candidatar a governadora do Rio de Janeiro "na zoeira". O problema é que essa piada fez sucesso. Eleita, Fefê -- que não sabe a diferença entre governador e prefeito -- tentará conciliar sua vida agitada de festas com a administração do Estado.
"Quando a gente pensou em fazer a série, a referência que a gente tinha ainda era o Temer (Michel Temer, ex-presidente). Foi há muito tempo, muito tempo mesmo. Durante as pesquisas, a gente ia descobrindo as coisas e parecia que a gente era vidente. Nós escrevíamos uma coisa e de repente acontecia. A gente até brincava 'meu Deus, por que a gente teve essa ideia? Foi a gente! A culpa é nossa'", relembra Clarice Falcão, fazendo referência a tantos acontecimentos inesperados na política desde então.
"Foi ficando cada vez mais realista e a gente queria fazer uma coisa doida, exagerada. Então, muitas vezes a gente tinha que exagerar mais porque a realidade começou a alcançar a gente. Foi muito interessante construir esse universo, que a gente achava que era apocalíptico, mas que daqui a pouco chegou até nós", completa a atriz e roteirista.
"A Eleita" marca a volta de Clarice à comédia. "Eu gosto muito de fazer comédia. É uma coisa que me move muito. Eu gosto muito de piada, eu vivo em missão de fazer piada… carente, né?", brinca. "Eu gostava muito de fazer o 'Porta' (humorístico 'Porta dos Fundos'), por exemplo. Foi muito divertido. E passei realmente esses dois, três anos, meio longe, então foi como encontrar um amigo antigo que você ama", analisa.
Célio Campos conta que ele e Clarice Falcão gostam de se sentir "constrangidos" e que a série tem inspirações em "The Office" e "Fleabag". "Eu e Clarice, a gente realmente gosta muito de comédia. A gente falou muito sobre isso no início, porque pediam pra Clarice uma série comportamental. Mas a gente falou: 'cara, a gente quer fazer comédia', a gente quer apostar na graça. Eu e a Clarice gostamos muito de nos sentirmos constrangidos", explica.
"Era muito difícil a gente ver uma mulher assim (nas obras de ficção). Era sempre a burra ou a inteligentíssima, não uma pessoa que você fala: 'ah, meu Deus, o que ela está fazendo? Que vergonha!'. Foi muito bom criar isso, e fazer também", concorda Clarice, que espera que o público dê boas gargalhadas das trapalhadas de Fefê.
"Eu espero que as pessoas se divirtam. A gente está passando por um momento tão difícil, tão sofrido. Espero que a série possa ser uma forma de expurgar algumas coisas através da comédia, da leveza, do absurdo. Levar (a série) tão ao absurdo que a gente possa rir um pouco ao invés de chorar, que é o que a gente tem feito nos últimos quatro anos ininterruptamente", completa a atriz.
Célio também revela o motivo de o Rio de Janeiro ter sido escolhido como ambientação para a trama. "O Rio é um exemplo de uma brasilidade um pouco exagerada, às vezes. O carioca parece a caricatura de um brasileiro com a marra e as coisas feitas de qualquer jeito", afirma o roteirista.
Eleições
A série chega em um momento acalorado, em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Messias Bolsonaro (PL) disputam o segundo turno das eleições presidenciais. Malu Miranda, head de Conteúdo Original Brasileiro da Amazon Studios, garante que a estreia da obra não foi marcada pensando exclusivamente nesse cenário, mas afirma que é importante que os telespectadores possam refletir a partir de "A Eleita".
"Fazer parte desse zeitgeist, dessa conversa nacional é cultura. E é isso que a gente quer. Mas a gente quer trazer para ser uma conversa plural e autêntica, com toda a pluralidade que já existe neste país", finaliza.













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