Leandra Leal posa com o elenco de ’A Vida Pela Frente’Jorge Bispo

Rio - A amigas Leandra Leal, Rita Toledo e Carol Benjamin são as criadoras da série "A Vida Pela Frente", uma produção original que será lançada em duas partes no Globoplay: os cinco primeiros episódios estreiam nesta quinta-feira e a segunda metade chega no dia 6 de julho. Ambientada na virada do milênio, entre 1999 e 2000, no Rio de Janeiro, a trama é repleta de referências pop e aborda temas atuais ao debater saúde mental, responsabilidade afetiva, luto, sexualidade, romance, drogas, diversão, festas, pertencimento e descoberta da homoafetividade.
Os atores Flora Camolese, Jaffar Bambirra, Nina Tomsic, Muse Maya, Henrique Barreira e Lourenço Dantas são o sexteto de amigos que protagoniza a obra. "Essa série já está projetada há quase uma década por mim, pela Rita e pela Carol. Ela é inspirada em algumas coisas que aconteceram com a gente, outras coisas que a gente só ouviu falar, coisas que a gente viu, ouviu, mas têm um fundo pra gente muito importante, muito especial. 'A Vida Pela Frente' fala sobre essa fase que é muito potente, essa fase de descoberta, de primeiras vezes", explica Leandra Leal. 
A trama
Os seis protagonistas de "A Vida Pela Frente" enfrentam um turbilhão de emoções durante o último ano do ensino médio na fictícia Jardim do Futuro, uma escola da Zona Sul carioca. Os amigos terão que lidar com um episódio traumático, a morte de uma colega, que faz o sexteto ver e sentir a realidade por outra perspectiva. Contada em dois tempos, a série explora o antes e depois dessa reviravolta marcante. 
"Através dessa perda, a série se volta muito também para o que essas pessoas vão ser, como elas vão lidar com isso. Tem esse acontecimento trágico, mas ela não se concentra só nisso. Fala sobre essa fase que é disruptiva, incrível e que é constituinte de cada ser humano: a adolescência. Fala com muita sensibilidade e crueza também. É uma série sobre o fim da adolescência, mas não é uma série só para adolescentes", garante a atriz. 
Carol Benjamin concorda e conta que enxerga a adolescência como uma espécie de luto. "A própria adolescência é um momento de um luto: um luto de quem você foi até então, de como você sempre se entendeu no mundo, uma passagem para em quem você vai se transformar... Essa experiência de viver lutos quando você é adolescente, literalmente viver a morte de pessoas da sua idade, é uma experiência que também foi muito formativa pra gente (ela, Rita Toledo e Leandra Leal) e é muito presente na série. A gente trouxe não uma, mas algumas experiências que nos atravessaram e que, suponho, atravessam a maioria dos adolescentes de forma visceral e atemporal", afirma.
"A gente viveu perdas na adolescência, eu perdi pai… É muito difícil, doloroso, você entender esse lugar. Na adolescência, você tem uma crença de que tudo é eterno, a morte não passa pela sua cabeça, e quando ela chega é uma entrada também na vida adulta. Acho que pra gente isso foi algo muito marcante", diz Leandra. 
Rita Toledo revela que a série "My So-Called Life", que no Brasil era chamada  "Minha Vida de Cão", foi uma grande referência para a obra. "Eu assisti a séries e filmes como 'Minha Vida de Cão' na adolescência e foi uma série tão importante para a mim... Espero que 'A Vida Pela  Frente' traga esse sentimento para os adolescentes que vão ver, de se reconhecer, reconhecer as questões, se inspirar, entender as suas questões através dos personagens... Tomara que isso aconteça", torce.
Estreia como diretora de ficção
Além de ser uma das criadoras da produção, Leandra Leal faz sua estreia na direção de uma obra de ficção com "A Vida Pela Frente". A atriz também interpreta Tereza, uma mãe solo e superprotetora. Para a artista, participar de todo o processo, desde a criação da série, foi uma experiência transformadora. 
"Eu sou uma atriz muito melhor depois de ter passado por 'A Vida Pela Frente'. É a primeira ficção que eu dirijo, mas eu já tinha envolvimento com produção: dirigi 'Divinas Divas'... Mas você entender o processo só faz com que você contribua melhor para ele. Entender a sua responsabilidade dentro do projeto, entender a sua demanda, isso tudo me faz ser muito mais entregue no que eu faço e é muito bonito ver tudo do início ao fim, é realmente um sonho", comemora Leandra, que também ama estar no set só como atriz. 
"(Dirigir) Foi muito maneiro porque eu amo ser atriz. Eu dirigi a partir do meu lugar como atriz e logo depois eu fui fazer um filme que era muito complexo. Foi um bálsamo na minha vida voltar ao meu lugar de atriz, dar conta daquilo, da minha personagem somente. Foi lindo. Então, sim, dirigir 'A Vida Pela Frente' influenciou bastante na minha forma de atuar", finaliza.