Drica Moraes vive a dona Núbia de ’Travessia’Fabio Rocha / TV Globo
Drica Moraes diz que sua personagem em 'Travessia' promove reflexão sobre ambição: 'Quanto vale o dinheiro?'
Atriz comemora volta às novelas após anos fazendo apenas séries: 'Estava morrendo de saudades'
Rio - A atriz Drica Moraes, de 53 anos, está bem diferente na pele da personagem Núbia, da novela "Travessia", de Gloria Perez, na TV Globo. Na trama, a artista vive uma mulher trabalhadora, que depositou todas as economias na criação do filho, Ari (Chay Suede), e enxerga nele a possibilidade de ascenção com a qual sempre sonhou. Apesar da relação conturbada com a nora, Brisa (Lucy Alves), e de fazer tudo para conseguir o que quer, Drica diz que Núbia não chega a ser uma vilã.
"Ela não chega a ser uma vilã em si, ela pode ser a antagonista frente a alguma situação, frente a tudo que se contrapor a vontade dela de o filho crescer na vida. Talvez seja (vilã) para a Brisa porque a Brisa representa tudo que pra ela não vale nada, ela não vem do mundo da riqueza. Tem esse conflito humano", afirma a atriz, que acredita que Núbia é uma personagem que pode promover reflexão sobre a ambição.
"Quanto vale o dinheiro? É uma boa pergunta para a Núbia e uma boa pergunta para a gente jogar para a sociedade também. Querer um futuro melhor, ok. Eu acho que é legítimo e um desejo de todas as mães, mas a que preço?", questiona a artista.
Para Drica, Núbia é um retrato de muitas mulheres brasileiras. "O sonho dela é que o filho consiga ter as coisas na vida. Ela quer uma situação material, porque ela não teve isso. A Núbia é um pouco uma sobrevivente. Tem tanta mulher assim no Brasil... Eu sou isso também, todas nós somos isso. Então, ela não é uma vilã, ela descobre caminhos errados para conseguir o que ela quer", defende.
A atriz também comemora o fato de a novela abordar temas que podem fazer os telespectadores reverem seus conceitos. "Eu diria que a Núbia vai se confrontar com o próprio preconceito. Em uma sociedade em que a gente está se desconstruindo, em que a gente está tendo que rever racismo, homofobia, machismo, gordofobia, diferença de classe social e monetária, eu acho que ela vai se confrontar com o próprio preconceito dela e isso não faz dela uma vilã. Se ela conseguir refletir, ela será até uma heroína. Se eu conseguir jogar essa reflexão para o público, para que ele reflita sobre isso, pra mim eu terei feito um gol histórico na minha carreira", dispara.
Maranhão
Boa parte da trama de Núbia se passa na cidade de Mandacaru, que fica no município de Barreirinhas, no Maranhão. A atriz viajou para o estado para gravar algumas cenas e se encantou pela cultura local. Ela conta que aprendeu, a duras penas, a dançar a "umbigada". "É um ritual tão mágico, tão maravilhoso, tão ligado às nossas raízes. Primeiro que é um matriarcado. A cultura maranhense é muito ligada ao matriarcado. São as mulheres que levam as famílias, são as irmãs que levam as famílias, isso vem muito na cultura delas", explica.
"E pra mulher poder dançar, ela tem que pedir permissão para outra mulher. Isso tudo é feito por um gesto de umbigo. Então, uma mulher dá um giro, passa na frente da outra que está dançando pro tambor, dá uma umbigada e aquela umbigada é o passe. É a liberdade pra você fazer sua dança. Eu acho lindo. Eu aprendi (a umbigada). Quebrei um pouco meu calcanhar, feri um pouco o joelho, mas eu dancei", brinca.
Volta às novelas
Outra felicidade que "Travessia" trouxe para Drica Moraes foi voltar aos folhetins. A atriz estava com saudades de trabalhar em obras longas. "Estava morrendo de saudade. Novela tem uma agilidade que série não tem. Adoro fazer série também. Fiz 'Sob Pressão' por três anos, fiz 'Os Outros', que vai ao ar no ano que vem… Mas a novela você faz muitas cenas por dia, você tem que improvisar, você tem que ter um jogo de cintura enorme", inicia.
"As equipes são 10 vezes maiores que as equipes de séries, os desafios são muito grandes. E eu gosto dessa agilidade, que é uma agilidade que as séries não têm muito. A gente repete muito as cenas e nas novelas a gente repete muito pouco. Pelo menos comigo, eu gosto de ensaiar gravando", analisa.
Luto por 'Pantanal'
"Travessia" estreou depois de um grande sucesso, que foi "Pantanal". Drica afirma que o "luto" do público é normal e que isso não influencia na sua alegria de gravar a novela. "O luto existe. Em toda obra que vem substituindo outra obra de muito sucesso, o luto é natural. Mas é um problema do público, não é meu. Eu estou aqui fazendo o meu trabalho, com muita dignidade, trabalhando muito, com muita alegria. E as coisas passam, mudam, os conteúdos mudam. A gente está numa época de mudança, de plena mudança, inclusive, então as pessoas podem se abrir pro novo", afirma.











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