Poliana Abritta e Maju Coutinho são as apresentadoras do ’Fantástico’Globo/Estevam Avellar

Rio - A primeira edição do "Fantástico" foi ao ar no dia 5 de agosto de 1973. Cinquenta anos e vários apresentadores depois, a revista eletrônica da TV Globo tem duas mulheres no comando da atração. As jornalistas Poliana Abritta, 47, e Maju Coutinho, 44, exaltam a parceria entre elas, falam sobre a "honra" e a "responsabilidade" de estarem à frente de um programa tão longevo e ressaltam a alegria de poderem participar desta data tão marcante, que é o aniversário de 50 anos do "Show da Vida". 
"Estou me sentindo a rainha dos 50 anos, porque eu peguei os 50 anos do 'Jornal Hoje' e agora 50 anos do 'Fantástico'. É incrível, é uma honra… Imagina! São tantos anos sendo líder de audiência, sempre inovando, sempre preocupado em levar o melhor conteúdo bem embalado para o telespectador", dispara Maju Coutinho, que chegou à atração em novembro de 2021, após a saída de Tadeu Schmidt. 
"A mesma sensação que eu tive quando me chamaram pra apresentar o 'Fantástico', eu carrego até hoje. Já são praticamente nove anos e é um misto de alegria, honra e responsabilidade. Sempre! E isso nunca pode ser diferente", afirma Poliana Abritta.
"Essas datas são marcos mesmo de responsabilidade. Olha o programa que eu e Poliana estamos à frente, somos porta vozes de certa maneira. Que responsabilidade. (Espero) que a gente consiga honrar esse caminho, que foi aberto por outros, e que vai continuar com outras pessoas, e que ainda seja um foco de informação relevante para a população", completa Maju.  
Amigas
Poliana Abritta, que completará nove anos na apresentação do "Fantástico" em novembro de 2023, afirma que é muito simbólico o fato de duas mulheres estarem à frente da atração, mas para ela, além disso, é também muito divertido. 
"O 'Fantástico' tem poros abertos e assim ele consegue se manter atual e ir acompanhando as mudanças da sociedade. Então nada mais simbólico e representativo que sejamos nós, duas mulheres, a apresentar o programa, porque dessa forma a gente está sendo coerente justamente com essa ocupação cada vez maior de postos por mulheres", analisa a jornalista. Ela conta que quando soube da saída de Tadeu Schmidt pensou em Maju para ocupar a vaga ao seu lado. 
"Quando eu soube que o Tadeu ia sair, o primeiro e único nome que veio a minha cabeça foi a Maju. Quando me disseram que realmente era ela, eu falei: 'Vocês estão de sacanagem né?'. Na verdade, eu intuía antecipadamente que ia dar certo, que ia dar match. Acho que a gente chegou com um compromisso, com uma responsabilidade e um coração muito aberto pra fazer com que essa dupla fosse de fato uma dupla. E se alguém tivesse apostado numa disputa entre as duas, a gente ensinaria que a gente vai correr juntas, de mãos dadas. A gente tem feito isso e eu acho que o público sabe. Ter a Maju como parceira, sim, é muito simbólico. E ao mesmo tempo é divertido, é um prazer! A gente está falando da importância, da relevância disso, mas é bacana. A gente troca figurinhas. Eu ganhei uma amiga além de ter ganhado uma excelente parceira de trabalho", completa Poliana. 
Maju concorda com a colega. "É revolucionário, somos duas mulheres que subvertem o que as pessoas geralmente imaginam que deve ser duas mulheres apresentando (um programa). No sentido de que a gente vem de mãos dadas. A gente tenta manter essa sintonia. Fui muito bem recebida pela Poliana quando cheguei, com muito carinho, muita abertura e deu match. A gente está conseguindo levar dessa maneira leve. A apresentação em dupla é uma dança, se você não vai bailando junto...". 
Muito trabalho
A rotina de trabalho das jornalistas é bastante diferente do normal. A semana para Poliana e Maju começa às terças-feiras e encerra no domingo. Na segunda, elas têm a merecida folga. "O 'Fantástico' não para a sua preparação nunca. Segunda-feira é nossa folga, mas Bruno (Bernardes, diretor) manda mensagem às vezes às 7h da manhã, matérias do 'The New York Times', é meio que ininterrupta a preparação. Mas falando sério, a gente começa na terça-feira a nossa semana propriamente dita com reunião de pauta. As vezes eu e Poli temos algumas gravações ao longo da semana, gravação de entrevistas, musicais e chamadas, que são feitas às quintas, sextas e sábados", explica Maju. 
"Terça-feira é aquele dia que a gente chega totalmente sem maquiagem, com aquela cara de sono pra conversar e trocar, ver o que a gente fez, avaliar o programa passado e discutir sobre as pautas. Sempre tem avaliação do programa anterior. É uma reunião que dura umas duas horas, com críticas, elogios, o que poderia ser melhor... Existe essa preocupação interna", afirma Poliana, que já se adaptou a trabalhar todos os domingos. 
"A gente se acostuma. Se você pensar que os médicos, garçons... Têm várias pessoas que trabalham num esquema diferente. Todo mundo me pergunta como é trabalhar todo domingo, mas ninguém me pergunta como é folgar toda segunda. Todo mundo tem aquele 'banzo' de domingo e não existe esse dia na minha vida, porque eu estou no auge da minha semana de trabalho. E a segunda feira, que todo mundo odeia, eu amo porque eu estou de folga", brinca, aos risos. 
Sonho
Maju Coutinho conta que sempre sonhou em apresentar o "Fantástico", mas acreditava ser algo "inalcançável". "Eu me imaginava (apresentando o 'Fantástico'). Era um sonho que parecia inalcançável… Quem sabe um dia? Eu costumo falar que só quando a tampa do caixão fecha é que a gente consegue ter a dimensão do que estamos passando. Sei que estou em um canhão, mas eu acho que só quando eu terminar essa carreira, olhar pra trás, é que eu vou ter a real dimensão. Eu sei que é grande, é importante, relevante, mas eu acho que essa ficha, pra cair, você precisa olhar pra trás com calma, pro olho do furacão, pra fazer uma avaliação mais precisa", afirma a apresentadora sobre a responsabilidade de apresentar o programa. 
Poliana concorda e diz que elas trabalham tanto que ainda não conseguem ter dimensão do prestígio que é estar à frente do Show da Vida. "A gente trabalha tanto que a gente acaba não parando pra pensar. É claro que a gente sabe da responsabilidade, da importância, mas é muito trabalho. Então, você está ali na labuta, produzindo, fazendo, pensando… Mas eu acho que acima de tudo, em tudo que eu fiz e faço na minha vida, eu sou muito inteira. Eu vivo isso aqui intensamente e eu sei que lá na frente eu vou ter essa sensação de que eu vivi cada gota de suor desse programa". 
Representatividade
Questionada sobre a representatividade de ser uma mulher negra em uma atração como o "Fantástico", Maju diz que estar em posições de destaque é sempre "um romper barreiras". "Em um país que a gente sabe que ainda é um país racista, é complicado você ser mulher, ser mulher negra. É um peso maior e eu acho que eu tento me preparar da melhor maneira possível emocionalmente para que isso não me destrua. Abala? Abala! Faz parte do pacote fama? Faz! Mas o mais importante na história de você romper barreiras é você ter uma rede de apoio que te segure pra você continuar rompendo essas barreiras".