Eduardo Sterblitch vive um ex-policial na série ’Os Outros’Paulo Belote/Globo
Rio - O ator Eduardo Sterblitch, de 36 anos, é um dos destaques da série "Os Outros", do Globoplay. A trama escrita por Lucas Paraizo e dirigida por Luisa Lima promove uma importante discussão sobre intolerância e a dificuldade de diálogo na sociedade atual. Conhecido por seu humor incomparável, Eduardo mostra um outro lado na pele do ex-policial Sérgio, que se aproveita de uma briga entre vizinhos para se beneficiar de alguma forma, como por exemplo ganhar dinheiro vendendo um revólver para uma mãe em desespero.
Apesar de se considerar "fofo", Edu acredita que todos os seres humanos têm um lado mais sombrio. "Todos nós somos um pouco assustadores. Eu aprendi com a Camila Amado (atriz e professora de interpretação) que todos nós somos tudo ao mesmo tempo. Todos nós somos assassinos e maravilhosos ao mesmo tempo. É uma dubiedade, o ser humano. Fui me inspirando no que há de melhor e pior em todos nós, em mim, em você, nas pessoas... O negócio é tentar fazer a gente se encontrar o máximo possível dentro desse ser humano, que é complexo. Ninguém é só mau, só violento. As pessoas são muito loucas", diz o ator, que confirmou ser um pouco mais difícil trazer à tona sua faceta mais agressiva.
"É mais difícil porque eu sou muito fofo. Eu sou meio besta, 'otarião'. Eu não sou agressivo, mas tenho esse meu lado. Eu nunca fui tão agressivo na minha vida, o meu lado agressivo nunca chegou perto do lado agressivo que o Sérgio pode ter. Eu não passo pano pra ele, mas eu entendo porque ele chegou ali", afirma. "O analista de qualquer criminoso entende aquele criminoso. Não concorda, mas entende. Então, eu acho encantador poder fazer um cara que é diferente de mim. O encantamento é de quem assiste. Não é pra mim, eu quero que as pessoas se encantem", diz.
O artista ressalta que um dos diferenciais da série é o fato de ela ser muito realista e de os telespectadores poderem se identificar com qualquer personagem. "O legal dessa série é que ela é quase como se fosse um reality show. É ultra-realismo. A gente consegue se enxergar em todos os personagens", afirma Edu, que brinca ao ser questionado se "o inferno são os outros?".
"E os outros somos nós. A gente é o inferno", dispara, aos risos. "É aquela coisa: câncer acontece e Carnaval também. Tudo mesmo tempo. A vida é uma loucura. Não existe alívio sem dor. Existem as duas coisas o tempo inteiro. A gente lida muito mal com a dor... O medo vira raiva, tem muita gente que está com muita raiva, muito violenta, mas na verdade essa pessoa está com medo", acredita.
Vizinhos
Assim como os personagens da série, Edu também já teve alguns problemas com vizinhos. Mas o ator avisa que não foi nada muito grave. "Nada muito grave, era mais coisa de barulho. Eu reclamo muito de barulho de obra e os vizinhos reclamam do meu barulho de festa. Mas agora eu convido os vizinhos para as minhas festas, essa é a tática da boa vizinhança (risos). Agora, se o seu vizinho for mau caráter, você está convidando ele pra dentro da sua casa. É o carma de cada um", diverte-se.
Paternidade
Em "Os Outros", Edu vive um pai que não dá muita atenção para a filha, Lorraine (Gi Fernandes). Já na vida real, o ator se tornou pai em março deste ano. O bebê é fruto do casamento com Louise D'Tuani. "Eu fui pai antes nesse papel (do ex-policial Sérgio) do que na vida. Mas no papel eu não sou um bom pai… Será que na vida eu sou um bom pai?", brinca.
"Eu sei que eu seria uma péssima mãe, não conseguiria dar conta. É muito difícil pra mãe. É muita coisa. Eu fico ali tentando ser o melhor garçom possível. Antes de qualquer coisa, tentar servir a criança e a mãe. Eu vou descobrir se eu vou ser um bom pai daqui a algum tempo, por enquanto eu sou só pai", analisa o ator, que é só elogios para a mulher.
"A Louise é maravilhosa, está tirando de letra… Assim, dentro de todas as questões que têm dentro da maternidade, sem romantizar… Claro que ela tem os sofrimentos do dia a dia, as dificuldades, as questões... Mas ela perto de mim está tirando muito de letra, eu que estou mais tenso", garante o artista, que conta o que mudou em sua vida depois que ele se tornou pai.
"Acho que fiquei mais focado. Mas eu sempre fui confuso e estou confuso igual. Hoje em dia estou dando mais valor pra pai e mãe. É muita coisa que tem que fazer, muita função. As mães principalmente. Depois os pais, as babás, toda a rede de apoio, sogra, sogro, tia, tio, avó, avô... Todas as pessoas que ajudam nesse momento são anjos. É tanta coisa pra fazer que você não tem como pensar. É como lavar o Maracanã, você só pega o balde e vai", finaliza, aos risos.






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