Rio - A Record TV se manifestou, nesta quarta-feira, contra as acusações de que teria demitido diversos autores de novela após os profissionais se recusarem a adotar o cristianismo evangélico. Segundo informações divulgadas pelo site "Notícias da TV", Emílio Boeachat, Camillo Pelegrini, Joaquim Assis, Cristianne Fridman e Paula Richard estão entre os nomes que teriam deixado a emissora por não seguir a religião.
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No processo, encabeçado por Paula Richard, a autora das novelas "Jesus" (2018) e "O Rico e o Lázaro" (2017) pede uma indenização de R$ 5,6 milhões por preconceito religioso. A escritora afirma que, por mais que tentasse fazer produções sem o destaque de uma religião específica, a fim de respeitar todas as crenças, teria sido impedida pela diretora de dramaturgia, Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo.
"Evidente que a autora nutre profundo respeito pela denominação religiosa dos donos da emissora em que laborou por tantos anos, mas esse respeito não foi recíproco", afirmou um trecho do documento, que ainda conta com anexos de depoimentos de diversos colegas de trabalho de Paula, que alegam ter enfrentado a mesma situação.
A autora ainda aproveitou para destacar que sempre manteve uma boa relação com os membros da Igreja Universal, exceto por Cristiane Cardoso, que prefere profissionais alinhados ao evangelismo para produzir as tramas bíblicas da emissora.
"A relação de trabalho da autora com membros da igreja, seja na produção ou com as colaboradoras que foram inseridas na sua equipe, sempre foi amena; entretanto, ao que tudo indica, a já mencionada senhora Cristiane Cardoso estava determinada a ter apenas membros da Igreja Universal escrevendo na Record TV –o que constitui, a toda evidência, inaceitável discriminação de cariz religioso", afirmou a advogada de Paula.
"Esse aspecto é ainda mais evidenciado quando se verifica que todos os roteiristas profissionais que trabalhavam na Record e não são membros da Igreja Universal foram demitidos. Hoje, somente a senhora Cristiane Cardoso e membros da referida igreja escrevem e atuam como roteiristas da Record", ressaltou o documento, que também possui anexos das trocas de e-mails entre as duas.
De acordo com a ação movida por Paula, a demissão dos outros autores citados no decorrer do documento também estaria relacionada a essa atitude problemática da empresa. "A saída de todos esses profissionais – entre os quais, a reclamante –, ao que tudo indica, é fruto da intolerância religiosa da senhora Cristiane Cardoso que, na tentativa de formação da sua 'nação cristã', retirou todos os roteiristas de outras denominações religiosas e segue substituindo outros profissionais da cadeia do audiovisual, com base em parâmetros idênticos. Todos esses funcionários, como noticia a mídia, foram substituídos por membros da Igreja Universal", afirma.
Através de um comunicado divulgado no Twitter, a Record TV negou todas as alegações da autora e ratificou que a emissora possui total imparcialidade. "A Record TV não tem religião. A Record TV vem a público declarar que é contra qualquer tipo de intolerância, inclusive a religiosa. Portanto, o Grupo Record anuncia que tomará todas as providências judiciais necessárias com relação à acusação sofrida hoje", escreveu a equipe de comunicação.
COMUNICADO: A RECORD TV NÃO TEM RELIGIÃO. A #recordtv vem a público declarar que é contra qualquer tipo de intolerância, inclusive a religiosa. Portanto, o Grupo Record anuncia que tomará todas as providências judiciais necessárias com relação à acusação sofrida hoje.
— Record TV Comunicação (@RecordTV_press) May 31, 2023
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