Segunda temporada de 'Cidade Invisível' se passa na Amazônia e traz novos personagens folclóricosDivulgação/Netflix
Rio - Após conquistar o público com o resgate do folclore brasileiro, a série "Cidade Invisível" retorna com a segunda temporada, que estreou na última quarta-feira, na Netflix. Estrelada por Marco Pigossi, Alessandra Negrini e Manu Dieguez, a trama muda de ambientação, deixando as ruas do Rio de Janeiro para seguir uma história que se passa na Amazônia paraense, no Norte do país.
Dessa vez, lendas como a mula-sem-cabeça e Matinta Perera reforçam o lado místico visto desde o início da produção nacional. Luna (Dieguez) e Inês (Negrini) chegam ao Pará guiadas por sonhos da agora adolescente que podem ajudar a desvendar a localização de Eric (Marcos Pigossi), que tenta entender suas próprias raízes após o final surpreendente da primeira temporada.
Enquanto isso, no mundo material, o garimpo ilegal é o grande vilão dos novos capítulos, abordando uma questão que ganhou ainda mais destaque nos noticiários recentemente, após a crise humanitária nas terras do povo Yanomami. Protagonista de cenas em que confronta garimpeiros, Marco Pigossi enfatiza o alerta que "Cidade Invisível" faz para os telespectadores.
"Esse problema gigantesco do garimpo ilegal sempre existiu, sempre foi um dos grandes detonadores do nosso meio ambiente, que é a nossa grande riqueza. Acho importante que essa discussão tenha vindo à tona agora e a série serve pra trazer essa discussão cada vez mais à frente. Nosso objetivo não é dar uma lição, ou fazer uma palestra nesse sentido. A nossa missão é pegar pelo coração", declara o ator.
Ele ainda defende que a trama pode ajudar o público a entender melhor a forma como o garimpo afeta os povos indígenas. "Eu acho que, quando você pega o o público pelo coração, você cria um senso empático. É isso que gera empatia com a situação que eles estão passando, com a situação que criamos. É um assunto muito complexo, não é uma coisa que se resolve em um minuto. Mas eu espero que a série contribua de alguma maneira pra essa discussão", afirma Pigossi.
Folclore em cena
Lançada em fevereiro de 2021, "Cidade Invisível" caiu nas graças do público por trazer figuras do folclore brasileiro como nunca antes vistas. Chamadas de "entidades", as versões reimaginadas da Cuca, Iara e o Saci-Pererê, entre outros personagens, fizeram da trama um sucesso dentro e fora do Brasil. Para Carlos Saldanha, criador da série, é a mistura entre real e fantástico que garante o impacto global da história que apresenta um novo olhar para a cultura nacional.
"A gente contou uma história boa, com personagens interessantes, mas dentro de uma temática brasileira. As pessoas gostam dessas histórias fantásticas e gostam de novidades, de aprender um pouco de outros lugares. Da forma como a gente construiu o 'Cidade Invisível', apesar de serem locações, atores e histórias locais, eu acho que a temática é global, é humana. São problemas humanos e temáticas universais, não só brasileiras, mas tendo o Brasil como pano de fundo. Então, a qualidade do nosso material mostra que podemos brigar 'de igual pra igual'", comenta o cineasta.
Novas histórias a caminho
Mesmo com poucos dias desde o lançamento da segunda temporada, os fãs de "Cidade Invisível" podem ficar atentos para a chegada de um novo volume de episódios. De acordo com Pigossi, não faltam histórias para contar e entidades para retratar. "Eu acho que 'Cidade Invisível' é uma série infinita nesse lugar, porque a nossa cultura é tão grande, tão profunda e diversa, que a gente vai sempre ter alguma coisa nova pra falar e mostrar", comenta o artista.
"(O Brasil) é um país tão rico culturalmente que sendo lenda, crença, religião ou folclore, dá pra gente explorar muito isso e tentar trazer essa riqueza pra frente da tela. A gente ficou super animado com as novas entidades e como foi gravar com elas, entender a dinâmica dos novos efeitos visuais, então foi uma experiência interessante", completa Marco.
"(O Brasil) é um país tão rico culturalmente que sendo lenda, crença, religião ou folclore, dá pra gente explorar muito isso e tentar trazer essa riqueza pra frente da tela. A gente ficou super animado com as novas entidades e como foi gravar com elas, entender a dinâmica dos novos efeitos visuais, então foi uma experiência interessante", completa Marco.







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