Amanda Lee Aralume Fotografia / Divulgação

Rio - Após uma pausa na carreira para se dedicar à maternidade, Amanda Lee está de volta às telinhas. A atriz interpreta a delegada Teixeira, em "Todas As Flores", do Globoplay, uma das profissionais responsáveis por desmascarar os criminosos por trás do tráfico humano do folhetim de João Emanuel Carneiro. A artista não esconde a empolgação com o retorno à emissora depois de um hiato de 18 anos. Seu último trabalho na vênus platinada tinha sido em "Carga Pesada", em 2005. 
"Foi tudo da maneira que tinha que ser. Fiz muitas personagens que eram fragilizadas, que choravam, então, a Teixeira é muito diferente do que já fiz na TV, ela é muito forte. É como se fosse voltar na minha essência, na força da Amanda e poder utilizar isso na personagem. Teixeira é uma delegada que vive em um ambiente ainda muito masculino, que se posiciona, que é reconhecida pelo seu trabalho. Isso motiva muito nós mulheres e, pra mim também como atriz, de poder usar essa força visceral em cena", comenta Amanda.
Ela, no entanto, faz mistério sobre o futuro de sua personagem na novela. "O que dá pra adiantar é que ela chega pra movimentar a trama e que foi muito bacana trabalhar com uma outra mulher forte que nem a Regina (Casé). Foi muito bom poder jogar com ela em cena", afirma a atriz, que estreou na Globo em "A Indomada" (1997) e participou de novelas como "Corpo Dourado" (1998), "Coração de Estudante" (2002), "A Casa das Sete Mulheres (2003), "Um Só Coração" (2004) e "Como um Onda" (2004). 
De volta para 'casa', Amanda relembra a emoção que sentiu em reencontrar os amigos da emissora. "Acho que o que a gente tem de mais precioso nessa vida são as pessoas poderem falar bem de você, que gostaram de trabalhar com você, que estavam com saudade, que sempre torceram. Entrei na Globo em 1997, com 17 anos, e sai em 2006. Fiz minha vida ali. Eu pisar na Globo de novo depois de anos e encontrar a camareira que cuidou de mim em 1997... Você não tem noção do choro que foi no estúdio de 'Todas as Flores'. Aí você chega na maquiagem e reencontra a pessoa que trabalhou com você na 'Casa das Sete Mulheres'. Foi uma festa. E quando eu reencontrei a Letícia (Colin) foi mais especial ainda. A gente trabalhou muito juntas. Ver o crescimento artístico dela, ela poder acompanhar meu crescimento. Foi incrível. Parece que o universo me disse que eu devo continuar seguindo esse caminho da atuação".
Mesmo sem dar nenhum spoiler sobre Teixeira, Amanda aponta suas semelhanças com a delegada. "Acho que essa determinação. O universo dos delegados, policiais, tem um mistério, uma certa desconfiança. Eu sou um pouco assim na vida. Pra eu fazer algo, preciso ter evidências. E os policiais precisam ter essa precisão, porque um erro pode ser fatal".
Policial em 'Impuros'
Além da novela, Amanda está no elenco da quinta temporada de "Impuros", do Star+, como Sandra. "Ela é uma policial civil. É uma personagem que também tem essa força da Teixeira, só que lá no início dos anos 90. Ela é uma policial que vai a campo, fica no meio de tiroteio, prende pessoas. A preparação já foi muito emocionante, de ir para stand de tiro, aprender a atirar, vivenciar os dramas, os medos dos policiais. A gente está acostumado a ver o trabalho deles, mas esquece que por trás tem o ser humano, que também tem medo, família. E gosto muito de ir na essência do personagem, na história. Entender o outro lado. Foi muito rico pra mim esse trabalho", opina. 
Estreia no cinema e documentário
Longe das novelas desde "Vidas em Jogo" (2011), da Record TV, e do teatro desde 2018, a atriz retomou a carreira com força total. Ela também faz sua estreia no cinema com os filmes "Arcanos" e "A Pedra do Relógio". "'Arcanos' foi muito curioso porque foi no momento que a gente estava começando a poder sair na época da pandemia. Então as pessoas usavam roupas apropriadas, máscara, álcool em gel. Se eu vir a equipe hoje acho que não reconheço (risos). A 'Pedra do relógio' também foi muito especial porque fala da relação de uma mãe com as duas filhas. Cai naquele lance de nós, mães, nascermos com plaquinhas de culpadas. Fala muito sobre esse universo". 
Apaixonada por esportes, Amanda ainda trabalha em um documentário sobre o assunto. "Ele vai falar sobre como o esporte modifica a vida da pessoa. Digo que a arte me liberta e o esporte me centra, me dá o foco. Vejo o esporte como um retrato ampliado da vida. É uma coisa que me ajuda muito, no foco, na determinação, na disciplina. Aprender a trabalhar no desconforto. Isso são coisas que o esporte vai te ensinando", diz ela, que pratica triatlo há sete anos e, quando mais nova, já foi federada no handball, fez corrida e até jiu-jítsu. 
Apoio dos filhos
Mamãe de Rafaella, de 13 anos, e Vitor, 9, Amanda contou com um apoio dos filhos na volta ao trabalho após se dedicar exclusivamente a eles. "É muito bacana a relação que tenho com eles, de muito diálogo. A felicidade que eles ficaram de saber que eu ia fazer 'Impuros' e 'Todas as Flores' era nítida. Eles sabem que eu amo o que faço e ficaram muito felizes por mim", frisa a atriz. 
Ela ainda revela se algum dos herdeiros deve seguir seus passos na carreira artística. "O Vitor é muito competitivo. Ao mesmo tempo, ele tem um dom incrível pra desenho, ele gosta de jogar futebol. A Rafaella tem multitalentos. Ela foi da equipe de ginástica olímpica do Flamengo, parece que ela é de borracha, mas não aguentou. Joga vôlei super bem, parece que já nasceu coma manchete no Nalbert e não quer, ela dança bem jazz, mas não quer seguir isso. Tem um talento pra escrever e criar e não quer. Agora, fala que vai ser atriz, mas também não fico impondo nada. Quero que eles façam com amor o que escolherem". 
Relação duradoura 
Casada com o ex-jogador de vôlei Nalbert desde 2009, Amanda diz que um dos segredos para a longa relação é parceria e diálogo. "Acho que primeira motivação para estar junto tem que ser nossa. Mas óbvio que você tendo um diálogo, uma conversa, apoio, admiração, as coisas tendem a acontecer melhor. Não tem fórmula, não tem segredo. É dia a dia", afirma.
De bem com a vida
Com 44 anos e rostinho de 20, a atriz diz estar feliz com a nova fase. "O esporte rejuvenesce. A maturidade vai deixando a gente mais forte. Me sinto num momento muito bacana. Ter 20 anos é uma delícia, mas ter amadurecimento é maravilhoso. E em relação a segredo de beleza acho que é ter um estilo de vida bacana, de saúde. Quando a gente está feliz com o que a gente faz, com quem a gente é, a gente se cuida, vai se amando, vai ficando mais bonita. Sou vaidosa e fico lisonjeada com os elogios, mas não me apego muito a essa coisa da idade, do número. O que vale é a felicidade, a boa energia, o cuidar do lado espiritual", reforça.